A taxa de incidência de câncer entre homens e mulheres é uma medida valiosa na epidemiologia e cada vez mais as diferenças sexuais na carga do câncer, a chamada  metodologia da razão sexual, é empregada para comparar dados, explorar diferenças e compreender a variabilidade do câncer. O cirurgião oncológico Wilson Luiz da Costa (foto) é coautor de editorial da Frontiers in Oncology que apresenta diferentes pesquisas publicadas sobre o tema, em trabalho que tem como primeiro autor Syed Raza, pesquisador da Universidade de Pittsburgh.

“Para este tema sobre diferenças sexuais na carga do câncer, pesquisadores do câncer foram convidados a contribuir com suas descobertas sobre diferenças sexuais em vários tipos de câncer em diferentes regiões globais. As contribuições incluíram estudos sobre câncer orofaríngeo (Guo et al); câncer de pulmão (Wang et al., Park et al); câncer cerebral (Moss et al); e câncer de pulmão de células não pequenas (Rodriguiz-Lara et al)”, descrevem os autores.

O estudo de Guo et al. destaca o impacto significativo da vacinação contra o HPV na redução da incidência de carcinoma espinocelular orofaríngeo nos EUA entre adultos jovens, tanto em homens quanto em mulheres, durante a era da vacinação.

Entre as publicações que dão relevo às diferentes cargas do câncer entre homens e mulheres, o editorial também ilustra pesquisa realizada por Wang et al., com foco em sete metrópoles orientais na China. O trabalho examinou os riscos e a mortalidade associados a poluentes do ar, como material particulado (PM10), dióxido de nitrogênio (NO2) e dióxido de enxofre (SO2). “Acredita-se que os homens, em comparação com as mulheres, tenham risco maior de câncer de pulmão após a exposição à poluição do ar ambiente”,  descrevem Raza e colegas, sublinhando o valor do estudo chinês como um apelo claro para que os formuladores de políticas intensifiquem as regulamentações sobre a emissão de poluentes para combater o impacto da poluição do ar no câncer de pulmão.

Outro estudo asiático sobre câncer de pulmão que aponta diferenças significativas entre homens e mulheres e é referenciado no editorial é a pesquisa coreana de Park et al. Os pesquisadores analisaram uma grande coorte nacional de 12 anos, demonstrando que a apneia obstrutiva do sono reduziu ligeiramente o risco de câncer de pulmão em homens, mas não em mulheres. O editorial também dá relevo ao trabalho de Rodriguez-Lara et al., em revisão sobre câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP) que aponta a influência dos hormônios sexuais na resposta terapêutica. “O papel do estrogênio e do androgênio na resposta imune do CPCNP permanece parcialmente compreendido, com dados contraditórios sobre respostas relacionadas ao sexo à imunoterapia baseada em PD-L1”, mostra a revisão, que reúne dados emergentes sugerindo que mulheres devem ser estratificadas por status hormonal e que os Degradadores Seletivos do Receptor de Estrogênio (SERDs) podem aumentar a resposta à imunoterapia.

Acompanhe esses e outros estudos, com referências completas no editorial da Frontiers in Oncology. “Essas diferenças de sexo oferecem insights valiosos sobre a epidemiologia do câncer, destacando a necessidade de dados robustos e comparativos entre regiões”, concluem os autores.

Referência: 

Raza SA, da Costa WL and Thrift AP (2024) Editorial: Sex differences in cancer incidence, mortality, and survival: methodological perspectives. Front. Oncol. 14:1441965. doi: 10.3389/fonc.2024.1441965