O brasileiro Evandro de Azambuja (foto), oncologista do Institut Jules Bordet, na Bélgica, é coautor de estudo publicado no Annals of Oncology, com achados que mostram o valor do status do receptor hormonal e do subtipo em jovens com câncer de mama com variantes patogênicas do BRCA. “As diferenças no padrão de recorrência e no segundo câncer de mama primário entre doença receptor hormonal positiva vs. negativa devem ser consideradas no aconselhamento de pacientes sobre tratamento, acompanhamento e cirurgia de redução de risco”, destacam os autores.

A expressão do receptor hormonal é um fator prognóstico e preditivo positivo conhecido no câncer de mama, mas existem evidências limitadas sobre seu impacto no prognóstico de pacientes jovens com variantes patogênicas (VP) do BRCA.

Este estudo de coorte retrospectivo, multicêntrico e internacional incluiu pacientes jovens (≤40 anos) diagnosticadas com câncer de mama com VP da linha germinativa em genes BRCA. Os pesquisadores investigaram o impacto do status do receptor hormonal no comportamento clínico e nos resultados do câncer de mama. Desfechos de interesse  - sobrevida livre de doença (SLD),  sobrevida específica do câncer de mama (SECM) e sobrevida global  (SG) foram investigados, primeiro de acordo com a expressão dos receptores hormonais (positivo vs. negativo) e, em seguida, de acordo com o subtipo de câncer de mama (luminal A vs. luminal B vs. triplo-negativo vs. câncer de mama HER2 positivo).

Resultados

De 78 centros em todo o mundo, 4.709 pacientes com VP de BRCA foram incluídos, dos quais 2.143 (45,5%) tinham câncer de mama positivo para receptor hormonal e 2.566 (54,5%) negativo para receptor hormonal.

Em um seguimento mediano de 7,9 anos, os autores descrevem que a taxa de recorrências distantes foi maior em pacientes com doença positiva para receptor hormonal (13,1% vs. 9,6%, p<0,001), enquanto a taxa de segundo câncer de mama primário foi menor (9,1% vs. 14,7%, p<0,001) em comparação com pacientes com doença negativa para receptor hormonal. A análise mostra que a SLD em 8 anos foi de 65,8% e 63,4% em pacientes com doença receptor hormonal positiva e negativa, respectivamente. A razão de risco para doença receptor hormonal positiva vs. negativa mudou ao longo do tempo para os desfechos de SLD, SECM e SG (p<0,05 para interações do status do receptor hormonal e tempo de sobrevida).

Pacientes com câncer de mama luminal A-like tiveram o pior prognóstico de longo prazo em termos de SLD na comparação com todos os outros subgrupos (SLD de 8 anos: 60,8% em luminal A vs. 63,5% em triplo-negativo vs. 65,5% em HER2-positivo e 69,7% em subtipo luminal B).

Em jovens portadoras de BRCA, esses resultados mostram diferenças no padrão de recorrência e no segundo câncer de mama primário entre doença receptor hormonal positivo vs. negativo, achados que, segundo os autores, devem ser considerados no aconselhamento de pacientes sobre tratamento, acompanhamento e cirurgia de redução de risco, concluem os autores.

“Até onde sabemos, este é o maior estudo incluindo mulheres jovens com câncer de mama portadoras de VP BRCA da linha germinativa, de várias instituições em todo o mundo.  Esses dados abordam exclusivamente o valor do status do receptor hormonal e dos subtipos de câncer de mama no cenário do câncer de mama hereditário. Nossos resultados sugerem que a expressão do receptor hormonal não pareceu ser um forte fator prognóstico positivo em jovens portadoras de BRCA com câncer de mama; o tempo e os padrões de recorrência diferiram de acordo com o status do receptor hormonal e os subtipos de câncer de mama”, analisam.

A íntegra do estudo está disponível em acesso aberto no Annals of Oncology.

Referência:

Open Access Published: June 19, 2024 DOI: https://doi.org/10.1016/j.annonc.2024.06.009