O sexo e o gênero são moduladores da saúde e doença e podem ter impacto na distribuição do tratamento e na sobrevida dos pacientes com câncer. Estudo que analisou o impacto do sexo e gênero no tratamento e na sobrevida global em pacientes com câncer de pâncreas em estágio I-III mostrou disparidades importantes, indicando que na comparação com homens, as mulheres receberam menos quimioterapia sistêmica e tiveram pior sobrevida global.

Neste estudo, pacientes com câncer de pâncreas em estágio I-III diagnosticados entre 2015 e 2020 foram selecionados no Registro Nacional de Câncer da Holanda. As associações entre sexo e gênero e a probabilidade de receber tratamento cirúrgico e/ou sistêmico foram examinadas com análises de regressão logística multivariável. A sobrevida global foi avaliada com teste log rank e análise multivariável de risco proporcional de Cox.

Os resultados relatados por Gehrels et al. mostram que entre 6.855 pacientes, 51,2% eram do sexo feminino. Análises de regressão logística multivariável com ajuste para fatores de confusão conhecidos (idade, status de desempenho, comorbidades, localização do tumor, estágio do tumor e malignidades prévias) revelaram que as mulheres receberam menos quimioterapia sistêmica em comparação aos homens (OR 0,799, IC 95% 0,703-0,909, p< 0,001). Não foi encontrada diferença na probabilidade de ressecção cirúrgica. Além disso, as mulheres tiveram pior sobrevida global em comparação aos homens (SG mediana 8,5 e 9,2 meses, respectivamente, IC 95% 8,669-9,731).

“Este estudo nacional descobriu que pacientes do sexo feminino com câncer de pâncreas em estágio I-III receberam tratamento sistêmico com frequência significativamente menor e tiveram pior sobrevida global em comparação aos homens. As disparidades no tratamento do câncer de pâncreas podem ser diminuídas reconhecendo e resolvendo possíveis obstáculos ou preconceitos na tomada de decisões sobre o tratamento”, concluem os autores.

Referência:

Published: May 14, 2024 DOI:https://doi.org/10.1016/j.ejca.2024.114117