30112020Seg
AtualizadoSeg, 30 Nov 2020 1am

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Daichii Sankyo

Leuginase não mostra eficácia e oferece risco elevado de imunogenicidade

crianca NET OKA l-asparaginase é empregada no tratamento da leucemia linfoblástica aguda (LLA) e no Brasil era utilizada sob o nome comercial de Aginasa®. Em 2017, o Ministério da Saúde tomou a decisão de fornecer ao Sistema Único de Saúde uma alternativa mais barata, a L-asparaginase, a Leuginase®, fabricada pela Beijing SL Pharmaceutical. Agora, estudo publicado na Cancer Epidemiology1 mostra que a Leuginase adquirida pelo governo brasileiro não demonstrou eficácia e ainda oferece risco elevado de imunogenicidade. 

“Isso reforça o papel da Anvisa na regulação de medicamentos comercializados no Brasil e mostra para o Ministério da Saúde que Farmacoeconomia não se faz comprando pelo preço mais ‘barato’, infringindo as regras regulatórias e metodológicas para avaliar as tecnologias em saúde”, diz Adalton G. Ribeiro, Diretor Técnico de Farmacovigilância do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS). Ribeiro lembra que a leuginase adquirida pelo Ministério da Saúde não apresentava registro aprovado para comercialização, o que levantou suspeitas de eficácia e segurança, confirmadas agora pelos resultados apresentados neste artigo.

Os resultados refletem o esforço do Centro Infantil Boldrini, que depois de muita polêmica envolvendo a leuginase decidiu conduzir uma avaliação independente. Análises por espectrometria de massa encontraram pelo menos 12 proteínas contaminantes da célula hospedeira (HCP) nas amostras de leuginase. “A presença de dois HCP (beta-lactamase e malato desidrogenase) foi confirmada por metodologias ortogonais. O número relativo de peptídeos de HCP variou entre 19 e 37% dos peptídeos totais identificados por espectrometria de massa. Estudos in vivo em modelos animais injetados com leuginase® revelaram uma biodisponibilidade plasmática 3 vezes menor e o desenvolvimento de maior número de anticorpos em comparação com a l-asparaginase”, avalia o estudo brasileiro, coordenado por Sílvia Brandalise, presidente do Centro Infantil Boldrini.

Em conclusão, o estudo traz dados irrefutáveis e comprova que a avaliação bioanalítica não demonstrou a eficácia da molécula de leuginase, reforçando que diferentes padrões de controle de qualidade entre os países representam um sério desafio para garantir a qualidade, segurança e eficácia dos biossimilares. “A decisão de comprar um novo medicamento com base apenas no preço não é segura e pode custar vidas”, alertam os autores, lembrando que os países em desenvolvimento são especialmente vulneráveis ​​a alternativas mais baratas que não possuem garantia de qualidade sólida.

No Brasil, para registro de medicamentos biológicos, novos ou biossimilares, as determinações para provar bioequivalência, biodisponibilidade, eficácia e segurança estão descritas na RDC 55/2010. 

Referência: Priscila Pini Zenatti, Natacha Azussa Migita, Nathália Moreno Cury, Rosângela Aparecida Mendes-Silva, Fabio Cesar Gozzo, Pedro Otavio de Campos-Lima, José Andrés Yunes, Silvia Regina Brandalise - Low Bioavailability and High Immunogenicity of a New Brand of E. colil-Asparaginase with Active Host Contaminating Proteins - EBioMedicine, Volume 30, 2018, - Pages 158-166, ISSN 2352-3964, https://doi.org/10.1016/j.ebiom.2018.03.005


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