Existe uma demanda urgente para identificar variantes de risco genético no câncer de próstata, particularmente em genes de reparo do DNA (DDR), que podem ser alvo de estratégias baseadas em medicina de precisão. Pesquisa que analisou dados de sequenciamento de genoma completo e exoma de dois grandes conjuntos de dados familiares independentes de alto risco, australianos e norte-americanos, identificou novas variantes de risco de DDR no câncer de próstata (CaP). “Este estudo acrescenta conhecimento valioso à nossa compreensão dos genes DDR associados a CaP”, destacam os autores, com resultados que devem apoiar estratégias de triagem clínica e tratamento.

O câncer de próstata é responsável por grande parcela das mortes relacionadas ao câncer em todo o mundo e responde por carga substancial em termos de morbidade, saúde mental e custos econômicos associados ao tratamento.

Evidências indicam que o histórico familiar é um dos fatores de risco mais fortes para câncer de próstata, com presença da herança genética estimada em aproximadamente 57% dos casos (Mucci et al., JAMA, 2016). Parcela considerável de homens com doença avançada abriga variantes genéticas da linha germinativa clinicamente acionáveis, muitas delas em genes de reparo do DNA.

Neste estudo, variantes raras do gene DDR (previstas como prejudiciais e presentes em dois ou mais membros da família) foram identificadas e subsequentemente genotipadas em 1963 indivíduos (700 casos familiares e 459 esporádicos de CaP, 482 parentes não afetados e 322 controles rastreados).

Os resultados foram relatados na Cancers e revelam que, nos conjuntos de dados combinados, variantes raras ERCC3 (rs145201970, p = 2,57 × 10−4) e BRIP1 (rs4988345, p = 0,025) foram significativamente associadas ao risco de CaP. Os autores descrevem que uma variante PARP2 (rs200603922, p = 0,028) no conjunto de dados australiano e uma variante MUTYH (rs36053993, p = 0,031) no conjunto de dados norte-americano também foram associadas ao risco.

A avaliação das características clinicopatológicas não forneceu evidências de uma idade mais jovem ou doença de grau mais alto no diagnóstico em portadores de variantes, o que deve ser levado em consideração ao determinar os critérios de elegibilidade de triagem genética. “A evidência existente de que variantes raras do gene DDR estão associadas a doenças agressivas e o uso crescente de terapias contra o câncer visando essa via destacam o significado desses achados”, concluem os autores. “No entanto, este estudo levanta a preocupação de que confinar a triagem genética apenas aos pacientes com CaP de início precoce e/ou alto grau pode resultar em uma oportunidade perdida para alguns homens receberem terapias eficazes e direcionadas baseadas no perfil genético”, acrescentam.

Referência:

Foley, G.R.; Marthick, J.R.; Lucas, S.E.; Raspin, K.; Banks, A.; Stanford, J.L.; Ostrander, E.A.; FitzGerald, L.M.; Dickinson, J.L. Germline Sequencing of DNA Damage Repair Genes in Two Hereditary Prostate Cancer Cohorts Reveals New Disease Risk-Associated Gene Variants. Cancers 202416, 2482. https://doi.org/10.3390/cancers16132482