Renal_2_NET_OK.jpgEntre pacientes com câncer de rim avançado que interromperam precocemente a imunoterapia anti PD1/PD-L1 devido a efeitos colaterais, 42% tiveram uma resposta duradoura, o que significa que foram capazes de permanecer fora da terapia sistêmica adicional por 6 meses ou mais. O estudo será apresentado no próximo 2017 Genitourinary Cancers Symposium, que acontece entre os dias 16 e 18 de fevereiro em Orlando, Flórida.

Segundo os autores, embora haja dados anedóticos anteriores, este é o primeiro estudo sistemático a avaliar os resultados de pacientes com carcinoma de células renais metastático (CCR) que interrompem a terapia com inibidores de checkpoint imunológico PD-1 / PD-L1 devido a efeitos colaterais imuno-relacionados.
 
"Este estudo é uma boa notícia para os pacientes que são incapazes de continuar a imunoterapia por conta de efeitos adversos", disse o especialista da ASCO Sumanta Pal. "É reconfortante ver que alguns pacientes podem continuar a se beneficiar da imunoterapia mesmo quando precisam interromper o tratamento. Embora seja necessário um acompanhamento de longo prazo dos pacientes, esses achados põem em questão o padrão atual de tratamento contínuo e ajuda a aliviar as preocupações de alguns pacientes sobre o impacto da interrupção da imunoterapia", acrescentou.
 
O estudo
 
A análise incluiu uma coorte internacional conduzida por Harvard de 19 pacientes com câncer de rim avançado (carcinoma de células renais metastático) que responderam à terapia de checkpoint imunológico. A maioria (63%) recebeu terapia PD-1/PD-L1 como tratamento isolado; 37% receberam inibidores PD-1/PD-L1 em combinação com outros tratamentos sistêmicos.
 
O tempo médio de imunoterapia foi de 5,5 meses. Todos os pacientes interromperam o tratamento precocemente devido a efeitos adversos imuno-relacionados, como dor nas articulações; problemas oculares; inflamação na glândula pituitária, músculos, coração, fígado, pâncreas, rim ou pulmão; e diarreia. As características clínicas, resposta e dados de sobrevida foram coletados.
 
Enquanto em quatro pacientes o câncer se agravou imediatamente após a interrupção do tratamento, oito pacientes (42%) tiveram uma resposta durável e permaneceram fora de qualquer terapia adicional durante pelo menos seis meses a partir do momento da interrupção do tratamento.
 
Embora essas descobertas sejam novas e convincentes, a população do estudo era pequena. Os pesquisadores esperam incluir mais pacientes em análises futuras para descobrir quais características clínicas estão associadas a uma resposta duradoura à imunoterapia.
 
"Este é um estudo pequeno, e nossos achados precisam ser validados em um grupo maior de pacientes. Apesar disso, os resultados indicam que em alguns casos a imunoterapia pode ter benefícios duradouros, mesmo após a interrupção do tratamento", disse Rana R. McKay, principal autora do estudo, professora assistente de medicina da Universidade da Califórnia.
 
O estudo foi financiado pelo Dana-Farber/Harvard Cancer Center Kidney SPORE, Trust Family, Michael Brigham, e Loker Pin.
 
Referência: Abstr 467:Outcomes of PD-1/PD-L1 responders who discontinue therapy for immune-related adverse events (irAEs): Results of a cohort of patients (pts) with metastatic renal cell carcinoma (mRCC) - Rana R. McKay et al -  J Clin Oncol 35, 2017 (suppl 6S; abstract 467)

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