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AtualizadoQua, 13 Nov 2019 1pm

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Câncer gástrico em mulheres jovens na América Latina

dienstmann 19 okEstudo retrospectivo mexicano apresentado no ESMO GI 2019, em Barcelona, mostrou que um em cada sete dos mais de dois mil pacientes diagnosticados com câncer gástrico entre 2004 e 2016 e tratados no Instituto Nacional do Câncer (INCAN), no México, tinha menos de 40 anos. “Os médicos não devem ignorar a possibilidade de câncer gástrico na população jovem, particularmente na América Latina ou entre hispânicos na América do Norte", observou o oncologista Rodrigo Dienstmann (foto), do Instituto Vall d'Hebron de Oncologia, em Barcelona, ​​Espanha.

"No nosso centro, temos visto um aumento de 120% no câncer gástrico em pacientes mais jovens nos últimos 12 anos e este aumento foi principalmente em pacientes do sexo feminino, que geralmente apresentam doença mais avançada e piores indicadores prognósticos em comparação com os homens", disse o autor do estudo Germán Calderillo-Ruiz, do National Cancer Institute, em Tlalpan, México.

O câncer gástrico tem sido considerado uma doença da população idosa em todo o mundo. Na última década, o câncer gástrico aumentou na população mais jovem (≤ 40 anos) até 15%, com maior incidência em mulheres. Esses pacientes permanecem assintomáticos, com diagnóstico tardio e fatores de mau prognóstico, como tipo e grau histológico. O objetivo do estudo foi descrever a prevalência e fatores prognósticos, e suas relações com a sobrevida global em pacientes latinos ≤ 40 anos com adenocarcinoma gástrico tratados no INCAN, México.

Os pesquisadores analisaram ​​dados de 2022 pacientes com adenocarcinoma gástrico diagnosticados entre 2004 e 2016, dos quais 290 pacientes (14%) tinham menos de 40 anos. Destes, 54% eram mulheres e 46% eram homens, com média de idade de 34,6 anos (4,9 IC) em ambos os grupos.

As localizações dos tumores primários foram gástrica (93%) e junção esofagogástrica (7%). Os dados histológicos foram tipo difuso (70%), células de anel de sinete (72%) e pouco diferenciado (87%). Os tumores foram classificados como estádio clínico I-III (8%) por gastrectomia total ou parcial; localmente avançado (16%); e estádio clínico IV (76%) por tomografia e/ou laparoscopia. Todos os pacientes receberam o tratamento oncológico convencional +/- tratamento de suporte aprovado pelas diretrizes institucionais de manejo.

Resultados

Em comparação com os pacientes do sexo masculino, as mulheres apresentaram níveis mais altos de fatores que indicam pior prognóstico: tumor do tipo difuso (68% vs 32%; P = 0,127), células em anel de sinete (76% vs 69%; P = 0,049), tumor pouco diferenciado (89% vs 84%; P = 0,014) e maior prevalência de doença em estádio IV (59% vs 41%; P = 0,011).

Na análise da sobrevida global, foi observada uma mediana de 7 versus 8 meses para mulheres e homens (P = 0,030; HR 1,29; 95% IC, 1,05-1,65). A mediana de sobrevida global foi significativamente pior em pacientes com tumores na junção esofagogástrica (7 vs 14 meses; P = 0,23; HR 0,68; 95% IC, 1,05-2,688) e doença mais avançada - estágios clínicos I-III, localmente avançado e estádio IV (33, 12 e 5 meses, respectivamente; P = 0,001; HR = 2,28; 95% IC, 1,72-3,01).

Além disso, foram observadas diferenças significativas na mediana da SG entre os estádios clínicos I-III, LA e IV com 33, 12 e 5 meses, respectivamente (P = 0,001; HR 2,28; 95% IC 1,72-0,01). Na análise de regressão de Cox, os preditores independentes de SG foram mantidos em gênero (p = 0,038, HR 1,29, 95% IC 1,01-1,65), tumor primário (p = 0,020, HR 1,68, 95% IC 1,05-2,68) e estádio clínico (p = 0,001, HR 2,28, 95% IC 1,72-3,01). Células de anel de sinete, tipo difuso e pouca diferenciação não mostram significância estatística.

"Não podemos mudar os fatores genéticos, mas podemos agir com base na dieta não saudável, obesidade e infecção não tratada pelo Helicobacter pylori que aumentam o risco de câncer gástrico. A infecção por Helicobacter pode causar inflamação crônica e lesões precursoras do câncer gástrico mas, uma vez diagnosticada, pode ser curada com uma combinação de antibióticos e drogas para reduzir a acidez do estômago", observa Dienstmann.

O especialista ressalta que pessoas mais jovens que experimentam indigestão, azia ou outros sintomas gástricos não devem ignorá-los, pois provavelmente precisam de testes diagnósticos. “Os médicos devem considerar a possibilidade de câncer gástrico na população jovem, particularmente na América Latina ou entre hispânicos na América do Norte", diz.

Estudos epidemiológicos e moleculares estão sendo conduzidos na América Latina e na Europa para investigar os diferentes subtipos moleculares de câncer gástrico nas regiões e melhorar a compreensão dos fatores de risco nessas populações.2

"A falta de recursos financeiros pode afetar o comportamento das mulheres de atrasar a busca de assistência médica quando os sintomas gástricos aparecem. Esperamos que esta pesquisa conscientize médicos e pacientes sobre o risco de câncer gástrico em pessoas mais jovens e, em particular, incentive as mulheres com sintomas gástricos a procurar ajuda médica mais cedo", concluiu Calderillo-Ruiz.

Referências:

1 - Abstract – P-145 'Gastric cancer in young Latin women: bad prognostic factors and outcomes - G Calderillo-Ruiz et al - Annals of Oncology 30 (Supplement 4): iv137–iv151, 2019. doi:10.1093/annonc/mdz155

2 - Projects such as the Legacy project financed by European Commission Horizon 2020 grants (https://legacy-h2020.eu/).

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