NelsonH_Baixa.jpgAdicionar bevacizumabe à quimioimunoterapia de primeira linha com pentostatina, ciclofosfamida e rituximab (PCR) pode ser eficaz para o tratamento de pacientes com leucemia linfocítica crônica (LLC). No entanto, a combinação está associada com maior cardiotoxicidade, como apontam os resultados do estudo apresentado na AACR 2016.
“Creio que este estudo deva ser visto com reservas, principalmente no Brasil onde não temos Pentostatina”, afirma Nelson Hamerschlak (foto), coordenador do Programa de Hematologia e Transplantes de Medula Óssea do Hospital Israelita Albert Einstein.

O especialista explica que mesmo em outros países, o padrão de tratamento é um análogo da pentostatina, a fludarabina, junto com ciclofosfamida e rituximab. “Não creio que na vigência de tantos bons medicamentos como anticorpos monoclonais novos, anti bcl-2 e medicamentos que atuam nas vias de sinalização da célula B haverá espaço para uma combinação como esta”, acrescenta.
 
Os pesquisadores investigaram se o uso do antiangiogênico poderia melhorar a eficácia da atual estratégia de tratamento. Embora a quimioimunoterapia de primeira linha tenha melhorado significativamente a taxa de remissão completa para pacientes com LLC, a recidiva continua a ocorrer com frequência.
 
O estudo de fase 2 selecionou 62 pacientes sem tratamento prévio, randomizados em dois grupos para receber o esquema padrão (PCR) versus o esquema padrão + bevacizumabe (PCR-B).
 
Os resultados mostraram que 50% dos pacientes que receberam PCR-B alcançaram a remissão completa em comparação com 33% do grupo que recebeu PCR isoladamente (P = 0,21). Os pacientes tratados com bevacizumabe também tiveram ganhos na mediana de sobrevida livre de progressão (P = 0,04) e sobrevida livre de tratamento (P = 0,05).
 
No entanto, a toxicidade cardiovascular grau 3-4 foi verificada em 34% dos pacientes do grupo de bevacizumabe, particularmente hipertensão, em comparação com 0% dos doentes no grupo de PCR (P <0,001).
 
Referência: The addition of bevacizumab to chemoimmunotherapy prolongs progression-free survival in patients with chronic lymphocytic leukemia (CLL) through modulation of the microenvironment. Poster presentation at: AACR Annual Meeting 2016; April 16-20, 2016; New Orleans, LA. - Strati P, Shanafelt TD, Laplant B, et al.
 
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