Dados apresentados no ESMO Gynaecological Cancers Congress 2024 por Susana Banerjee (foto), do  Royal Marsdem Hospital,  apoiam o conjugado anticorpo-fármaco mirvetuximab soravtansina como padrão de tratamento no câncer de ovário resistente à platina em pacientes com expressão do receptor alfa de folato (FRα).  O novo agente aumentou a sobrevida livre de progressão, sobrevida global e taxa de resposta nesses pacientes em relação à quimioterapia, corroborando a eficácia e segurança do conjugado mesmo com reduções, atrasos ou interrupções de dose.

Mirvetuximab soravtansina (MIRV) é um conjugado anticorpo-fármaco (ADC, na sigla em inglês) direcionado ao receptor alfa de folato (FRa). Dados já relatados demonstraram  ganho  na sobrevida livre de progressão (SLP), taxa de resposta global (ORR) e sobrevida global (SG) em pacientes com câncer de ovário seroso de alto grau em comparação com quimioterapia de escolha do investigador (Moore K et al. N Engl J Med

2023;389:2162-74). No congresso europeu, foram apresentados dados de segurança e eficácia do ensaio MIRASOL (GOG 3045/ENGOTov55) em pacientes que receberam modificações de dose, definidas como atrasos, reduções ou interrupções de dose.

A base de análise incluiu 453 pacientes com câncer de ovário resistente à platina com alta expressão de FRa (VENTANA FOLR1 [FOLR1-2.1] RxDx Assay) que receberam até 3 terapias anteriores. Os pacientes foram randomizados 1:1 para MIRV 6 mg/kg, peso corporal ideal ajustado no Dia 1 de um ciclo de 21 dias, ou quimioterapia de escolha do investigador (ICC): paclitaxel, doxorrubicina lipossomal peguilada ou topotecano. O endpoint primário de eficácia foi SLP avaliada pelo investigador; endpoints secundários envolveram ORR, SG e resultados relatados pelo paciente em ordem hierárquica; outros desfechos incluíram segurança, tolerabilidade e duração da resposta.

Resultados

No corte de dados em 6 de março de 2023, 124 (57%) pacientes no braço MIRV e 114 (55%) pacientes no braço ICC receberam modificações de dose. A idade mediana foi de 63 anos para MIRV e de 64 anos para ICC. No braço MIRV, 36% tinham bevacizumabe anterior vs. 45% no braço ICC e 55% tinham PARPi anterior vs. 59% no braço ICC. A razão de risco (HR) para SLP foi de 0,58 (0,43, 0,78), enquanto o HR SG foi de 0,45 (0,30, 0,69), favorecendo MIRV, e a taxa de resposta global  foi de 59,7% para MIRV vs. 26,3% para ICC.

Comparado com ICC, os pesquisadores destacam que os pacientes em MIRV foram associados a menores taxas de EAs emergentes do tratamento de grau 3+ (53% vs 72%) e EAs graves (24% vs 39%). Descontinuações do tratamento ocorreram em 12 (10%) pacientes no braço MIRV vs. 25 (22%) no ICC. Eventos adversos oculares, gastrointestinais e neurossensoriais foram comparáveis à população com intenção de tratar nos respectivos braços de tratamento.

“As modificações de dose ocorreram em taxas semelhantes em ambos os braços de tratamento. MIRV demonstrou SG mais prolongada e maior taxa de resposta global versus quimioterapia de escolha do investigador em pacientes com modificações de dose. Os dados de eficácia e o perfil de segurança bem caracterizado apoiam MIRV como o padrão de tratamento para pacientes com câncer de ovário resistente à platina positivo para FRα”, concluem os pesquisadores.

Referência

Abstract 44O - Safety and efficacy results in patients who received dose modifications in the phase III MIRASOL (GOG 3045/ENGOTov55) trial of mirvetuximab soravtansine vs investigator’s choice chemotherapy (ICC) in platinum-resistant ovarian cancer (PROC) with high folate receptor-alpha expression

S. Banerjee1, T. Van Gorp2 , G.E. Konecny3 , S. Mervoyer Becourt4 , A.D. Santin5 , F. Galvez Montosa6 , G. Mantia-Smaldone7 , P. Scollo8 , G. Parma9 , J. Thomes Pepin10, D. Klasa-Mazurkiewicz11, I.A. Boere12, T. Levy13, C.A. Leath III14, T. Piatnytska15, J-W. Lee16, Y. Wang17, M. Method18, K.N. Moore