28112021Dom
AtualizadoSáb, 27 Nov 2021 11pm

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Daichii Sankyo

Resultados perinatais da primeira gravidez após quimioterapia para neoplasia trofoblástica gestacional

braga madi 2021Revisão sistemática de estudos observacionais e meta-análise publicada no American Journal of Obstetrics and Gynecology (AJOG) buscou avaliar os resultados perinatais da primeira gestação após remissão da neoplasia trofoblástica gestacional, bem como o impacto do tempo entre o final da quimioterapia e a gravidez subsequente. Antonio Braga (na foto, à direita), Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade Federal Fluminense, é coautor do trabalho que tem o ginecologista José Mauro Madi como primeiro autor.

“Existem resultados conflitantes na literatura sobre o resultado perinatal da primeira gravidez após neoplasia trofoblástica gestacional (NTG), especialmente quando essas gestações ocorrem mais de 6 ou 12 meses após o término da quimioterapia”, destacam os autores.

Os pesquisadores utilizaram dados do Medical Subject Headings relacionados a resultados perinatais, quimioterapia e neoplasia trofoblástica gestacional (NTG), isolados ou em combinação, para recuperar artigos relevantes. Os autores pesquisaram a EMBASE, LILACS, MEDLINE, Cochrane CENTRAL e Web of Science até abril de 2019.

Foram incluídos quaisquer estudos observacionais ou de intervenção que avaliassem os resultados perinatais da primeira gravidez após a quimioterapia para neoplasia trofoblástica gestacional. Os autores excluíram estudos em animais, revisões narrativas, opiniões de especialistas e tratamentos anteriores com potenciais riscos para resultados perinatais futuros que podem representar viés de confusão.

Dois revisores realizaram uma triagem independente de todas as referências identificadas para elegibilidade e extração de dados. A qualidade metodológica e o viés dos estudos incluídos foram avaliados usando a Ferramenta de avaliação da qualidade para estudos observacionais e transversais do National Institutes of Health. Para a meta-análise, as medidas de associação foram calculadas usando modelos de efeitos aleatórios bivariados.

A heterogeneidade estatística foi avaliada com a estatística I2 e explorada por meio de análise de sensibilidade. O viés de publicação foi avaliado por inspeção visual do funnel plot ou teste de Egger, de acordo com o número de artigos incluídos. Para todas as análises, um valor de p <0,05 indicou significância estatística. O estudo está registrado no PROSPERO (CRD42018116513). 

Resultados

Após a busca na literatura, foram identificados 763 estudos e 23 estudos originais foram incluídos na revisão sistemática e meta-análise. Os dados combinados da meta-análise do subgrupo (resultado versus tempo após a quimioterapia) mostraram uma incidência de 15,28% de abortamento espontâneo (95% CI: 12,37-18,74, I2 = 73%), 3,30% de malformação (95% CI: 2,27 -4,79, I2 = 31%), 6,19% de prematuridade (95% CI: 5,03-7,59, I2 = 0) e 1,73% de natimortos (95% CI: 1,17-2,55, I2 = 0%).

Esses resultados não foram influenciados pelo tempo entre o término da quimioterapia e a gestação subsequente nos diferentes desfechos estudados: malformação (p = 0,14, I2 = 31%), prematuridade (p = 0,46, I2 = 0) e natimorto (p = 0,66, I2 = 0), exceto para o abortamento espontâneo (p <0,01, I2 = 73%), com maior ocorrência em casos de gravidez no período de 6 meses ou menos após a quimioterapia. 

“Embora a quimioterapia não tenha alterado a ocorrência de anomalias congênitas, prematuridade ou natimorto em gestações após NTG quando comparada à população em geral, observamos uma maior incidência de abortamento espontâneo quando a gravidez ocorre seis meses ou menos após a quimioterapia”, observam os autores. “Postergar a gravidez, ao menos por 12 meses após o término da quimioterapia, é fundamental não apenas para a detecção precoce da NTG recidivante, como também para antecipar um melhor desempenho reprodutivo”, concluem.

Referência: Madi JM, Paganella MP, Litvin IE, Viggiano M, Wendland EM, Elias KM, Horowitz NS, Braga A, Berkowitz RS, Perinatal outcomes of first pregnancy after chemotherapy for gestational trophoblastic neoplasia: a systematic review of observational studies and meta-analysis, American Journal of Obstetrics and Gynecology (2021), doi: https://doi.org/10.1016/j.ajog.2021.10.004.


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