Homens com câncer de próstata com risco intermediário tratados com radioterapia combinada com hormonioterapia de curta duração têm ganhos de sobrevida, de acordo com os resultados de uma nova pesquisa divulgada na ESTRO este ano. 

Nota5_ESTRO_Michel_Bolla_OK.jpgMichel Bolla (foto), professor de oncologia do Hospital Universitário de Grenoble, França, apresentou em Viena os resultados favoráveis do estudo que associou seis meses de hormonioterapia à radioterapia conformacional tridimensional, de intensidade modulada ou não, como tratamento para esse perfil de pacientes. “O impacto na sobrevida global deve ser levado em conta na prática clínica diária”, recomendou.

A investigação envolveu 37 centros de pesquisa, em 14 países. Foram recrutados 819 pacientes com tumor localizado, com risco intermediário de progressão de acordo com análises de amostras de biópsia e níveis de antígeno prostático específico (PSA). Eles foram randomizados para receber radioterapia isoladamente ou radioterapia associada ao uso de análogos de LHRH de uso injetável, com duração de três meses, precedido de bicalutamida (50 mg/dia) por 15 dias antes da primeira injeção. Para o tratamento radioterápico, os médicos poderiam optar por uma das três doses de irradiação, 70, 74 ou 78 Grays (Gy).

Os pacientes foram acompanhados em média por 7,2 anos e nesse seguimento os 403 pacientes tratados de forma combinada com radioterapia e tratamento hormonal foram significativamente menos propensos à progressão do câncer, com quase metade (47%) do risco de progressão bioquímica em relação aos 407 homens tratados com radioterapia isolada.

No grupo de tratamento combinado , 17,5% recorreram da doença, versus 30,7% dos homens do braço da radioterapia isoladamente. Após cinco anos de seguimento, a progressão clínica comprovada por biópsias e imagens mostrou que 88,7 % dos homens no grupo de tratamento combinado não tinha progredido, em comparação com 80,8 % dos homens que receberam apenas radioterapia.(ESTRO, Abstract O-0522).