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AtualizadoQui, 10 Jun 2021 9pm

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Daichii Sankyo

Presença brasileira em encontro mundial de ginecologia oncológica

IGCS 2018 NET OKNomes de referência da oncoginecologia brasileira marcaram presença no programa científico da 17ª Reunião Bienal da International Gynecologic Cancer Society (IGCS 2018), que aconteceu entre os dias 14 e 16 de setembro em Kyoto, no Japão. A próxima edição do evento, que passa a ser anual, acontece em 2019, no Rio de Janeiro, com apoio da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Confira alguns dos estudos apresentados por especialistas brasileiros no encontro.

Estudo liderado pelo cirurgião oncológico Glauco Baiocchi, diretor do Departamento de Ginecologia Oncológica do A.C. Camargo Cancer Center, analisou o papel do PET-CT (18F-FDG) na predição da ressecção cirúrgica completa no câncer de ovário recorrente. O trabalho demonstrou que embora o PET-CT tenha uma alta taxa de falsos negativos na predição da doença intra-abdominal, a presença de <3 implantes se correlacionou com uma taxa maior de cirurgia citorredutora secundária (SCR) completa.1

Outro trabalho do A.C.Camargo Cancer Center buscou correlacionar o tamanho da metástase do linfonodo sentinela (SLN) com o risco de metástase do linfonodo não-sentinela (N-SLN) no câncer endometrial. Os pesquisadores analisaram uma série de 261 pacientes tratados na instituição entre janeiro de 2013 e março de 2018, que apresentavam mapeamento do SLN com injeção cervical de apenas corante azul (n = 227) ou indocianina verde (n = 34). Os dados apresentados no encontro de Kyoto sugerem que o tamanho da metástase no SLN está correlacionado com o risco de metástase do N-SLN.2

Na fisioterapia oncológica, estudo brasileiro buscou determinar a prevalência de estenose vaginal na avaliação fisioterapêutica em mulheres com câncer ginecológico submetidas a braquiterapia de alta taxa de dose (HDR) em uma instituição pública do sul do Brasil.3 O estudo foi realizado com pacientes diagnosticados com câncer ginecológico e submetidos a HDR no Centro de Pesquisas Oncológicas (CEPON), serviço público referência no tratamento oncológico em Santa Catarina, entre junho de 2016 a março de 2018. “Esse foi o primeiro estudo brasileiro, dentre os poucos já publicados internacionalmente sobre o assunto. Verificamos uma alta prevalência da estenose vaginal pós-HDR, mostrando que ainda é uma das principais sequelas do tratamento do câncer ginecológico, o que indica a necessidade de mais investigação sobre formas de prevenir a estenose”, afirmou a fisioterapeuta oncológica Jaqueline Baiocchi, uma das autoras do trabalho.

Outro trabalho que contou com a participação da especialista avaliou a prevalência de sintomas auto-relatados em mulheres com câncer ginecológico submetidas a braquiterapia de alta taxa de dose (HDR)4. Os resultados demonstraram que os principais sintomas foram dor no baixo ventre, dor na relação sexual, estenose vaginal, ardor ao urinar, dor abdominal, edema de membros inferiores e incontinência urinária. Outros sintomas como constipação, secreções vaginais e diarreia também estavam presentes. “O trabalho mostra a importância do acompanhamento por um fisioterapeuta oncológico durante e após o tratamento afim de minimizar essas sequelas e promover maior qualidade de vida para essa população”, observou.

Um trabalho multi-institucional realizou um acompanhamento de longo prazo para avaliar a disseminação extra-uterina assintomática em pacientes com carcinoma cervical localmente avançado submetidos ao estadiamento pré-tratamento cirúrgico.5 Com base nos resultados patológicos finais, os autores concluíram que houve uma taxa de upstaging significativa, e taxas de doença extra-uterina notáveis ​​foram encontradas, o que poderia explicar as falhas de tratamento observadas em séries antigas. “Apesar do tratamento ajustado, as metástases extra-uterinas e linfonodais prejudicaram a sobrevida livre de progressão e sobrevida global”, observaram. O estudo foi liderado pelo cirurgião oncológico Renato Moretti, do Hospital Israelita Albert Einstein, e contou com a participação de especialistas do Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba; da Universidade federal de São Paulo (Unifesp); e da Universidade de Toronto, no Canadá.

Diama Vale, médica e professora da Unicamp, apresentou estudo que avaliou se se a expressão da proteína SOD2 está relacionada com o prognóstico do câncer do colo do útero avançado6. A coorte incluiu análise imuno-histoquímica da proteína SOD2 em 63 casos de câncer cervical de estágio IIIB. A positividade da imuno-histoquímica foi avaliada pela intensidade de cor e porcentagem de células coradas. A recidiva foi observada em 63% das mulheres que apresentaram carcinomas fortemente corados e em 33,3% daquelas com coloração fraca ou moderada (p = 0,046). Quando mais de 90% das células foram coradas, 75% das mulheres tiveram recidiva (p = 0,001) e 63% morreram (p = 0,029), levando os autores à conclusão de que a expressão da proteína SOD2 está relacionada com mau prognóstico em mulheres com câncer cervical estágio IIIB.

Outros trabalhos brasileiros apresentados no IGCS 2018 avaliaram a doença residual após a polipectomia no câncer endometrial7; e o padrão evolutivo do diagnóstico e desfechos do tratamento de sarcomas uterinos em um centro de referência em câncer no Brasil8.

Referências:

1 - Abstr 052 - Can PET-CT predict complete secondary cytoreduction in ovarian cancer? - G. Baiocchi, H. Mantoan, L. Kumagai, L. Badiglian-Filho, C. Faloppa, A. da Costa

2 - Abstr 269 - The size of the sentinel node metastasis predicts non-sentinel node involvement in endometrial cancer - G. Baiocchi, H. Mantoan, L. Kumagai, L. Badiglian-Filho, C. Faloppa, A. da Costa, L. de Brot

3 - Abstr 498 - Prevalence of vaginal stenosis after high dose rate brachytherapy in a referral service in cancer treatment in southern of brazil. - G. Baiocchi, M. Dias, J.M.T.B. Baiocchi, L.L. Custodio, J.J.D.S. Patricio, A.R. Carvalho, C. Pezzi Franco de Souza, C. Mozzini

4 - Abstr 508 - Prevalence of auto reported symptoms in women after braquiterapy of high dose rate - G. Baiocchi, J.M.T.B. Baiocchi, M. Dias, C.B. Mozzini, L.L. Custodio, A.R. Carvalho, J.J.D.S. Patricio, C. Pezzi Franco de Souza

5 - Abstr 169 - Extra-uterine asymptomatic spread in locally advanced cervical carcinoma underwent to pre-treatment surgical staging. Is rare or neglected? Long-term follow up. - R. Moretti Marques, A. Tsunoda, G.B. Barbosa, N. Lemos, M.G.B.K. Uyeda, D. Callegaro-Filho, M.G. Barbosa, S.M. Nicolau

6 - Abstr 236 - SOD2 overexpression indicates poor prognosis in stage iiib cervical cancer - D. Vale, M.C. Ramiro Talarico, L. Termini, R. Almeida Lima Nunes, G. Avila Fertnandes Silva, L. Bastos Eloy da Costa, L.C. Zeferino

7 - Abstr 307 - Residual disease after polypectomy in endometrial cancer - M. Simonsen, A. Guerreiro Machado, H. Mantoan, C. Chaves Faloppa, L. Yuri Kumagai, B. Tirapelli Goncalves, A. Melina Severino Teixeira, M. Minamoto Miyabe, N. Tayfour, D. Batista Depes, J. Alfredo Martins, R. Guedes Coelho Lopes, G. Baiocchi Neto

8 - Abstr 328 - Sarcomas of the uterus diagnosed between 2001-2016: pattern of diagnosis and treatment outcome in a referral cancer center from brazil - T. Siqueira, M. Silva, D. Santos, L. Dias, D. Vale, J. Teixeira


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