muniz ribeiro 2023Estudo publicado no Journal of Neuro-Oncology avaliou os resultados e padrões de toxicidade em pacientes com metástases cerebrais de melanoma tratados com radiocirurgia estereotática com ou sem imunoterapia. “O risco de hemorragia intralesional sintomática subsequente excede o de radionecrose”, observaram os autores, em artigo com participação dos oncologistas brasileiros Thiago Muniz (na foto, à esquerda) e Mauricio Ribeiro.

A partir de um registro prospectivo, os autores revisaram pacientes com metástases cerebrais de melanoma (do inglês, MBM - melanoma brain metastases) tratados com radiocirurgia estereotática (SRS) Gamma Knife de fração única entre 2008 e 2021 no Princess Margaret Cancer Centre, Toronto, Canadá. Foram registradas todas as terapias sistêmicas (quimioterapia, terapia-alvo ou imunoterapia) administradas antes, durante ou após a radiocirurgia estereotática. Foram excluídos pacientes com cirurgia cerebral prévia.

Os pesquisadores analisaram eventos adversos após SRS, incluindo hemorragia intralesional (IH), necrose por radiação (RN) e progressao da lesão tratada – falha local (LF), bem como o status de doença extracraniana. Falha cerebral à distância (DBF), sobrevida livre de progressão extracraniana (SLP) e sobrevida global (SG) foram determinadas usando uma função de incidência cumulativa e o método de Kaplan-Meier.

Resultados

A análise incluiu 165 pacientes com 570 metástases cerebrais de melanoma tratados com radiocirurgia estereotática. A mediana de sobrevida global para pacientes que receberam imunoterapia foi de 1,41 anos versus 0,79 anos em pacientes que não receberam (p = 0,04). A monoterapia com ipilimumabe foi o regime de imunoterapia mais frequente (30%). Na ausência de imunoterapia, a incidência cumulativa de radionecrose sintomática (grau 2 +) foi de 3% aos 24 meses e permaneceu inalterada em relação ao tipo ou momento da imunoterapia.

A incidência de hemorragia intralesional grau 2+ após a radiocirurgia estereotática em pacientes que não receberam terapia sistêmica foi de 19% em 1 e 2 anos, em comparação com 7% em 1 e 2 anos entre os pacientes que receberam (HR: 0,33, 95% CI 0,11– 0,98; p = 0,046). No geral, nem o momento nem o tipo de imunoterapia se correlacionaram com as taxas de falha cerebral à distância, sobrevida global ou falha local. Entre os pacientes tratados com imunoterapia, a mediana de tempo para sobrevida livre de progressão extracraniana foi de 5,4 meses (95% CI 3,2 – 9,1).

“O risco de hemorragia intralesional grau 2+ excedeu o de necrose por radiação g2+ em pacientes com metástases cerebrais de melanoma submetidos a radiocirurgia estereotática, com ou sem imunoterapia. A hemorragia intralesional deve ser considerada um evento adverso crítico após tratamentos para metástases cerebrais de melanoma”, destacam os autores.

“Esse estudo aborda uma questão importante no manejo de pacientes com melanoma metastático para o sistema nervoso central: qual o risco de radionecrose e hemorragia intracerebral ao se combinar imunoterapia com SRS? Os resultados sugerem que o risco de eventos sintomáticos é baixo e não é aumentado pela administração concomitante de inibidores de checkpoint imune. São dados importantes para a prática clínica e para o manejo destes pacientes de alto risco”, concluem.

Referência: Jablonska, P.A., Muniz, T., Ribeiro, M. et al. Toxicity and outcomes of melanoma brain metastases treated with stereotactic radiosurgery: the risk of subsequent symptomatic intralesional hemorrhage exceeds that of radiation necrosis. J Neurooncol (2023). https://doi.org/10.1007/s11060-023-04404-5