A agência Norte americana Food and Drug Administration (FDA) aprovou durvalumabe (Imfinzi®, Astrazeneca) em combinação com carboplatina mais paclitaxel seguido de durvalumabe como agente único para pacientes adultas com câncer de endométrio primário avançado ou recorrente com deficiência de reparo de incompatibilidade (dMMR). A decisão é baseada nos resultados do ensaio clínico de Fase 3 DUO-E.

O estudo de Fase 3 DUO-E (NCT04269200), randomizado, multicêntrico, duplo-cego e controlado por placebo, incluiu pacientes com câncer endometrial primário avançado ou recorrente, estratificadas por imunohistoquímica do tecido tumoral e randomizadas 1:1:1 para um dos três grupos de tratamento: durvalumabe com carboplatina mais paclitaxel, placebo com carboplatina e paclitaxel ou um regime de combinação experimental adicional.

No braço 1, 235 pacientes receberam durvalumabe 1.120 mg com carboplatina mais paclitaxel a cada três semanas por no máximo seis semanas. Após o término da quimioterapia, os pacientes receberam terapia de manutenção com durvalumabe 1.500 mg a cada quatro semanas até a progressão da doença.

O endpoint primário foi a sobrevida livre de progressão (SLP) determinada pela avaliação do investigador utilizando os critérios RECIST v1.1.

Os resultados demonstraram uma melhora estatisticamente significativa na SLP entre pacientes tratados com durvalumabe combinado com carboplatina e paclitaxel em comparação com participantes que receberam apenas carboplatina e paclitaxel. No entanto, uma análise exploratória do status do reparo de incompatibilidade tumoral (do inglês, MMR - mismatch repair) mostrou que esta melhoria foi em grande parte o resultado do benefício entre pacientes com tumores com deficiência no reparo de incompatibilidade (dMMR).

Entre 95 pacientes com tumores dMMR, a mediana de SLP foi não alcançada (NR) (95% CI, NR-NR) no grupo durvalumabe versus 7 meses (95% CI, 6,7–14,8 meses) no grupo placebo (razão de risco, 0,42; 95% CI, 0,22–0,80). Os dados de sobrevida global não estavam maduros no momento da análise da SLP.

Os eventos adversos mais comuns, que ocorreram em pelo menos 25% dos pacientes no grupo de combinação de durvalumabe, foram neuropatia periférica, dor musculoesquelética, náusea, alopecia, fadiga, dor abdominal, constipação, rash cutâneo, diarreia, vômito e tosse.

Para pacientes com peso igual ou superior a 30 kg, a dose recomendada de durvalumabe é de 1.120 mg administrada com carboplatina e paclitaxel a cada três semanas durante seis ciclos, seguida de 1.500 mg de durvalumabe isolado a cada quatro semanas. Para pacientes com peso inferior a 30 kg, a dose recomendada é de 15 mg/kg com carboplatina e paclitaxel a cada três semanas durante seis ciclos, seguida de 20 mg/kg de durvalumabe isolado a cada quatro semanas.