fernando abrao 23O cirurgião torácico Fernando Abrão (foto) é autor sênior de estudo publicado no Journal of Surgical Oncology que buscou avaliar os fatores prognósticos, a sobrevida global em 5 anos e a sobrevida câncer-específica de pacientes brasileiros com câncer de pulmão de células não pequenas estágio III ressecável.

“No câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP) estágio IIIA ressecável, a cirurgia é importante no tratamento multimodal. Atualmente, percebemos que há mais espaço para uso da cirurgia nestes pacientes, com a validação de imunoterapia como opção de terapia neoadjuvante. Desta forma, é importante o conhecimento do potencial que este novo tratamento pode alcançar. Além disso, também é fundamental conhecer a sobrevida e como a mesma evoluiu ao longo dos anos no Sistema Único de Saúde que como sabemos, apresenta restrições a incorporação de novos recursos”, observa Abrão, pesquisador associado do Centro Internacional de Pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. 

No estudo, os pesquisadores avaliaram informações de pacientes extraídas de registros de câncer de 76 hospitais. A sobrevida global e a sobrevida câncer-específica (do inglês, CSS - cancer-specific survival) foram construídos usando o método Kaplan-Meier, e o teste de log-rank foi utilizado para avaliar as diferenças entre as curvas. Além disso, a regressão de Cox foi realizada para avaliar as características dos pacientes que resultaram em melhores SG e CSS. 

Resultados

No geral, foram incluídos 433 pacientes cirúrgicos de CPCNP estágio III acompanhados por mais de 19 anos. A mediana de idade foi de 61,29 ± 9,62 anos, 58,4% dos pacientes eram homens, 50,1% tinham adenocarcinoma, 29,3% carcinoma de células escamosas, 3,7% carcinoma de pulmão de grandes células e 16,9% com outros tipos de câncer de pulmão. A sobrevida global em 5 anos foi de 40% (95% IC: 30,5-49,3), e a sobrevida câncer-específica foi de 44.6 % (95% IC: 34,6–54,2), no último quinquênio completo avaliado.  Na regressão multivariada de Cox, o carcinoma de células escamosas foi associado a menor sobrevida global (hazard ratio [HR]: 1,40; 95% CI: 1,07–1,83; p=0,014) e CSS (HR: 1,56; 95% CI: 1,17–2,08; p = 0,002), em comparação com o adenocarcinoma. O quinquênio 2015–2019 teve uma redução de 50% no hazard ratio (0,49; 95% IC: 0,29–0,81; p = 0,006), e o grupo 2010–2014 teve uma redução de 40% (0,59; 95% IC: 0,42–0,83; p = 0,006) em comparação com o grupo de pacientes de 2000-2004.

“A sobrevida global e a sobrevida câncer-específica de pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas estágio III ressecável melhoraram ao longo dos últimos 19 anos no país, mas ainda estão abaixo do potencial que poderia ser alcançado.”, concluíram os autores.

Referência: Barros, MLGPd, Silva, VG, Moreira, FR, Perez, SV, Younes, RN, Abrão, FC. Five-year survival of resectable stage IIIA non-small cell lung cancer in Brazil. J Surg Oncol. 2023; 1- 10. doi:10.1002/jso.27394