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AtualizadoTer, 03 Ago 2021 4pm

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Daichii Sankyo

Overdiagnosis e overtreatment no câncer

ASCO_prostata_1.jpgOs programas de rastreamento têm como base a ideia de privilegiar a detecção precoce, antes da apresentação de sintomas clínicos, quando o tratamento contra o câncer tem mais chances de ser bem sucedido. Infelizmente, às vezes a triagem pode levar à descoberta de lesões que não apresentariam evolução. É nesses casos que o tratamento agressivo abre espaço para críticas de overdiagnosis e overtreatment.

Em artigo publicado na edição de julho do periódico The Lancet (vol 15,nº 8), o patologista Elliott Foucar, da University of New Mexico School of Medicine, Estados Unidos, traz uma reflexão sobre um relatório que propõe revolucionar o debate, defendendo um caminho viável para reformar a terminologia de diagnóstico utilizada em patologia. No trabalho,Laura Esserman, da Universidade da Califórnia, e colegas,afirmam que a triagem das biópsias foi alterada, mas o padrão-ouro tradicional da opinião dos patologistas não se adaptou.

Os danos causados pelo excesso de diagnóstico de câncer a partir dos laudos dos patologistas está sendo discutido e é reconhecidamente um problema grave. No entanto, Foucar destaca que é importante estar consciente do perigo de aumentar o subdiagnóstico.

Panorama brasileiro

No Brasil, o desafio principal ainda é fazer o diagnóstico precoce, principalmente em determinadas regiões do país. “Aqui no Brasil temos tanto o sobrediagnóstico como o atraso no diagnóstico. Em alguns lugares existe o medo ou o preconceito de ir ao médico”, afirma o urologista Cláudio Murta,coordenador do Centro de Referência em Saúde do Homem, em São Paulo. Na prática, muitos pacientes são tratados para uma doença de bom prognóstico, enquanto outros só chegam com o estadio avançado da doença.

Murta explica que no Centro de Referência em Saúde do Homem, a política é tentar oferecer o tratamento apenas aos pacientes que têm doença com prognóstico intermediário ou ruim. “Para os pacientes de bom prognóstico nós tentamos fazer inicialmente um tratamento com vigilância ativa, ainda pouco difundida”, diz . Ele acrescenta que a questão cultural é determinante para o overtreatment no país. “O brasileiro não aceita saber que tem um câncer e não fazer nada”. Mesmo nos Estados Unidos, onde os pacientes costumam ser mais atentos à informação científica, 86% dos pacientes com doença de baixo risco, que poderiam realizar o acompanhamento ativo, optam por fazer o tratamento curativo. Ou seja, será que melhor informados, os brasileiros optariam por fazer o acompanhamento ativo? “Essa é uma resposta que ainda não temos”, diz Murta.

Referências: http://www.thelancet.com/journals/lanonc/article/PIIS1470-2045(14)70247-5/fulltext

Page DL, Simpson JF, Jensen RA. Re: Whenandtowhatend do pathologistsdisagree?. J NatlCancerInst 1998; 90: 1014-1016.

Esserman LJ, Thompson IM, Reid B, et al. Addressingoverdiagnosisandovertreatment in cancer: a prescription for change.LancetOncol 2014; 15: e234-e242.
 


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