31072021Sáb
AtualizadoQui, 29 Jul 2021 4pm

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Daichii Sankyo

ASCO endossa guideline da ASTRO sobre radioterapia pós-operatória em câncer de endométrio

Radioterapia_Mulher_NET_OK.jpgA Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) endossou a diretriz de prática clínica da Sociedade Americana de Radiação Oncológica (ASTRO) sobre radioterapia pós-operatória para mulheres com câncer de endométrio.

Publicado no Journal of Clinical Oncology, o endosso descreve tratamentos que a ASTRO e a ASCO reconhecem como o padrão de cuidados para mulheres com câncer de endométrio, com base nas melhores evidências disponíveis. O material também destaca as áreas onde são necessárias mais pesquisas para orientar as estratégias de tratamento.

"A validação do guia prático da ASTRO para o tratamento adjuvante do câncer de endométrio pela ASCO vem reforçar a tendência atual de diminuir a intensidade do tratamento com radioterapia externa para alguns grupos de pacientes com câncer de endométrio”, afirma Robson Ferrigno, Coordenador dos Serviços de Radioterapia do Centro Oncológico Antônio Ermírio de Moraes.

 
Segundo o especialista, os estudos fase III que compararam apenas cirurgia e cirurgia seguida de radioterapia mostraram que a radioterapia não aumenta a sobrevida das pacientes, porém, diminui as chances de recidiva local. “Outros estudos, como o PORTEC 2, mostraram que para alguns grupos de pacientes, a braquiterapia foi tão efetiva quanto a radioterapia externa na prevenção de recidiva vaginal, principal foco de recaída local”, diz. Os estudos também mostraram que o emprego da radioterapia externa aumentou as chances de complicações intestinais e prejuízo na qualidade de vida das pacientes. “Portanto, a radioterapia externa deve sempre ser bem indicada”, acrescenta.
 
Pesquisas anteriores mostraram que existem variações generalizadas no tratamento do câncer endometrial, com pacientes muitas vezes recebendo tratamentos diferentes. A diretriz da ASTRO fornece informações claras sobre como e quando usar a radioterapia após a cirurgia. Segundo o Painel de Especialistas da ASCO as recomendações são claras, completas e baseadas na evidência científica mais relevante.

"O objetivo dessa diretriz é reduzir o tratamento desnecessário e potencialmente prejudicial a mulheres que têm baixo risco de desenvolver recorrência, enquanto aumenta o uso da combinação de radioterapia e quimioterapia em mulheres com alto risco de recorrência e que precisam de tratamento", disse Alexi A. Wright, co-presidente do Painel de Peritos da ASCO que aprovou a diretriz. "Precisamos melhorar os resultados para as mulheres com câncer de endométrio", diz.

Recomendações

Segundo as diretrizes, para mulheres que se submeteram a uma histerectomia total com ou sem dissecção de linfonodos, é razoável evitar a radioterapia se tiverem câncer estadio 1 ou 2 com ou sem invasão ou <50% de invasão do miométrio. O guideline também afirma que a braquiterapia intravaginal é tão eficaz quanto radiação pélvica na prevenção da recorrência para pacientes com tumores estadios 1 ou 2 com>50% de invasão do miométrio ou tumores estadio 3 com <50% de invasão do miométrio.

A melhor evidência disponível no momento sugere que opções razoáveis para o tratamento adjuvante de pacientes com linfonodos positivos ou envolvimento da serosa uterina, ovários/trompas de Falópio, vagina, bexiga ou reto inclui radioterapia externa, bem como a quimioterapia adjuvante.

A ASCO considera ainda os efeitos do tratamento do câncer na fertilidade, que não foram abordados na orientação inicial. Um número crescente de mulheres em idade fértil está sendo diagnosticada com câncer de endométrio nos Estados Unidos, o que é atribuído à crescente prevalência de obesidade e diabetes. Esta tendência, juntamente com a gravidez tardia, tem levado a um maior enfoque sobre as opções que podem preservar a função ovariana e a fertilidade. A Sociedade Americana de Oncologia Clínica ressalta que tratamentos de câncer, incluindo radiação, quimioterapia e cirurgia, podem levar à perda de fertilidade.

Segundo Ferrigno, o principal avanço nos últimos anos, e que estão ratificados nos guias práticos da ASTRO e da ASCO, é o emprego de apenas braquiterapia de fundo vaginal nas pacientes com câncer de endométrio, histologia endometrióide, graus histológicos 1 e 2 e confinados ao corpo do útero e para grau 3 com invasão < 50% do miométrio, com ou sem dissecção linfonodal. “A radioterapia externa fica reservada para histologias desfavoráveis, grau histológico III e > 50% de invasão do miométrio, invasão de colo uterino (estádio 2) e estádio 3”, explica.
 
Outra consideração dos guias práticos é o emprego da quimioterapia nos estádios localmente avançados e desfavoráveis. No entanto, estudos fase 3 estão em andamento para ratificar o real benefício da quimioterapia.

O especialista ressalta que a informação mais importante para a prática da radioterapia no Brasil é a ausência de recomendação da associação de radioterapia externa e braquiterapia em qualquer situação. Essa estratégia de combinação só aumenta as chances de complicações e sem qualquer benefício comprovado. “Infelizmente, essa prática ainda é muito frequente no Brasil e a grande contribuição desses dois guias práticos é justamente diminuir a toxicidade do tratamento adjuvante para o câncer de endométrio”, finaliza.

Referência: Postoperative Radiation Therapy for Endometrial Cancer: American Society of Clinical Oncology Clinical Practice Guideline Endorsement of the American Society for Radiation Oncology Evidence-Based Guideline - Larissa A. Meyer, Kari Bohlke, Matthew A. Powell, Amanda N. Fader, Gregg E. Franklin, Larissa J. Lee, Daniela Matei, Lourie Coallier and Alexi A. Wright

 


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