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AtualizadoSáb, 18 Set 2021 9pm

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Daichii Sankyo

Coberturas Especiais

Gravidez após câncer de mama não aumenta chance de recorrência

Gravidez_NET_OK.jpgUm estudo retrospectivo, multicêntrico, com 1.200 mulheres mostrou que as sobreviventes que ficaram grávidas após o diagnóstico de câncer de mama inicial, incluindo aquelas com tumores receptor de estrogênio positivo (ER+), não apresentaram maior chance de recorrência e morte por câncer em comparação com aquelas que não engravidaram. "É uma notícia reconfortante para muitas mulheres jovens que querem aumentar suas famílias", afirmou Erica L. Mayer, expert da ASCO.

O câncer de mama é o câncer mais comum em mulheres em idade reprodutiva. Considerando a tendência atual de retardar a idade da maternidade, o câncer de mama em mulheres jovens pode ocorrer antes da conclusão dos planos reprodutivos. Embora metade das mulheres jovens com câncer de mama recentemente diagnosticado tenha planos de ter filhos, menos de 10% engravidam após o tratamento.1 Na verdade, entre todos as sobreviventes de câncer, as pacientes que tiveram câncer de mama são as menos propensas a ter um bebê após o diagnóstico.
 
Há muito tempo médicos e pacientes se preocupam com o fato da gravidez poder aumentar a chance de recorrência de câncer de mama, especialmente para mulheres com doença ER-positiva. Como o câncer de mama ER+ é alimentado por estrogênio, o receio é que os níveis hormonais durante a gravidez possam estimular o crescimento das células cancerosas ocultas, que podem permanecer no corpo após o tratamento.
 
Outra preocupação com a gravidez em mulheres com câncer de mama ER+ é a interrupção da terapia hormonal adjuvante antes de tentar a gravidez. A terapia hormonal ajuda a prevenir a recorrência do câncer e é recomendada por pelo menos 5 anos e, em alguns casos, até 10 anos.
 
"Nossas descobertas confirmam que a gravidez após o câncer de mama não deve ser desencorajada, mesmo para mulheres com câncer ER+", disse o autor principal do estudo, Matteo Lambertini, médico oncologista no Institut Jules Bordet, em Bruxelas, na Bélgica. "No entanto, ao decidir quanto tempo aguardar antes de engravidar, pacientes e médicos devem considerar o risco de recorrência individual de cada mulher, particularmente para as mulheres que precisam de terapia hormonal adjuvante", observou.
 
Sobre o estudo
 
Este é o maior estudo a investigar a segurança da gravidez após o câncer de mama e o único a abordar esta questão especificamente em mulheres com doença ER+, o tipo mais comum de câncer de mama.
O estudo incluiu mulheres com menos de 50 anos diagnosticadas com câncer de mama não metastático antes de 2008. A maioria (57%) tinha câncer ER-positivo, e mais de 40% apresentavam fatores prognósticos ruins, como grande tamanho do tumor e doença espalhada para os linfonodos axilares. Entre as 1.207 pacientes incluídas no estudo, 333 mulheres ficaram grávidas, e 874 não engravidaram. De acordo com o desenho do estudo caso-controle, os pesquisadores correlacionaram cada paciente grávida com três pacientes com características de câncer semelhantes, mas que não engravidaram (1:3).
 
O tempo médio desde o diagnóstico até a concepção foi de 2,4 anos. O estudo mostrou uma tendência das mulheres com câncer de mama ER-positivo engravidarem mais tarde em comparação com as pacientes com doença ER-negativa; 23% das pacientes com doença ER-positiva apresentaram gravidez mais de 5 anos após o diagnóstico, em comparação com 7% nas mulheres que tiveram tumores ER-negativos.
 
O endpoint primário foi a sobrevida livre de doença em pacientes com câncer de mama ER+. Os endpoints secundários foram sobrevida livre de doença e sobrevida global em pacientes ER-negativo e todos os pacientes, independentemente do status ER. Também foi avaliado o impacto do aborto induzido nos resultados do câncer de mama.
 
Principais resultados
 
Após 12,5 anos, não houve diferença na sobrevida livre de doença entre pacientes grávidas e não grávidas com câncer de mama ER+ (hazard ratio [HR] 0,94; intervalo de confiança 95% [CI] 0,70-1,26; p = 0,68), câncer de mama ER- (HR 0,75; IC 95%: 0,53-1,06; p = 0,10), e todas as pacientes (HR 0,85; IC 95%: 0,68-1,06; p = 0,15).
 
Não houve diferença na sobrevida global entre as duas coortes em pacientes com câncer de mama ER+ (HR 0,84; IC 95% 0,60-1,18; p = 0,32). Já as sobreviventes de câncer de mama ER-negativo que ficaram grávidas tiveram 42% menos chances de morrer em comparação com aquelas que não engravidaram (HR 0,57; 95 % CI 0,36-0,90; p = 0,01), produzindo uma estimativa geral significativa (HR 0,72; 95% CI: 0,55-0,94; p = 0,02). O aborto não teve impacto no resultado (HR 0,80; 95% CI: 0,56-1,13; p = 0,20), independentemente do status de ER.
 
"É possível que a gravidez possa ser um fator protetor para pacientes com câncer de mama ER-negativo, através de mecanismos do sistema imunológico ou mecanismos hormonais, mas precisamos de mais pesquisas específicas sobre isso", disse Lambertini.
 
Embora houvesse dados limitados sobre aleitamento materno neste estudo (64 pacientes, com 25 mulheres que relataram ter amamentado seu recém-nascido), os resultados sugerem que a amamentação é viável, mesmo após a cirurgia de mama.
 
Próximos passos
 
Apesar de ser um estudo grande, o trabalho teve informações limitadas sobre o uso de tecnologias de reprodução assistida (como fertilização in vitro) em sobreviventes de câncer de mama, e o status HER2 era desconhecido em cerca de 80% das participantes. Outras pesquisas também são necessárias para estudar o efeito da gravidez sobre os resultados de saúde de mulheres com mutações BRCA, grupo que geralmente desenvolve câncer de mama em idade mais jovem.
 
O estudo clínico em andamento POSITIVE está investigando o impacto da interrupção da terapia hormonal adjuvante para permitir a gravidez em mulheres com câncer de mama ER-positivo, e deve fornecer uma visão mais aprofundada sobre o impacto das tecnologias reprodutivas e da amamentação.
 
O trabalho foi parcialmente apoiado por subsídios do Les Amis de l'Institut Bordet e da European School of Oncology (ESO). O estudo do International Breast Cancer Study Group (IBCSG) que forneceu informações sobre as pacientes para esta pesquisa, foi parcialmente financiado pelos National Institutes of Health.
 
1 - Letourneau JM, et al. Pretreatment fertility counseling and fertility preservation improve quality of life in reproductive age women with cancer. Cancer. 2012 Mar 15;118(6):1710-7
 
Referência: Abstract LBA10066: Safety of pregnancy in patients (pts) with history of estrogen receptor positive (ER+) breast cancer (BC): Long-term follow-up analysis from a multicenter study. - Matteo Lambertini et al - Citation: J Clin Oncol 35, 2017 (suppl; abstr LBA10066)

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