19062021Sáb
AtualizadoQui, 17 Jun 2021 6pm

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Daichii Sankyo

ASCO 2015

ASCO 2015: dissecção linfonodal não impacta sobrevida em melanoma

BALANCO_MELANOMA_bx.jpgUm estudo randomizado considerou que a dissecção linfonodal não melhora a sobrevida em melanoma mesmo após uma biópsia positiva do linfonodo, o que provavelmente irá mudar a prática e concluir um longo debate sobre o papel desta abordagem. Acompanhe a cobertura completa da ASCO 2015.

Os pacientes com câncer detectado no linfonodo sentinela após biópsia são considerados com maior risco de recorrência e metástase de melanoma. Em todo o mundo, é recomendável que tais pacientes sejam submetidos à dissecção linfonodal completa, um procedimento cirúrgico extenso que envolve a remoção de grupos inteiros de linfonodos, e acarreta o risco de efeitos colaterais debilitantes, incluindo infecção, danos neurais e linfedema. De acordo com os autores, o linfedema pode ocorrer em mais de 20% dos pacientes e persistir a longo prazo em 5% a 10% dos casos.
 
"Acredito que nosso estudo é o começo do fim de uma recomendação geral para a dissecção completa de linfonodos em pacientes com linfonodos sentinela positivo", disse o autor senior do estudo, Claus Garbe, professor de dermatologia na Universidade de Tübingen, Alemanha. "No entanto, é possível que esta cirurgia proporcione uma vantagem de sobrevida menor do que este estudo detectou. Os médicos devem discutir estes resultados com seus pacientes para ajudá-los a decidir se o procedimento é adequado para eles", acrescentou. 

Métodos e resultados

1.258 pacientes com melanoma cutâneo do tronco e extremidades e com biópsia positiva para linfonodo sentinela foram avaliados. Destes, 483 (39%) aceitaram randomização no estudo clínico.
 
Após a cirurgia para remover o tumor primário, 483 pacientes com melanoma estadio III e biópsia de linfonodo positivo foram aleatoriamente designados para observação ou dissecção linfonodal. 241 pacientes foram submetidos à observação e 242 receberam dissecção linfonodal completa. Sobrevida livre de progressão, livre de metástases à distância e sobrevida específica por melanoma foram analisadas como endpoints.
 
Na análise de intenção de tratamento, os dois grupos não foram significativamente diferentes na distribuição da idade, sexo, localização, ulceração, espessura do tumor (mediana de 2,4 mm em ambos os grupos), número de linfonodos positivos, ou a carga tumoral no linfonodo sentinela.
 
Os pacientes no grupo de observação foram monitorados para sinais de recorrência da doença, submetidos a um exame de ultrassom linfonodal a cada três meses e tomografia/ ressonância magnética ou PET scan a cada seis meses. Os pacientes do grupo da dissecção seguiram a mesma agenda de check-ups após o procedimento. A mediana de acompanhamento foi de 35 meses.
 
No grupo de observação, 14,6% dos pacientes desenvolveram metástases dos linfonodos regionais (próximos do tumor primário), em comparação com 8,3% no grupo da dissecção. No entanto, as diferenças na sobrevida livre de recidiva em três e cinco anos, sobrevida livre de metástases à distância, e sobrevida específica de melanoma não foram estatisticamente significativas entre os dois grupos. Com base no desenho do estudo, uma diferença de sobrevida de 10% ou superior entre os dois grupos de tratamento foi considerada estatisticamente significativa.
 
Nenhuma diferença significativa relacionada com o tratamento foi observada na SLP (P=0,72), metástases distantes livres (P=0,76) e sobrevida específica de melanoma (P=0,86) em 5 anos na população total do estudo.
 
"Este é o primeiro estudo a oferecer uma evidência sólida de que muitos pacientes com melanoma não precisam de uma extensa cirurgia linfonodal. Os resultados deverão reduzir a utilização de uma abordagem utilizada há muito tempo. Esta é uma grande notícia para os pacientes, que podem renunciar a cirurgias extensas sem comprometer suas chances de sobrevida", disse Lynn Schuchter, da Universidade da Pensylvannia, que comentou o estudo na ASCO.
 
Somente pacientes com metástases microscópicas foram incluídos neste estudo. Segundo os autores, a dissecção continuará sendo recomendada para pacientes com metástases maiores, clinicamente detectáveis (macrometástases).
 
Outra análise deste estudo está prevista em três anos. Garbe afirmou que é improvável que os resultados gerais do estudo mudem, porque a pesquisa anterior tem mostrado que a maioria (cerca de 80%) de recidivas de melanoma acontecem nos primeiros três anos após o diagnóstico inicial.
 
Outro estudo randomizado de dissecção linfonodal completa, o MSLT-II, é maior e projetado para detectar uma diferença ainda menor (5%) na sobrevida. Os resultados finais do MSLT-II não são esperados até 2022.
 
O estudo recebeu financiamento do GermanCancerAid.
 
Referência:Survival of SLNB-positive melanoma patients with and without complete lymph node dissection: A multicenter, randomized DECOG trial. (LBA9002 - J ClinOncol 33, 2015)
 

 

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