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AtualizadoQua, 17 Abr 2024 9pm

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Histerectomia simples não é inferior à cirurgia radical no câncer cervical de baixo risco

Audrey NET OKEm pacientes com câncer cervical de baixo risco, a histerectomia simples não foi inferior à histerectomia radical no que diz respeito à incidência de recorrência pélvica em 3 anos e foi associada a menor risco de incontinência ou retenção urinária. Os dados foram relatados por Plante et al. na New England Journal of Medicine. “Este estudo muda a prática clínico-cirúrgica”, analisa Audrey Tsunoda (foto), cirurgiã do Departamento de Ginecologia Oncológica do Instituto de Oncologia do Paraná, que comenta os resultados.

Para pacientes com câncer cervical em estágio inicial, a recomendação atual, de acordo com as diretrizes da National Comprehensive Cancer Network (NCCN), é a histerectomia radical aberta com linfadenectomia pélvica bilateral (com ou sem mapeamento de linfonodo sentinela) quando a preservação da fertilidade não é desejada. No entanto, dados prospectivos mostraram que a histerectomia radical está associada a altas taxas de complicações perioperatórias, como disfunção urinária e intestinal), enquanto dados retrospectivos sugerem que a incidência de infiltração parametrial é baixa em pacientes com câncer cervical de baixo risco em estágio inicial

Neste estudo multicêntrico, randomizado e de não-inferioridade conduzido por pesquisadores do Canadian Cancer Trials Group (CCTG CX.5-SHAPE), o objetivo foi comparar a histerectomia radical com a histerectomia simples, incluindo avaliação de linfonodos, em pacientes com câncer cervical de baixo risco (tumores epiteliais de colo, G1 ou G2, de até 2cm, sem invasão linfovascular e com menos de 10mm de invasão estromal, restritos ao colo e sem linfonodos suspeitos). O desfecho primário foi a recorrência do câncer na região pélvica (recorrência pélvica) em 3 anos. A margem de não-inferioridade pré-especificada para a diferença entre os grupos na recorrência pélvica aos 3 anos foi de 4 pontos percentuais.

Do ponto de vista cirúrgico, enquanto a histerectomia radical prevê a remoção em monobloco do útero com as tubas, 2 cm de paramétrios e ligamentos uterossacros, e manguito vaginal de 1-2cm, a histerectomia simples considera apenas a remoção do útero e das tubas.

Os resultados do grupo canadense mostram que entre 700 pacientes submetidos à randomização (350 em cada grupo), a maioria (91,7%) tinha tumores em estágio IB1 de acordo com os critérios da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) de 2009, com características histológicas de células escamosas (61,7%), e que eram grau 1 ou 2 (59,3%). Em um seguimento mediano de 4,5 anos, a incidência de recorrência pélvica em 3 anos foi de 2,17% no grupo de histerectomia radical e de 2,52% no grupo de histerectomia simples (uma diferença absoluta de 0,35 pontos percentuais; intervalo de confiança de 90%, - 1,62 a 2,32). Os resultados foram semelhantes em uma análise por protocolo.

O estudo também revela que a incidência de incontinência urinária foi menor no grupo de histerectomia simples do que no grupo de histerectomia radical dentro de 4 semanas após a cirurgia (2,4% vs. 5,5%; P=0,048) e além de 4 semanas (4,7% vs. 11,0%; P=0,003).  A incidência de retenção urinária no grupo de histerectomia simples também foi menor do que no grupo de histerectomia radical dentro de 4 semanas após a cirurgia (0,6% vs. 11,0%; P<0,001) e além de 4 semanas (0,6% vs. 9,9%; P <0,001).

“Em pacientes com câncer cervical de baixo risco, a histerectomia simples não foi inferior à histerectomia radical no que diz respeito à incidência de recorrência pélvica em 3 anos”, concluem os autores, acrescentando que a histerectomia simples ainda foi associada a menor risco de incontinência ou retenção urinária.

​Em síntese, os resultados indicam que, em pacientes selecionados, é possível privilegiar abordagens conservadoras com menor risco de complicações, ao invés de procedimentos radicais na cirurgia do câncer cervical de baixo risco. “A partir destes dados, é possível selecionar melhor as mulheres que possuem câncer de colo uterino de baixo para uma cirurgia muito mais simples, menos mórbida e tão eficiente quanto a histerectomia radical”, analisa Audrey Tsunoda.

Referência: February 29, 2024. N Engl J Med 2024; 390:819-829. DOI: 10.1056/NEJMoa2308900 


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