Pesquisadores do Departamento de Oncologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) apresentaram resultados da experiência institucional com pacientes de sarcoma uterino. O trabalho foi aceito em poster no ESMO Gynaecological Cancers Congress 2024, com participação da oncologistas Maria Del Pilar Esteves Diz (foto), Coordenadora da Oncologia Clínica, com achados que destacam a necessidade de novas abordagens de tratamento.

Sarcomas uterinos representam um grupo raro de malignidades caracterizadas por diversos subtipos histopatológicos. As evidências científicas são limitadas, em razão da sua infrequência. 

Neste estudo retrospectivo, o objetivo dos pesquisadores foi esclarecer a experiência do ICESP. Foram incluídos pacientes diagnosticados com sarcoma uterino de alto grau

entre 2008 e 2024. A análise considerou dados demográficos dessa população de pacientes e modalidades de tratamento. As análises de sobrevida foram conduzidas usando o método de Kaplan-Meier e os fatores prognósticos foram avaliados usando regressão de Cox.

Os resultados apresentados no congresso europeu compreendem 81 pacientes com sarcoma uterino avaliados, dos quais 53 apresentaram doença localizada no momento do diagnóstico. A idade média foi de 51,8 anos (intervalo interquartil [IQR] 22,3-80,9). A maioria dos pacientes (74%)  tinha bom status de desempenho (ECOG 0-1)  e foi diagnosticada com leiomiossarcoma (92,2%). O estadiamento FIGO revelou 39,5% no estágio I, 7,8% no estágio II, 6,5% no estágio III, 1,3% no estágio IVA e 36,4% no estágio IVB.

Entre os pacientes com doença localizada, 67,9% foram submetidos à histerectomia e salpingo-ooforectomia bilateral, com 86,7% atingindo ressecção R0. Em relação à terapia adjuvante, 17% receberam quimioterapia adjuvante (predominantemente Doxorrubicina + Ifosfamida), 22,6% radioterapia e 13,2% braquiterapia. Em um seguimento mediano de 52 meses, 54,7% dos pacientes tiveram recorrência, principalmente à distância (86%), notadamente nos pulmões. A mediana de sobrevida livre de doença e de

sobrevida global foi de 58,5 meses (IQR 9,73-154,83) e de 105,17 meses (IQR 37,4- 121,33), respectivamente. Apenas o estágio FIGO foi significativamente associado ao aumento do risco de recorrência (HR 5,2 para estágio III-IVA vs. I-II, IC 95% 1,86-14,49, P=0,002), enquanto linfadenectomia, quimioterapia adjuvante ou radioterapia adjuvante não mostraram impacto no risco de recorrência.

“ Apesar de atingir altas taxas de ressecção R0 em pacientes com doença localizada, mais da metade apresentou recorrência, particularmente em locais distantes. Estratégias como linfadenectomia e terapias adjuvantes convencionais (quimioterapia ou radioterapia) não atenuaram o risco de recorrência, destacando a necessidade de novas abordagens terapêuticas para melhorar os resultados dos pacientes”, concluem os autores.

Referência:

87P - Characteristics and prognostic factors of high-grade uterine sarcomas: Unmet need of new therapeutic approaches. G.M. Oliveira, D.S.R. Sobral Filho, D.D.C. Pineda Labanda, D. Souza, L. Vecchi Leis, V.C. Miranda, R. Colombo Bonadio, M.D.P.E. Diz, S.C. Costa Medical Oncology Department, ICESP - Instituto do Cancer do Estado de Sao Paulo, São Paulo, Brazil