Daniela Dornelles Rosa (foto), oncologista do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, é autora sênior de revisão sistemática e meta-análise que investigou a presença de variantes raras da linha germinativa em um grupo específico de genes, com o objetivo de determinar sua possível associação com o câncer de mama HER2+. Os resultados mostram que TP53, ATM e CHEK2 foram variantes associadas à predisposição para subtipos HER2+, enquanto BRCA1, BRCA2, PALB2, RAD51C e BARD1 foram variantes associadas à predisposição para baixa expressão de HER2.

Aproximadamente 10% dos casos de câncer de mama (CM) resultam de causas hereditárias. Testes genéticos têm sido amplamente implementados no tratamento do câncer de mama para determinar síndromes de câncer hereditário e medicina personalizada. “Assim, identificar indivíduos com variantes patogênicas da linha germinativa pode ser útil para fornecer medidas profiláticas ou de triagem apropriadas para cada subtipo de câncer de mama”, propõem os autores.

Rosa e colegas buscaram avaliar variantes raras da linha germinativa em um grupo específico de genes para determinar a associação com o fenótipo de câncer de mama enriquecido com fator de crescimento epidérmico humano 2 (HER2+). O estudo de revisão sistemática e meta-análise comparou subtipos que superexpressam HER2 com outros subtipos clinicamente reconhecidos de CM.

Foram revisadas as bases de dados PubMed (MEDLINE), Scopus e EMBASE, considerando estudos originais que investigaram variantes da linha germinativa em pacientes com CM HER2+ e selecionados os estudos que relataram apenas variantes raras e/ou patogênicas da linha germinativa. A partir do status de expressão do receptor hormonal e do HER2, a análise comparou os riscos baseados em genes inicialmente nos grupos HR-HER2-, HR+HER2-, HR+HER2+ e HR-HER2+. Meta-análises separadas usando o modelo de efeitos aleatórios foram conduzidas para cada comparação entre os grupos e dentro deles para cada gene.

Os resultados foram relatados na Frontiers in Oncology e mostram que dos 36 estudos incluídos na análise, 11 forneceram  informações sobre a prevalência de variantes nos diferentes subtipos clinicamente relevantes de CM e permitiram comparações.

Variantes da linha germinativa dentro de oito genes mostraram diferenças significativas quando meta-analisadas entre os grupos de CM: BRCA1, BRCA2, TP53, ATM, CHEK2, PALB2, RAD51C e BARD1. Variantes da linha germinativa TP53, ATM e CHEK2 foram identificadas como fatores predisponentes para subtipos HER2+, enquanto as variantes BRCA1, BRCA2, PALB2, RAD51C e BARD1 foram associadas à predisposição para baixa expressão de HER2.

“Nossos achados ressaltam a conexão entre variantes da linha germinativa e expressão diferencial da proteína HER2 e subtipos de câncer de mama”, destacam os autores.

O trabalho tem como primeira autora a pesquisadora Angelica Cerveira de Baumont,  e além de Daniela Dorneles Rosa teve participação de Nathan Araujo Cadore, Luana Giongo Pedrotti, Giovana Dallaio Curzel, Jaqueline Bohrer Schuch, Marina Bessel, Cláudia Bordignon, Mahira Lopes Rosa e Gabriel de Souza Macedo, todos do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.

Esta revisão foi registrada no PROSPERO (ID: CRD42023447571).

Referência:

Front. Oncol., 23 June 2024
Sec. Breast Cancer
Volume 14 - 2024 | https://doi.org/10.3389/fonc.2024.1395970