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AtualizadoTer, 09 Ago 2022 8pm

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Daichii Sankyo

Fatores prognósticos no adenocarcinoma de pulmão estágio I com intenção curativa

younes vinicius abraoFernando Abrão, Vinicius Silva e Riad Younes são coautores de estudo que buscou avaliar os fatores prognósticos relacionados a sobrevida global em pacientes com adenocarcinoma de pulmão estágio I diagnosticados no estado de São Paulo. Os resultados foram publicados no Lancet Oncology.

"A cirurgia continua sendo o tratamento com impacto na sobrevida, mas a utilização de hospitais habilitados para tratar qualquer tipo de câncer e com infraestrutura completa para pacientes oncológicos pode aumentar a sobrevida global em pacientes diagnosticados com adenocarcinoma de pulmão", esclarecem os autores. "A sobrevida poderia ser maior, visto que o longo tempo entre o diagnóstico e o tratamento e a qualificação do status de especialização hospitalar podem afetar os resultados para esses pacientes. Porém, o dado positivo é que a sobrevida dos pacientes aumentou ao longo dos anos. Isto pode estar relacionado a melhora da qualidade da cirurgia, do pós-operatório, bem como de toda a linha de cuidado do paciente", acrescentam.

Este estudo de coorte retrospectivo de base hospitalar incluiu pacientes de ambos os sexos, com idade igual ou superior a 18 anos, diagnosticados com adenocarcinoma de pulmão estágio IA ou IB e submetidos a radioterapia ou cirurgia entre 1º de janeiro de 2000 e 31 de dezembro de 2015 em 75 hospitais do estado de São Paulo, Brasil. As variáveis ​​analisadas foram sexo, idade, escolaridade, sistema de saúde (público ou privado), estágio clínico ao diagnóstico, época do diagnóstico (2000–05; 2006–10; ou 2011–15), tipo de tratamento, tempo entre o primeiro contato com serviços de saúde e diagnóstico (até 1 mês; 1–2 meses; ou 2 ou mais meses), tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento (até 1 mês; 1–2 meses; ou 2 ou mais meses), e status de especialização hospitalar (HCCO ou PHCCO).

A análise multivariada de regressão de Cox foi aplicada para avaliar o risco de morte. O segundo modelo foi elaborado por meio da técnica de propensity score. As variáveis ​​de balanceamento foram sexo, faixa etária, tipo de tratamento (radioterapia ou cirurgia) e escolaridade (incluindo indivíduos que não frequentaram a escola), considerando a especialização hospitalar como variável dependente. O emparelhamento foi feito por regressão logística com o algoritmo k-nearest neighbour.

Resultados

Foram incluídos 681 pacientes. A taxa de sobrevida global em 5 anos foi de 58,1% (95% CI 53,9–62,1%). Na análise de regressão múltipla convencional de Cox, os pacientes submetidos apenas à radioterapia tiveram um risco de morte quase três vezes maior do que os pacientes submetidos apenas à cirurgia (razão de risco [HR] 3,44 [95% CI 2,45–4,82]]; p<0·0001).

Pacientes tratados em Centros de Complexidade Hospitalar Parcial em Oncologia (PHCCOs) apresentaram maior risco de morte (HR 1,49 [95% CI 1,10–2,03]; p=0,01) do que pacientes tratados em Centros de Alta Complexidade em Oncologia (HCCOs). Pacientes com 60 anos ou mais e pacientes do sexo masculino também apresentaram maior risco de morte do que pacientes com menos de 60 anos (HR 1,36 95% CI 1,00–1,85]; p = 0,048) e pacientes do sexo feminino (1,52 [1,17–1,98]; p=0,002), respectivamente.

A análise de regressão multivariada usando a técnica de escore de propensão mostrou que os pacientes atendidos em Centros de Alta Complexidade em Oncologia (HCCO) apresentaram maior risco de morte (HR 1,80 [95% CI 1,26–2,56]), assim como os pacientes para os quais o tempo entre o diagnóstico e o início de tratamento foi superior a 2 meses (2,00 [1,33-3,00]). Os pacientes diagnosticados entre 2011 e 2015 tiveram um risco de morte menor em comparação com os pacientes diagnosticados entre 2000 e 2005 (HR 0,60 [95% CI 0,38–0,94]; p=0,027; fator de proteção).

"Nossos resultados mostram que os fatores prognósticos mais significativos para o risco de morte em pacientes com adenocarcinoma de pulmão foram o atraso entre o diagnóstico e o início do tratamento e o tratamento em hospitais não habilitados para tratar todos os tipos de câncer. Por outro lado, pacientes diagnosticados após 2010 tiveram um risco de morte menor do que aqueles diagnosticados antes de 2010", observaram os pesquisadores, acrescentando que a incorporação de melhores técnicas de atendimento ao paciente, tecnologia de estadiamento e cuidados pós-operatórios podem reduzir potencialmente o risco de morte. "A menor mortalidade em Centros de Alta Complexidade em Oncologia provavelmente se deve à maior disponibilidade de equipes multidisciplinares e melhor infraestrutura e estrutura tecnológica dedicada ao atendimento de todos os tipos de câncer", concluíram.

O estudo foi fruto de uma parceria entre a Fundação Oncocentro e o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, e contou com a participação de Stela Peres, Gabriel Rosamilia, Rodrigo Hanriot e Igor Abreu. 

Referência: Silva V, Abrão F, Peres S, Rosamilia G, Hanriot R, Abreu I, Younes R. Prognostic factors in curative intent stage I lung adenocarcinoma: a retrospective hospital-based cohort study. Lancet Oncol. 2022 Jul;23 Suppl 1:S31. doi: 10.1016/S1470-2045(22)00430-2. PMID: 35837928.  


 

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