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AtualizadoSeg, 30 Nov 2020 1am

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Daichii Sankyo

Inibidores da 5-alfa-redutase e quimioprevenção primária para câncer de próstata

brasil pedro bxMeta-análise realizada pelo grupo de uro-oncologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), avaliou o impacto dos inibidores da 5-alfa-redutase (5ARI) para prevenção primária na mortalidade específica e global do câncer de próstata. Os resultados foram publicados na World Journal of Urology. O aluno de medicina Pedro Glusman Knijnik (na foto, à direita) é primeiro autor do estudo que tem como autor sênior o urologista Brasil Silva Neto, professor associado do Departamento de Urologia da UFRGS.

As bases de dados MEDLINE, EMBASE, Cochrane, ClinicalTrials e BVS foram pesquisadas até abril de 2018, de acordo com os itens de relatório preferenciais para revisão sistemática e meta-análise (PRISMA) para identificar ensaios clínicos randomizados e estudos de coorte. Foram incluídos artigos com dados sobre mortalidade ou incidência de câncer de próstata em homens que utilizaram 5ARI antes do diagnóstico da doença.

O objetivo primário foi avaliar o impacto dos inibidores da 5-alfa-redutase para prevenção primária do câncer de próstata na mortalidade específica e global. Desfechos secundários incluíram incidência do diagnóstico de câncer de próstata e agressividade da doença.

Resultados

Nove estudos apresentaram dados sobre mortalidade, 16 sobre incidência de câncer de próstata e 12 trabalhos sobre os escores de Gleason (GS). Os resultados mostraram que o uso do 5ARI não teve impacto na mortalidade geral (RR 0,93 95% CI 0,78–1,11), na mortalidade câncer-específica (RR 1,35 95% CI 0,50–3,94), e no diagnóstico de câncer de próstata de alto grau (Gleason 8-10) (RR 1,06 95% CI 0,72-1,56).

Foi identificada uma redução de risco relativo de 24% no diagnóstico de câncer de próstata de grau intermediário (Gleason 7) (RR 0,76 95% CI 0,59-0,98) e no diagnóstico da doença de baixo grau (Gleason ≤ 6) (RR 0,76 95% CI 0,59-0,97). Além disso, uma redução de 26% no total de diagnósticos de câncer de próstata foi observada na análise do subgrupo de ensaios clínicos randomizados (RR 0,74 95% CI 0,65-0,84). 

“Esta meta-análise demonstrou que o uso dos 5ARI previamente ao diagnóstico de câncer de próstata reduziu significativamente a chance de ser diagnosticado com essa neoplasia (cerca de 25%), sem aumentar a incidência dos cânceres de maior agressividade (Gleason 8-10). Tais achados vão ao encontro dos dois maiores ensaios clínicos randomizados sobre quimioprevenção primária com 5ARI para câncer de próstata: o PCPT trial (n=18.882), de 2003, comparou o uso da  finasterida 5 mg diário versus placebo por 7 anos e encontrou uma redução de 24.8% no grupo que utilizou a medicação; e o REDUCE trial (n= 8331), de 2010, que comparou o uso diário da dustasterida 0,5 mg com placebo por 4 anos e encontrou uma redução similar de 22.8% no grupo intervenção”, esclarecem os autores.

“Entretanto, estes estudos encontraram um aumento pequeno mas estatisticamente significativo da incidência de diagnóstico de neoplasias mais agressivas (Gleason 8-10) naqueles que utilizaram os 5ARI: PCPT (0,7%) e REDUCE (0.5%), principal razão pela qual a FDA contraindicou o uso dessa classe de medicamentos na quimioprevenção primária do câncer de próstata”, acrescentam.

Segundo os especialistas, ao compilar os achados desses trials com outros ensaios clínicos e grandes estudos de coorte populacional não foi encontrada diferença estatisticamente significativa na incidência das neoplasias de alto grau entre o grupo de indivíduos expostos aos 5ARI e os não expostos. “Tais achados podem tranquilizar os pacientes que utilizam os 5ARI por outras razões como o tratamento da hiperplasia prostática beningna ou alopecia de que não possuem maior risco de desenvolver uma neoplasia de próstata mais agressiva no futuro”.

“No entanto, não podemos advogar a favor do uso dos 5ARI para quimioprevenção primária. Além de não termos encontrado diferença na mortalidade geral e câncer-específica entre os grupos, são necessários estudos com tempos de seguimento médios mais longos para inferir o real impacto do uso dessa classe de medicamentos sobre a mortalidade”, concluem.

Referência: Knijnik, P.G., Brum, P.W., Cachoeira, E.T. et al. The impact of 5-alpha-reductase inhibitors on mortality in a prostate cancer chemoprevention setting: a meta-analysis. World J Urol (2020). https://doi.org/10.1007/s00345-020-03202-2


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