Análise que descreve o perfil molecular de genes drivers no câncer  de pulmão de pacientes brasileiros que nunca fumaram mostra que 73% têm pelo menos uma alteração acionável, com mutações de EGFR em aproximadamente 50% dos casos. O trabalho tem implicações na prática clínica, demonstrando oportunidades para terapias-alvo que podem melhorar o tratamento desses pacientes.  Rodrigo Cavagna (foto), do Centro de Pesquisa em Oncologia Molecular do Hospital do Câncer de Barretos, assina como primeiro autor, em artigo que tem como autor correspondente Rui Manuel Reis (na foto à direita), diretor científico do Instituto de Ensino e Pesquisa da mesma instituição, também pesquisador da Escola de Medicina da Universidade do Minho, em Portugal.

O câncer de pulmão em pacientes nunca fumantes é responsável por 20% dos casos de câncer de pulmão, mas sua biologia ainda permanece pouco compreendida, particularmente em populações miscigenadas.

Nesta análise, o objetivo foi elucidar o perfil molecular dos genes drivers no câncer de pulmão em pacientes brasileiros que nunca fumaram. O status mutacional e de fusão genética de 119 adenocarcinomas de pulmão de pacientes nunca fumantes autorrelatados (97 primários e 22 após tratamento) foi avaliado usando sequenciamento de próxima geração (NGS), nCounter e imuno-histoquímica. Um painel de 46 marcadores informativos de ancestralidade determinou a ancestralidade genética dos pacientes.

Os resultados foram relatados no periódico The Oncologist (Oxford Academic) e mostram que o gene mais frequentemente mutado foi EGFR (49,6%), seguido por TP53 (39,5%), ALK (12,6%), ERBB2 (7,6%), KRAS (5,9%), PIK3CA (1,7%) e menos de 1% de alterações em RET, NTRK1, MET∆ex14, PDGFRA e BRAF. Exceto por TP53 e PIK3CA, todas as outras alterações foram mutuamente exclusivas. A análise de ancestralidade genética revelou predominância de europeus (71,1%) e uma ancestralidade africana mais alta foi associada a mutações de TP53.

Entre as mutações do EGFR, as deleções do exon 19 estavam presentes em 49,2% dos casos, seguidas pelo exon 21 (28,8%) e menos frequentemente nos exons 20 (7,6%) e 18 (1,7%).

Os achados revelam que o perfil molecular  do câncer  de pulmão de pacientes brasileiros que nunca fumaram foi semelhante ao de outras populações, exceto pelas alterações aumentadas de translocação ALK e mutações TP53. Os autores destacam que 73% desses pacientes têm alterações acionáveis ​​que são adequadas para o tratamento com terapias-alvo.

Além de  Rodrigo de Oliveira Cavagna e Rui Manuel Reis, o artigo tem como coautores Flávia Escremim de Paula, Gustavo Noriz Berardinelli, Murilo Bonatelli, Iara Santana, Eduardo Caetano Albino da Silva, Gustavo Ramos Teixeira, Beatriz Garbe Zaniolo, Josiane Mourão Dias, Flávio Augusto Ferreira da Silva, Carlos Eduardo Baston Silva, Marcela Gondim Borges Guimarães, Camila Pinto Barone, Alexandre Arthur Jacinto, Rachid Eduardo Noleto da Nóbrega Oliveira, José Elias Miziara, Pedro De Marchi, Miguel A. Molina-Vila e Letícia Ferro Leal.

Referência:

Rodrigo de Oliveira Cavagna, Flávia Escremim de Paula, Gustavo Noriz Berardinelli, Murilo Bonatelli, Iara Santana, Eduardo Caetano Albino da Silva, Gustavo Ramos Teixeira, Beatriz Garbe Zaniolo, Josiane Mourão Dias, Flávio Augusto Ferreira da Silva, Carlos Eduardo Baston Silva, Marcela Gondim Borges Guimarães, Camila Pinto Barone, Alexandre Arthur Jacinto, Rachid Eduardo Noleto da Nóbrega Oliveira, José Elias Miziara, Pedro De Marchi, Miguel A Molina-Vila, Letícia Ferro Leal, Rui Manuel Reis, Molecular profile of driver genes in lung adenocarcinomas of Brazilian patients who have never smoked: implications for targeted therapies, The Oncologist, 2024; oyae129, https://doi.org/10.1093/oncolo/oyae129