RAFAEL MELANOMA 2018 NET OKOs destaques da ASCO 2018 em melanoma são tema da análise do oncologista Rafael Schmerling (foto), médico da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo e membro do Grupo Brasileiro de Melanoma (GBM).

 

Após diversos anos com novidades no tratamento do melanoma, este congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica foi uma oportunidade para a acomodação dos dados que vinham surgindo. No cenário da cirurgia, tivemos a atualização do estudo alemão DECOG-SLT que avaliou o papel da dissecção linfonodal complementar em pacientes que tivessem comprometimento linfonodal detectado pelo linfonodo sentinela. Com 373 pacientes incluídos e um seguimento mediano de 72 meses, as conclusões iniciais se repetiram: pacientes que se submeteram à dissecção nodal complementar tiveram menor taxa de recidivas linfonodais (11% vs 16%), mas não tiveram melhor sobrevida global ou mesmo sobrevida livre de doença metastática.

A discussão da doença precoce também envolveu uma análise da 8ª edição do estadiamento pela AJCC. Nesta, a incorporação de critérios prognósticos na avaliação do linfonodo sentinela otimizou a avaliação de risco de morte dos pacientes, o que se considera útil na tomada de decisão. 

No que diz respeito a tratamento adjuvante, tivemos a atualização do estudo que comparou nivolumabe e ipilimumabe. Os resultados mostram que o ganho de sobrevida livre de doença persiste com HR 0,66 (p<0,0001) e, ainda que não tenhamos dados de sobrevida global, já se observa ganho significativo em sobrevida livre de doença metastática (HR 0,76; p=0,034).

No campo da doença metastática, tivemos duas atualizações. No KEYNOTE-006, com 4 anos de seguimento, observamos 44% de pacientes vivos em 4 anos e 36% estavam vivos e sem progressão ao fim de 3 anos. Dentre os que atingiram 2 anos de tratamento, 86% estavam vivos e sem progressão após 2 anos. Esta atualização reforça o caráter de longa duração do benefício da imunoterapia em pacientes com melanoma metastático.

O estudo COLUMBUS (encorafenibe/binimetinibe vs encorafenibe vs vemurafenibe)

também foi atualizado. Mais uma vez, a combinação de inibidores de BRAF e MEK superou o uso de inibidores de BRAF isoladamente em todos os parâmetros avaliados. O que chamou atenção neste estudo foi a magnitude do ganho da combinação frente a vemurafenibe (HR 0,51), superior a todas as outras comparações com vemurafenibe ou dabrafenibe isolados. Mesmo a comparação de encorafenibe e vemurafenibe mostrou a melhor eficácia do novo inibidor de BRAF. Esta nova combinação se mostra promissora como alternativa no tratamento de pacientes com melanoma metastático e mutação do BRAF.

Ainda que não tenha havido novidades, as atualizações e análises dos dados antigos são de grande importância para entendermos se as conclusões tomadas inicialmente são válidas e se existe alguma necessidade de rever nossas condutas. Por ora, mantemos o que vem sendo feito.