28012021Qui
AtualizadoQua, 27 Jan 2021 7pm

PUBLICIDADE
Daichii Sankyo

CAR T Cells em mieloma múltiplo e as lições para a pesquisa translacional

Martin Bonamino NET OKTerapias CAR T Cells com o receptor quimérico de antígeno (CAR) anti-CD19 têm demonstrado resultados encorajadores em leucemias e linfomas. Agora, dados iniciais do ensaio CRB- 401 também mostraram respostas em pacientes com mieloma múltiplo, sugerindo o antígeno de maturação de células B (BCMA) como importante alvo terapêutico. Os resultados foram recentemente publicados por Raje, N et al no New England Journal of Medicine. Martín Bonamino (foto), pesquisador do Instituto Nacional de Cancer (INCA) e da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), comenta os resultados.

A proteína CD19, um alvo clássico de CARs, não é tipicamente expressa na membrana plasmática de células do mieloma múltiplo (MM). Estas células expressam, no entanto, um marcador de células B diferente, o BCMA, expresso nas células de MM. Dados iniciais dos primeiros 33 pacientes de MM tratados com CAR T Cells anti BCMA mostraram 85% de resposta objetiva e 45% de resposta completa em pacientes politratados, que haviam recebido uma mediana de 7 linhas prévias de terapia.

Em um acompanhamento de mediana de 11,3 meses (mínimo de 6,2 meses), a sobrevida média livre de progressão foi de 11,8 meses; aproximadamente 40% dos respondedores tinham doença em progressão e apresentaram taxas semelhantes entre os pacientes com resposta completa ou doença residual mínima negativa.

Embora a taxa de resposta tenha sido muito favorável, a maioria destas respostas não foi mantida, alerta D. Killock, que não esteve envolvido no estudo e analisa os resultados em um comentário publicado no Nature Reviews Clinical Oncology. “Os resultados obtidos precisam ser vistos com cautela. É importante destacar que dos 16 pacientes com resposta e que foram avaliados para doença residual mínima, todos tiveram resultados negativos, com sensibilidade de ≤10−4”, destaca.

Além disso, as toxicidades não foram desprezíveis e 97% dos pacientes apresentaram pelo menos um evento adverso grau ≥3, predominantemente hematológico, inclusive neutropenia em 85% dos pacientes. A síndrome de liberação de citocinas ocorreu em 76% dos pacientes (grau 3 em 6%) e eventos neurológicos em 42%. “Esses dados são promissores, mas enfatizam o valor da pesquisa translacional em andamento para melhorar não só a eficácia, mas também a segurança das terapias com CAR T Cells”, conclui Killock. 

Para Bonamino, o estudo indica que a terapia CAR-T contra o BCMA é capaz de induzir a remissão em uma fração muito representativa dos pacientes, especialmente quando altas doses das células CAR-T são usadas. “Uma fração importante dos pacientes que entraram em remissão voltou a apresentar a doença. Estudos devem ser realizados para compreender melhor os mecanismos que levam a estas recaídas e se modificações nesta terapia podem evitar este fenômeno”, observa.

“Em todo caso, o BCMA parece estar se consolidando como um alvo terapêutico relevante para a terapia CAR-T em mieloma múltiplo, o que representa uma ótima notícia”, acrescenta o especialista.

Referências:

Killock, D. (2019). Anti-BCMA CAR T cells for MM. Nature Reviews Clinical Oncology. doi:10.1038/s41571-019-0229-x

Raje, N. et al. Anti-BCMA CAR T-cell therapy bb2121 in relapsed or refractory multiple myeloma. N. Engl. J. Med. 380, 1726–1737 (2019)


Publicidade
banner pfizer 2018 institucional 300x250px
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
banner libbs2019 300x250
Publicidade
banner_janssen2016_300x250_v2.jpg
Publicidade
banner astellas 2019 300x250
Publicidade
Zodiac
Publicidade
Astrazeneca
Publicidade
IBCC
Publicidade
300x250 ad onconews200519