20062021Dom
AtualizadoQui, 17 Jun 2021 6pm

PUBLICIDADE
Daichii Sankyo

Câncer e obesidade, qual a evidência?

As taxas de obesidade vêm aumentando em todo o mundo, e o Brasil acompanha essa tendência. Além de se relacionar ao aumento da incidência de diversos tipos de neoplasias, como tumores de mama, endométrio e esôfago, a obesidade também se correlaciona a pior prognóstico e maior mortalidade de certos grupos de tumores. Dessa forma, o controle do peso torna-se um dos fatores modificáveis mais importantes na prevenção e controle do câncer, devendo se tornar discussão rotineira entre os médicos e seus pacientes.

As taxas de obesidade vêm aumentando em todo o mundo, e o Brasil acompanha essa tendência. Além de se relacionar ao aumento da incidência de diversos tipos de neoplasias, como tumores de mama, endométrio e esôfago, a obesidade também se correlaciona a pior prognóstico e maior mortalidade de certos grupos de tumores. Dessa forma, o controle do peso torna-se um dos fatores modificáveis mais importantes na prevenção e controle do câncer, devendo se tornar discussão rotineira entre os médicos e seus pacientes.

{jathumbnail off}No Brasil, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer para o ano de 2014, são esperados aproximadamente 576 mil casos novos de câncer1.

Tanto estratégias de rastreamento quanto de prevenção são eficazes para reduzir a mortalidade relacionada ao câncer; estima-se que 50% das neoplasias sejam passíveis de prevenção2. Dentre os inúmeros fatores de risco associados ao desenvolvimento de tumores, a obesidade vem ganhando papel de destaque, sendo citada como “o novo tabaco”4. Nos Estados Unidos, as taxas de obesidade são alarmantes e dados brasileiros apontam a mesma tendência. Em levantamento do Ministério da Saúde realizado no ano de 2013, 50.8% da população adulta estava acima do peso3.

Estudo prospectivo com uma coorte de 900.000 adultos saudáveis acompanhados durante 16 anos demonstrou que indivíduos obesos apresentaram um risco significativamente maior de desenvolver um câncer e de falecer em decorrência dessa neoplasia em relação àqueles não obesos5. Diversos tipos de neoplasias estão relacionados à obesidade ou excesso de peso, incluindo associações mais conhecidas como câncer colo-retal, câncer de mama em mulheres pós-menopausadas e câncer de endométrio6, até associações menos comuns, como pâncreas, esôfago, tireóide, linfoma não-Hodgkin, leucemia, mieloma e tumores de próstata agressivos7,8.

Por exemplo, indivíduos com índice de massa corpórea superior a 30 tem 2 vezes mais risco de desenvolver um tumor pancreático7. Os mecanismos responsáveis pelo aumento da incidência de neoplasias variam de acordo com o tipo de tumor, com destaque para o aumento da produção endógena de estrógenos nos tumores de mama e endométrio e no aumento da produção de IGF-1 (fator de crescimento insulina símile) e de agentes inflamatórios para os tumores de cólon2.De uma forma geral, acredita-se que os adipócitos possam exercer certo grau de regulação sobre a cascata de sinalização intra-celular, como ativação da via m-Tor, levando à proliferação e carcinogênese.

A obesidade também se relaciona a pior prognóstico em indivíduos acometidos por tumores em estadio inicial. Para mulheres com câncer de mama, por exemplo, diversos estudos demonstram a relação entre o peso ao diagnóstico e o risco de recorrência e mortalidade – quanto maior o peso, pior o desfecho, mesmo para aquelas pacientes tratadas adequadamente com os regimes de quimio e radioterapia indicados9-13.

Em uma metanálise envolvendo 43 estudos, evidenciou-se 33% de aumento de mortalidade em geral e relacionada ao câncer de mama em mulheres obesas comparadas com pacientes não-obesas9. Alguns estudos sugerem que o peso corporal pode influenciar a resposta ao tratamento local e sistêmico em homens com tumores de próstata inicial e avançado14,15. De maneira semelhante, resultados de uma metanálise com estudos envolvendo pacientes submetidos à quimioterapia adjuvante baseada em 5FU para tumores de cólon estadio II e III demonstraram uma relação significante entre o aumento do índice de massa corpórea e a diminuição da sobrevida livre de progressão e sobrevida global16.

Dessa forma, esforços para a manutenção de um peso saudável tornam-se essenciais para a prevenção do câncer. Nesse contexto, a Sociedade Americana de Oncologia lançou o controle da obesidade como iniciativa fundamental para o biênio 2013-2014, buscando incentivar pesquisa em biologia da obesidade e câncer, promover a discussão entre oncologistas e pacientes sobre o controle de peso na prevenção primária e terciária de câncer e estimular hábitos de dieta equilibrada e atividade física.

Em resumo, as evidências sugerem fortemente o efeito causal entre a obesidade e o desenvolvimento de neoplasias e, em alguns casos, o seu pior prognóstico. Assim, a discussão sobre o peso e hábitos de vida saudáveis devem passar a permear as orientações ao paciente oncológico durante seu acompanhamento rotineiro.As taxas de obesidade vêm aumentando em todo o mundo, e o Brasil acompanha essa tendência. Além de se relacionar ao aumento da incidência de diversos tipos de neoplasias, como tumores de mama, endométrio e esôfago, a obesidade também se correlaciona a pior prognóstico e maior mortalidade de certos grupos de tumores. Dessa forma, o controle do peso torna-se um dos fatores modificáveis mais importantes na prevenção e controle do câncer, devendo se tornar discussão rotineira entre os médicos e seus pacientes.

Autor(es):

Lucíola Pontes - Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. - oncologista clínica do HCor-Onco

Gilberto de Lima Lopes Junior - Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. - médico oncologista do Centro Paulista de Oncologia, coordenador do HCor Onco e diretor científico do Grupo Oncoclínicas do Brasil. É professor assistente de oncologia na Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins e editor associado da Universidade da ASCO.

Ariane Vieira Scarlatelli Macedo - Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. - vice-presidente do Grupo de Estudos de Cardio-Oncologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Atua como consultora em cardio-oncologia para a rede OncoClínicas do Brasil.

{jd_file file==16}

Referências

1-      Incidência de Câncer no Brasil – Estimativa 2014. Instituto Nacional do Câncer. Disponível em: http://www.inca.gov.br/estimativa/2014/index.asp?ID=2

2-     Wolin KY, Carson K, Colditz GA. Obesity and cancer. Oncologist. 2010;15(6):556.

3-      Disponível em: http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2014/04/30/pela-primeira-vez-em-anos-brasil-estabiliza-taxas-de-sobrepeso-e-obesidade.htm

4-      Eheman C, Henley SJ, Ballard-Barbash R, et al. Annual Report to the Nation on the status of cancer, 1975-2008, featuring cancers associated with excess weight and lack of sufficient physical activity. Cancer. 2012 May 1;118(9):2338-2366.

5-      Calle E, Rodriguez C, Walker-Thurmond K, Thun M. Overweight, obesity, and mortality from cancer in a prospectively studied cohort of U.S. adults. N Engl J Med. 2003 Apr 24;348(17):1625-1638.

6-     Wolin KY, Yan Y, Colditz GA, Lee IM. Physical activity and colon cancer prevention: a meta-analysis. Br J Cancer. 2009;100(4):611.

7-     Renehan AG, Tyson M, Egger M, Heller RF, Zwahlen M. Body-mass index and incidence of cancer: a systematic review and meta-analysis of prospective observational studies. Lancet. 2008;371(9612):569.

8-     Freedland SJ, Platz EA. Obesity and prostate cancer: making sense out of apparently conflicting data.Epidemiol Rev. 2007;29:88.

9-     Protani M, Coory M, Martin JH. Effect of obesity on survival of women with breast cancer: systematic review and meta-analysis. Breast Cancer Res Treat. 2010 Oct;123(3):627-635.

10-  Chlebowski R, Aiello E, McTiernan A. Weight loss in breast cancer patient management. J Clin Oncol. 2002 Feb 15;20(4):1128-1143.

11-  Sparano JA, Wang M, Zhao F, et al. Obesity at diagnosis is associated with inferior outcomes in hormone receptor-positive operable breast cancer. Cancer. 2012 Dec 1;118(23):5937-5946.

12-  Sestak I, Distler W, Forbes JF, Dowsett M, Howell A, Cuzick J. Effect of body mass index on recurrences in tamoxifen and anastrozole treated women: an exploratory analysis from the ATAC trial.J Clin Oncol. 2010 Jul 20;28(21):3411-3415.

13-  Ewertz M, Gray KP, Regan MM, et al. Obesity and risk of recurrence or death after adjuvant endocrine therapy with letrozole or tamoxifen in the breast international group 1-98 trial. J Clin Oncol. 2012 Nov 10;30(32):3967-3975.

14-  Stroup SP, Cullen J, Auge BK, L'Esperance JO, Kang SK. Effect of obesity on prostate-specific antigen recurrence after radiation therapy for localized prostate cancer as measured by the 2006 Radiation Therapy Oncology Group-American Society for Therapeutic Radiation and Oncology (RTOG-ASTRO) Phoenix consensus definition. Cancer. 2007 Sep 1;110(5):1003-1009.

15-  Efstathiou JA, Bae K, Shipley WU, et al. Obesity and mortality in men with locally advanced prostate cancer: analysis of RTOG 85-31. Cancer. 2007 Dec 15;110(12):2691-2699.

16-  Sinicrope FA, Foster NR, Yothers G, et al. Body mass index at diagnosis and survival among colon cancer patients enrolled in clinical trials of adjuvant chemotherapy. Cancer. 2013 Apr 15;119(8):1528-1536.

 
 
 
 


Publicidade
NEXT FRONTIERS 2021
Publicidade
MERCK
Publicidade
SANOFI
Publicidade
banner astellas 2019 300x250
Publicidade
banner libbs2019 300x250

Estudos Clínicos

Qualidade de vida após o câncer de mama, desafios e perspectivas 

Qualidade de vida após o câncer de mama, desafios e perspectivas 

Thiago Vidal Brito (foto), médico do Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (IBCC - São Camilo Oncologia ), é o investigador principal de estudo aberto a recrutamento de pacientes, com o objetivo de avaliar a qualidade de vida de mulheres que sobreviveram ao câncer de mama. O estudo espera identificar possíveis repercussões da doença e de seus tratamentos à qualidade de vida após 1 ano (12 meses) e 2 anos (24 meses) do tratamento primário.

Leia Mais

Publicidade
Zodiac
Publicidade
300x250 ad onconews200519