23112020Seg
AtualizadoSeg, 23 Nov 2020 12pm

Conheça o Podcast Onconews no Spotfy

SBM lança movimento #Mamografiaapartirdos40

Mamografia_Net_OK.jpgA Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) lançou o movimento #mamografiaapartirdos40 – Direito e dever de toda mulher. A ação faz parte da campanha ‘Eu amo meus peitos’, criada pela entidade para incentivar os cuidados com a saúde da mama e disseminar informações sobre a prevenção do câncer. A ideia é enfatizar a importância de realizar a mamografia a partir dos 40 anos, anualmente.

A iniciativa também pode ser considerada uma resposta à Portaria 1.253/2013, emitida pelo Ministério da Saúde em novembro do ano passado, que restringiu o repasse de verbas da União aos municípios para mamografias apenas em pacientes na idade entre os 50 e 69 anos, o que contraria a lei nº 11.664, de 2008, que determina que o SUS deve assegurar “a realização de exame mamográfico a todas as mulheres a partir dos 40 anos de idade”.

Segundo a portaria, apenas os procedimentos de mamografia bilateral em mulheres na faixa dos 50 aos 69 anos serão pagos pelo Fundo de Ações Estratégicas e Compensações (FAEC). As demais faixas serão cobertas por recursos do “Teto da Média e Alta Complexidade (MAC)”.

Além do alteração na forma do pagamento, contribuiu com a polêmica o fato da portaria ter instituído a mamografia unilateral – exame realizado como forma de rastreamento em apenas uma das mamas – o que despertou a ira das sociedades médicas, que alegam que não há como selecionar apenas uma mama para exame, já que a lesão procurada nem sempre é palpável. Além disso, um dos preceitos básicos da mamografia é a comparação entre as duas mamas. “A mamografia unilateral foi um equívoco do Ministério da Saúde. Vai escolher uma mama para fazer? Não. Quem vai fazer mamografia unilateral é a paciente mastectomizada, que só tem uma mama. Mas isso já não é rastreamento, a paciente já teve um câncer. Mamografia unilateral é para casos específicos. Esse erro já foi corrigido”, explica o mastologista José Luiz Esteves, Presidente da Comissão de Imagem da SBM. Realmente, segundo o Ministério, o texto já foi alterado para deixar claro que a mamografia bilateral é a regra e a unilateral, aplicada em alguns casos.

O impasse da idade ideal

A SBM defende a realização da mamografia a partir dos 40 anos, já que alguns estudos apontam a redução da mortalidade do câncer de mama em até 35%, além de, através do diagnóstico precoce, as chances de curar poderem chegar a 95% dos casos. “Tanto a experiência do consultório quanto os inúmeros estudos e acompanhamentos realizados pelos principais mastologistas do Brasil e do exterior comprovam que a idade ideal para o início do trabalho preventivo, via mamografia, é 40 anos”, afirma o presidente da SBM, Ruffo de Freitas Júnior.

Em sua defesa, o Ministério da Saúde alega que segue a determinação de vários outros países, que indicam a mamografia de rastreamento a partir dos 50 anos, idade com maior prevalência da doença. Além disso, nessa idade a mama se torna menos densa, facilitando a visualização de um nódulo ou tumor. O fato é que no Brasil, vários fatores como estilo de vida, alimentação e genética contribuem para a manifestação da doença cada vez mais cedo. Nossa população tem um número maior de casos de câncer de mama entre 40 e 50 anos de idade se comparado aos países desenvolvidos. “Por isso insistimos na mamografia aos 40 anos. No Brasil, a porcentagem de mulheres com câncer de mama abaixo dos 50 anos é 25% a 30%. Nos EUA esse índice gira em torno de 15%”, afirma Esteves.

Além disso, o mastologista afirma que o diagnóstico precoce melhora a sobrevida da paciente, aumenta a chance de cura e pode ter um impacto econômico, social e emocional. “Você pode propor tratamentos mais baratos, menos agressivos. É diferente o diagnóstico de um tumor com 1cm de outro com 5cm. A cirurgia é mais barata, os danos estéticos e psicológicos são menores. E você aumenta a chance de cura dessa paciente”.

O presidente da SBM endossa a opinião de Esteves, e incentiva a classe médica a continuar solicitando a mamografia de rastreamento a partir dos 40 anos e não aceitar a mamografia unilateral. “Como especialistas, temos a responsabilidade de educar e informar à sociedade sobre os procedimentos mais corretos e seguros em prol da saúde preventiva. E a mamografia é um instrumento de extrema importância, tendo reflexo na redução de cirurgias mutiladoras (mastectomias), diminuição de sofrimento e melhor qualidade de vida da paciente após o câncer”, conclui Ruffo.

Contrassenso

O câncer de mama é o segundo tipo mais comum em número de casos no Brasil, perdendo apenas para o câncer de pele. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), em 2014 são esperados no Brasil 57.120 novos casos de câncer de mama, com um risco estimado de 56,09 casos a cada 100 mil mulheres.

Enquanto o Ministério defende a mamografia bianual a partir dos 50 anos de idade, o representante do Governo Federal responsável pela Política Nacional de Atenção Oncológica afirma no documento ‘Estimativas de Incidência de Câncer no Brasil – 2014’, que “apesar de ser considerado um câncer de relativamente bom prognóstico, se diagnosticado e tratado oportunamente, as taxas de mortalidade por câncer de mama continuam elevadas no Brasil, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estágios avançados”. Vai entender.

Como participar

Para aderir a causa, basta que as pessoas publiquem em suas redes uma foto com a plaquinha aderindo ao movimento #mamografiaapartirdos40, compartilhando com os amigos e contribuindo com a disseminação da informação.

 

Publicidade
banner pfizer 2018 institucional 300x250px
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
banner libbs2019 300x250
Publicidade
banner astellas 2019 300x250
Publicidade
Zodiac
Publicidade
Astrazeneca
Publicidade
IBCC
Publicidade
300x250 ad onconews200519