Imunoterapia é destaque na ASCO 2015
A imunoterapia roubou a cena na 51ª ASCO e os inibidores de checkpoint ganharam os holofotes em Chicago. No maior encontro da oncologia mundial, diferentes grupos de pesquisa apresentaram resultados encorajadores que exploram a imunoterapia em tumores de difícil tratamento, como pulmão, fígado e no câncer de cabeça e pescoço recorrente ou metastático.
Um estudo de fase II identificou o primeiro marcador genômico: uma deficiência no gene de reparo do DNA, o mismatch repair (MMR), é capaz de prever a resposta ao anticorpo anti-PD-1 pembrolizumab. Este marcador previu respostas em uma variedade de tipos de câncer (LBA 100).
Um estudo com 132 pacientes indica que a imunoterapia com pembrolizumab é eficaz no câncer de cabeça e pescoço recorrente ou metastático. As descobertas podem preencher uma grande necessidade não atendida de melhores tratamentos para a doença (LBA6008).
Os resultados de um estudo randomizado de fase III (LBA 109) indicam que o anti PD-1 nivolumab é uma opção de tratamento eficaz para pacientes com câncer de pulmão não-pequenas células não-escamosas (CPNPC).
Os resultados de um estudo de fase I/II sugerem que o nivolumab é seguro e eficaz em câncer de fígado avançado. Com base nos resultados da fase I, oito (19%) dos 42 pacientes avaliados responderam ao anticorpo anti-PD-1 com mais de 30% de redução do tumor. Mais importante, as respostas foram duráveis e ultrapassaram 12 meses em quatro pacientes. A taxa de sobrevida global em 12 meses foi de 62%.
Na ASCO 2015, Anil D'Cruz, do Tata Memorial Hospital, vai apresentar os resultados do trabalho que investiga a extensão do esvaziamento cervical em pacientes com câncer oral (LBA3 -
Assim como acontece em colorretal, o câncer de estômago também está precisando de novas drogas. “Hoje não existe um único tratamento padrão para doença metastática de estômago. Temos alguns tratamentos aceitáveis, sempre com combinações duplas ou triplas, incluindo uma fluoropirimidina e um derivado da platina”, diz Anelisa Coutinho, presidente do Grupo Brasileiro de Tumores fastrointestinais (GTG).
Os anti-PDL1, já utilizados em alguns tipos de câncer com bons resultados, também têm sua eficácia avaliada em câncer de estômago, com resultados ainda bem preliminares. “Não temos nenhum dado concreto ainda, os anti-PD1 e anti-PDL1 ainda não são utilizados em gastrointestinal na prática clínica”, explica Anelisa Coutinho, presidente do Grupo Brasileiro de Tumores Gastrointestinais (GTG).
O estudo FOWARC (Abstract 3500 - J Clin Oncol 33, 2015) investiga se a quimioterapia com FOLFOX6 com ou sem radiação no tratamento neoadjuvante melhora a sobrevida livre de doença no câncer retal localmente avançado.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou uma atualização da sua Lista de Medicamentos Essenciais com a recomendação de 16 novos tratamentos contra o câncer. Durante a ASCO, o oncologista Gilberto Lopes (foto), do Centro Paulista de Oncologia (CPO) e um dos co-líderes da força-tarefa responsável pela Lista fará duas apresentações, uma sobre a Lista de Medicamentos Essenciais, e outra sobre acesso a tratamentos contra o câncer em países em desenvolvimento.
Ao contrário da edição passada do congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), onde os holofotes na área gastrointestinal estavam voltados para a disputa no cenário do câncer colorretal metastático, a 51a edição da ASCO traz um panorama GI diversificado, com estudos interessantes em câncer colorretal, estômago e reto. Anelisa Coutinho (foto), presidente do Grupo Brasileiro de Tumores Gastrointestinais (GTG), comenta alguns destaques da edição esse ano.