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AtualizadoSeg, 12 Abr 2021 12am

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Daichii Sankyo

Edição de genes CRISPR é testada pela primeira vez em humanos

CRISPR_NET_OK.jpgDia 28 de outubro, uma equipe liderada pelo oncologista Lu You na Universidade de Sichuan, na China, se tornou o primeiro grupo a injetar em humanos células que contêm genes editados usando a técnica CRISPR-Cas9. As informações foram publicadas pela revista Nature dia 15 de novembro.

A equipe entregou as células modificadas a um paciente com câncer de pulmão agressivo como parte de um estudo clínico no West China Hospital, também em Chengdu.

“A introdução de CRISPR deve acelerar a corrida para obter células editadas geneticamente em laboratórios em todo o mundo”, afirmou Carl June, especialista em imunoterapia na Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia. June é conselheiro científico de um estudo americano planejado que deve utilizar o CRISPR para direcionar três genes nas células dos participantes, com o objetivo de tratar vários tipos de câncer. A expectativa é que o estudo comece no início de 2017.

Em março de 2017, um grupo na Universidade de Pequim também espera iniciar outros três ensaios clínicos utilizando CRISPR contra câncer de bexiga, próstata e células renais. Esses estudos ainda não têm aprovação ou financiamento.
 
PD-1
 
O estudo de Lu recebeu aprovação ética de um comitê de revisão do hospital em julho. As injeções nos participantes deveriam ter sido iniciadas em agosto, mas a data foi adiada porque cultivar e amplificar as células levou mais tempo do que o esperado.
 
Os pesquisadores removeram as células imunológicas do sangue do receptor e, em seguida, desativaram nelas um gene  usando a técnica CRISPR-Cas9, que combina uma enzima de corte de DNA com um guia molecular que pode ser programado para dizer à enzima exatamente onde cortar.
 
O gene desativado codificava a proteína PD-1, que normalmente freia a resposta imune de uma célula e facilita a proliferação do tumor.
 
Em seguida, a equipe cultivou as células editadas, aumentando sua quantidade, e as injetou de volta no paciente, que tem câncer de pulmão não pequenas células metastático. A expectativa é que, sem o PD-1, as células editadas irão atacar e derrotar o tumor.
 
Segurança
 
O estudo é um teste de segurança, e os participantes serão monitorados por seis meses para determinar se as injeções estão causando efeitos adversos graves. A equipe vai observar os participantes além desse tempo para verificar se estão se beneficiando do tratamento.
 
Por enquanto, o tratamento correu bem e o participante deve receber uma segunda injeção. A equipe planeja tratar um total de dez pessoas, e cada uma receberá duas, três ou quatro injeções.
 
Apesar do entusiasmo com a entrada do CRISPR no cenário do câncer, e da estratégia de utilizar anticorpos que neutralizam o PD-1 para controlar o câncer de pulmão já ter se mostrado eficaz, alguns oncologistas questionam se o processo de extração, modificação genética e multiplicação de células seria uma tarefa replicável em larga escala. "A menos que demonstre um grande ganho em eficácia, será difícil justificar o avanço. Tenho dúvidas se será superior ao uso de anticorpos, que podem ser expandidos para quantidades ilimitadas na clínica”, afirma o oncologista Naiyer Rizvi, do Columbia University Medical Center, em Nova York.
 
Os autores do estudo afirmam que esta questão está sendo avaliada, mas que ainda é muito cedo para definir a melhor abordagem.
 
Referência: CRISPR gene-editing tested in a person for the first time – Nature, 15 November 2016 – by David Cyranoski- doi:10.1038/nature.2016.20988



 


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