12062021Sáb
AtualizadoQui, 10 Jun 2021 9pm

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Daichii Sankyo

Avanços na pesquisa em câncer, promessa ou realidade?

ON22 PG6 PESQUISA 2 BXEditorial publicado na edição de fevereiro do Annals of Oncology (vol. 32, nº2, p136-138) faz um alerta importante a oncologistas, pesquisadores e formuladores de políticas. “Nossos resultados sugerem que as alegações de grandes descobertas estão associadas apenas a taxas modestas de sucesso clínico”, sustentam os autores, ao descrever uma análise que lança reflexões profundas sobre o modelo de pesquisa em câncer.

Menos de 20% (19,3%) das descobertas científicas apresentadas como avanço, marco, terapia inovadora ou altamente promissora se traduzem em uso clínico, em uma mediana de 15 anos de acompanhamento.

Os pesquisadores realizaram uma busca na PubMed em 23/07/19, por artigos que no título ou no resumo incluem os termos “câncer”, “altamente promissor (highly promising)”, “inovador (groundbreaking)”,” marco (landmark)” ou “avanço (breaktrough)”. Foram considerados originais publicados entre 1999 e 2009 sobre terapias ou tratamentos preventivos, excluídos os estudos de detecção precoce e aqueles sem intervenção terapêutica. A análise considerou apenas estudos que permaneceram em fase experimental, incluindo modelos celulares in vitro e in vivo, modelos animais ou ensaios clínicos não randomizados. Ensaios randomizados controlados e meta-análises foram excluídos.

Como método complementar, para cada estratégia "altamente promissora" os pesquisadores realizaram uma pesquisa de métodos mistos para identificar o real benefício, até a data de 03/06/2020. “Primeiro, comparamos a terapia alvo e / ou o composto com todas as terapias aprovadas pela FDA na medicina do câncer. Em segundo lugar, discutimos com um médico hematologista-oncologista (para ver se ele teve exposição aos produtos relacionados). Em terceiro lugar, realizamos pesquisas no Google, usando palavras-chave como medicamento, alvo, estratégia, método, empresa e/ou nome químico. Isso nos permitiu construir uma visão de conjunto das terapias adotadas”, definem.

Os resultados mostram que 88 artigos foram considerados elegíveis e representaram 70 pedidos de registro sanitário, dos quais 12 (17,1%) foram adotados na prática clínica e 58 (82,9%) não tiveram eficácia clínica demonstrada. Para cada medicamento aprovado pela FDA, os pesquisadores consideraram o desfecho clínico que embasou a aprovação. Desses tratamentos, 12/17 (70,6%) tiveram um endpoint substituto (surrogate) como desfecho primário e 8/17 (47,1%) demonstraram benefício de sobrevida global (9,1%).

Em um acompanhamento médio de 15 anos, 17 (19,3%) terapias foram adotadas na prática clínica, enquanto 71 (80,7%) não conseguiram demonstrar eficácia clínica.

Nos estudos em que o financiamento pode ser avaliado (70), aqueles financiados pela indústria farmacêutica tiveram maior probabilidade de ser adotados na prática clínica 5/11 (45,5%) do que aqueles que não foram financiados pela indústria, 6/59 (10,2%) (p = 0,0032).

“Entre os tratamentos adotados clinicamente em nossa análise, a maioria das aprovações foi com base em surrogates ou endpoints substitutos e apenas 9,1% demonstraram benefício de sobrevida. Entre 8 terapias com benefício de SG, o benefício médio fornecido foi de 2,8 meses. Nossos resultados sugerem que as alegações de grande descoberta estão associadas apenas a taxas modestas de sucesso clínico final”, concluem os autores.

Como saldo da contribuição, os autores destacam que menos de 20% (19,3%) das descobertas científicas apresentadas como avanço, marco, terapia inovadora ou altamente promissora se traduzem em uso clínico ou prática com uma mediana de acompanhamento de 15 anos. Os autores reforçam que a taxa e a velocidade com que as descobertas da pesquisa em câncer se traduzem na prática clínica são importantes, mas a qualidade dos estudos desperta reflexões. “Entre 101 artigos científicos que afirmavam um resultado altamente promissor para a prática clínica, apenas 19 de 101 (18,8%) intervenções tiveram ensaios clínicos randomizados positivos, enquanto cinco foram registradas para uso clínico com um acompanhamento médio de 12 anos”.

Referências:

1 - Waters, R. S., & Prasad, V. (2020). How Often Do Highly Promising Cancer Biology Discoveries Translate into Effective Treatments? Annals of Oncology.doi:10.1016/j.annonc.2020.10.484

2 - Contopoulos-Ioannidis DG, Ntzani E, Ioannidis JPA. Translation of highly promising basic science research into clinical applications. Am J Med. 2003;114(6):477-484. doi:10.1016/s0002-9343(03)00013-5

 

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