
Oncologia GU, da pesquisa à assistência

Sem grandes novidades, o ano foi de consolidação de conceitos. Dois grandes estudos de Fase III que avaliaram monoterapia com olaparibe em pacientes com câncer de ovário com mutação BRCA (SOLO1 e SOLO2) reforçaram evidências de eficácia e segurança deste inibidor de PARP, inclusive em pacientes com câncer peritoneal primário e / ou das trompas de falópio. O ano também consolidou evidências do impacto da vacina contra HPV na redução do risco de câncer do colo do útero invasivo.
Em ano de bons resultados, a oncologia torácica continua em clima de entusiasmo. 2020 confirmou evidências, como apontam dados da análise exploratória do estudo de Fase III (ADAURA) com osimertinibe adjuvante em pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas (CPCNP) com mutação EGFR. Dados do ensaio de Fase III (CASPIAN) com durvalumabe no câncer de pulmão pequenas células (CPPC) também estão entre os highlights do ano, assim como os resultado finais do estudo LungArt.
O ensaio randomizado de Fase II (DESTINY-Gastric01)1 está entre os destaques de 2020 no panorama GI-não colorretal, ao lado de avanços importantes no tratamento de GIST e em tumores neuroendócrinos. Em tumores colorretais, estudos já consagrados voltaram a ocupar a agenda científica, como o estudo colaborativo IDEA, o ensaio BEACON CRC e o também Fase III PRODIGE, em ano que confirmou tendências e corroborou evidências.
A oncologia mamária reforçou tendências e renovou apostas na medicina de precisão, em ano que marca a aprovação do FDA de sacituzumabe govitecan-hziy1, o primeiro anticorpo droga-conjugado no câncer de mama triplo negativo metastático, também o primeiro a ter como alvo o antígeno Trop-2. No câncer de mama inicial HER2+, 2020 consolidou o foco na desintensificação de tratamento e pelo menos três estudos destacados na agenda científica anual (PHERGAIN2, ADAPT-TP3 e RxPonder4) confirmam que é possível avançar na seleção de pacientes que podem ser poupados de tratamento, tanto na adjuvância quanto no cenário neoadjuvante.
Com mais de 130 mil participantes de 150 países, o congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO) reuniu 2137 abstracts selecionados para apresentação, incluindo 87 Late Breaking Abstracts, com 12 publicações simultâneas. E ao lado dos números superlativos, o ESMO Virtual Congress 2020 sinalizou tendências e destacou estudos com impacto na prática clínica.
Stephanie Annett, pesquisadora do departamento de terapia celular e molecular do Royal College of Surgeons da Irlanda, é autora de artigo que discute o modelo de pesquisa e desenvolvimento das farmacêuticas, drogas de alto custo e o papel do financiamento público. O assunto nunca esteve tão atual, agora que a Anvisa aprovou no Brasil o registro do medicamento mais caro do mundo, o Zolgensma, da Novartis, com indicação pediátrica para atrofia muscular espinhal1.
O Ministério da Saúde autorizou a telemedicina em todo território nacional através de Portaria publicada 23 de março, poucos dias depois de ofício do Conselho Federal de Medicina (CFM) reconhecer a telemedicina no País. Em princípio, a decisão veio para fazer frente à pandemia, mas muita gente acredita que é um caminho sem volta. Para além dos desafios da COVID-19, prática pode ganhar importância em um país continental que vive os complexos desafios de um sistema universal de saúde.
Em 2019, estudos que tiveram impacto na prática clínica da oncologia geniturinária (GU) e reforçaram evidências no ambiente de pesquisa clínica estão entre os top 10 do panorama GU.
Estudos em pâncreas, colorretal e junção gástrica ou gastroesofágica estão entre os destaques do panorama GI publicados em 2019. Confira a análise do Grupo Brasileiro de Tumores Gastrintestinais (GTG).
Os estudos em câncer de cabeça e pescoço publicados em 2019 que tiveram impacto na prática clínica são tema de artigo do Grupo Brasileiro de câncer de Cabeça e Pescoço (GBCP). Quimioterapia de indução nos tumores de nasofaringe, desintensificação de tratamento dos tumores de orofaringe HPV-positivo e imunoterapia em primeira linha no carcinoma epidermoide de cabeça e pescoço recidivado ou metastático estão entre os destaques.
Em 2019, a oncologia de precisão rompeu mais uma barreira: o tratamento alvo-molecular direcionado à mutação KRASG12C. Confira a análise do oncologista André Murad (foto), Diretor Científico do Grupo Brasileiro de Oncologia de Precisão (GBOP).
Em 2019, diversos estudos impactaram a compreensão das neoplasias ginecológicas e suas conduções clínicas. Confira a análise do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA/GBTG) sobre os destaques do ano na oncoginecologia.
Sancionada pelo Governo Federal, a Lei 13.986, de 2019, obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a realizar exames diagnósticos em pacientes com suspeita de câncer em até 30 dias a partir da solicitação de um médico responsável. Apesar da agilidade ser necessária, falta uma proposta orçamentária específica para que a lei se torne efetiva.
Há uma percepção positiva geral do primeiro biossimilar oncológico de trastuzumabe no Brasil, que vem principalmente de clínicas particulares. Em 16 meses, mais de 2 mil pacientes foram tratados com trastuzumabe biossimilar da Libbs, em 400 hospitais e clínicas.
Ensaios clínicos randomizados mostram que instituir precocemente cuidados paliativos traz benefícios, melhora a qualidade de vida e até prolonga a sobrevida. Mas nem argumentos como esses parecem vencer o estigma e a desinformação. Afinal, como avançar na oferta de cuidados paliativos na assistência oncológica?
Ao descrever os 10 anos de atividades, Consórcio do Microbioma Humano corrobora associação entre microbiota e resposta terapêutica e pede mais atenção ao papel da genética do hospedeiro.
Com a participação de 200 pesquisadores, de 80 universidades e instituições científicas, Consórcio avança na compreensão do microbioma como nova fronteira na pesquisa e tratamento do câncer.
O ano de 2018 trouxe diversas novidades no tratamento do câncer de mama. Em artigo, a oncologista Daniela Dornelles Rosa (foto), médica do Hospital Moinhos de Vento,em Porto Alegre, e presidente do Grupo Brasileiro de Estudos em Câncer de Mama (GBECAM/LACOG), comenta os estudos mais importantes, em diversos cenários.
O ano de 2018 surpreendeu a oncoginecologia com avanços significativos no tratamento sistêmico do carcinoma epitelial de ovário (CEO), alerta de cautela com algumas incorporações recentes na arena cirúrgica e o reaquecimento das discussões sobre HIPEC. Confira a análise dos médicos Angélica Nogueira-Rodrigues e Glauco Baiocchi Neto (foto), do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA/GBTG).
Entre os estudos em câncer de cabeça e pescoço apresentados e publicados em 2018, dois tópicos chamaram a atenção: de-intensificação de tratamento nos pacientes com câncer de orofaringe HPV positivo e imunoterapia. Confira os trabalhos mais importantes, na opinião do médicos Aline Lauda Freitas Chaves e Thiago Bueno de Oliveira, do Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço.