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AtualizadoTer, 22 Set 2020 12am

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Modelo inglês estima aumento de mortes por câncer pós pandemia de COVID-19

covid 4 bxDesde que um bloqueio nacional foi introduzido em todo o Reino Unido em março de 2020, em resposta à pandemia da COVID-19, o rastreamento do câncer foi suspenso, o trabalho de diagnóstico de rotina foi adiado e apenas os casos sintomáticos urgentes foram priorizados para a intervenção diagnóstica. A afirmação é de estudo de Camile Maringe e colegas, que estimaram o impacto de atrasos no diagnóstico na sobrevida de pacientes de câncer, considerando 4 tipos de tumores. Os resultados foram publicados no Lancet Oncology.

Neste estudo de modelagem nacional de base populacional, a metodologia considerou a coleta de dados pré-pandemia para estimar o impacto dos atrasos no diagnóstico por um período de 12 meses, desde o início das medidas de isolamento social, em 16 de março de 2020, até 1, 3 e 5 anos após o diagnóstico.

“Utilizamos conjuntos de dados administrativos e hospitalares de registro de câncer do Serviço Nacional de Saúde inglês (NHS), de pacientes com idades entre 15 e 84 anos, diagnosticados com câncer de mama, colorretal e esofágico entre 1º de janeiro de 2010 e 31 de dezembro de 2010, com dados de acompanhamento até 31 de dezembro de 2014, além de dados de pacientes com diagnóstico de câncer de pulmão entre 1º de janeiro de 2012 e 31 de dezembro de 2012, com dados de acompanhamento até 31 de dezembro de 2015”, descreve o artigo.

Para modelar o impacto da pandemia nos atrasos diagnósticos e na sobrevida, os pesquisadores realocaram os pacientes que estavam em triagem e encaminhamento de rotina considerando três cenários de realocação. O objetivo foi representar do melhor para o pior cenário e refletir mudanças reais observadas no NHS desde 16 de março de 2020. Assim, as vias urgentes e emergenciais foram associadas ao estágio mais avançado da doença no momento do diagnóstico. O impacto na sobrevida foi estimado, considerando o cálculo do total de anos de vida perdidos em comparação com dados pré-pandêmicos, assim como o cálculo das mortes adicionais atribuídas ao câncer.

“Foram coletados dados de 32 583 pacientes com câncer de mama, 24 975 com câncer colorretal, 6744 com câncer de esôfago e 29 305 com câncer de pulmão. Nos três cenários diferentes, em comparação com os números pré-pandêmicos, estimamos um aumento de 7,9 a 9,6% no número de mortes por câncer de mama até o 5º ano após o diagnóstico, correspondendo entre 281 e 344 mortes adicionais”, apontam os autores.

Para o câncer colorretal, a estimativa é de 1445 a 1563  mortes adicionais, um aumento de 15,3 a 16,6%; para câncer de pulmão, de 1235 a 1372 mortes adicionais, aumento de 4,8 a 5,3%; e para câncer de esôfago, entre 330 e 342 mortes adicionais, representando aumento de 5,8 a 6,0% até 5 anos após o diagnóstico.

“São esperados aumentos substanciais no número de mortes evitáveis ​​por câncer na Inglaterra como resultado de atrasos no diagnóstico devido à pandemia de COVID-19”, analisam os autores. “Intervenções políticas urgentes são necessárias, particularmente a necessidade de gerenciar o atraso nos serviços de diagnóstico de rotina para mitigar o impacto esperado da pandemia de COVID-19 em pacientes com câncer”, concluem. 

Referência: Maringe, C., Spicer, J., Morris, M., Purushotham, A., Nolte, E., Sullivan, R., … Aggarwal, A. (2020). The impact of the COVID-19 pandemic on cancer deaths due to delays in diagnosis in England, UK: a national, population-based, modelling study. The Lancet Oncology. doi:10.1016/s1470-2045(20)30388-0


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