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AtualizadoSex, 30 Out 2020 2pm

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Prêmio Nobel reconhece descobertas com impacto no tratamento e prevenção do câncer

Roger ChammasA descoberta do método de edição do genoma CRISPR/Cas9 foi reconhecida com o Prêmio Nobel de Química 2020, oferecido pela Royal Swedish Academy of Sciences. “A possibilidade de edição do genoma está no ideário do pesquisador há muito tempo. A descoberta do sistema CRISPR foi difundida muito rapidamente, e muitos laboratórios de pesquisa hoje utilizam essa tecnologia com muita frequência, inclusive no Brasil”, observa Roger Chammas (foto), coordenador do Centro de Investigação Translacional em Oncologia do ICESP. O Nobel de Medicina também reconheceu uma descoberta com impacto na oncologia, a identificação do vírus da hepatite C, fator de risco conhecido para câncer de fígado.

“São descobertas cujo impacto não é exclusivo da oncologia, o que é natural. A oncologia capilariza várias áreas, o que a gente estuda é o controle de funções essenciais das células. Esse reconhecimento ressalta a importância da ciência fundamental, de conhecer melhor diferentes tipos de doença e eventualmente propor soluções a elas”, acrescenta o pesquisador.

CRISPR/Cas9

A descoberta da tecnologia do CRISPR/Cas9 foi inesperada. Durante os estudos sobre a bactéria Streptococcus pyogenes, Emmanuelle Charpentier, microbiologista e imunologista da Max Planck Unit for the Science of Pathogens, em Berlim, descobriu uma molécula até então desconhecida, o tracrRNA. Seu trabalho mostrou que o tracrRNA faz parte do antigo sistema imunológico da bactéria, CRISPR/Cas, que desarma os vírus ao clivar seu DNA.

Charpentier publicou sua descoberta em 2011. No mesmo ano, ela iniciou uma colaboração com Jennifer Doudna, bioquímica e bióloga molecular da Universidade da Califórnia, Berkeley, com vasto conhecimento em RNA. Juntas, elas conseguiram recriar a ferramenta de edição genética da bactéria e simplificar os componentes moleculares para facilitar seu uso.

Em sua forma natural, as ‘tesouras genéticas’ reconhecem o DNA dos vírus, mas Charpentier e Doudna provaram que podem ser controladas para que possam editar qualquer molécula de DNA em um local predeterminado.

Desde a descoberta do CRISPR/Cas9 em 2012, a ferramenta tem contribuído para descobertas importantes na pesquisa básica. Na medicina, ensaios clínicos de novas terapias contra o câncer e doenças hereditárias estão em andamento.

Vírus da hepatite C

Harvey J. Alter, pesquisador do National Institutes of Health (NIH), nos Estados Unidos; Michael Houghton; Diretor do Instituto de Virologia Aplicada na Universidade de Alberta, no Canadá; e Charles M. Rice, professor de virologia na Universidade Rockefeller, em Nova York, foram reconhecidos com o Prêmio Nobel de Medicina 2020 por suas descobertas seminais que levaram à identificação do vírus da hepatite C, fator de risco para câncer de fígado. O Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina é oferecido anualmente pelo Karolinska Institutet.

A inflamação do fígado, ou hepatite, é causada principalmente por infecções virais, embora o abuso de álcool, toxinas ambientais e doenças autoimunes também sejam causas importantes. Na década de 1940 foi determinado a existência de dois tipos principais de hepatite infecciosa. O primeiro, denominado hepatite A, transmitido por água ou alimentos poluídos, tem pouco impacto para o paciente no longo prazo. Já o segundo tipo de hepatite, transmitido pelo sangue e por fluidos corporais, representa uma ameaça mais séria, podendo levar a uma condição crônica, com desenvolvimento de cirrose e câncer de fígado. A hepatite infecciosa transmitida pelo sangue está associada a morbidade e mortalidade significativas e causa mais de um milhão de mortes por ano em todo o mundo.

“Uma fração dos cânceres são causados por fatores biológicos, como vírus ou bactérias, que podem de alguma forma ser prevenidos. O vírus da hepatite C, da hepatite B, o HPV, são agentes que estão casualmente associados ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer, e essa noção permite a criação de estratégias de imunização ativas. A descoberta do vírus da hepatite C pelos ganhadores do Prêmio Nobel é uma dessas coisas fabulosas que a ciência faz, gerar um conhecimento de fato útil para toda a sociedade”, avalia Chammas.

 

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