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AtualizadoTer, 12 Dez 2017 1am

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Merck

Trastuzumabe para câncer de mama metastático é incorporado no SUS

BARRIOS NET OKO trastuzumabe foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento em primeira linha do câncer de mama HER2-positivo metastático. O anticorpo monoclonal estava disponível desde 2013 apenas para pacientes câncer de mama HER2-positivo inicial e estádio III em associação a outro quimioterápico ou em monoterapia. A decisão foi divulgada pelo Ministério da Saúde na quinta-feira, 03 de agosto, e publicada através da Portaria n° 29 no Diário Oficial da União. O prazo para disponibilização da tecnologia é de até 180 dias. O oncologista Carlos Barrios (foto), diretor executivo do LACOG e do Hospital do Câncer Mãe de Deus, comenta a decisão.

“Antes tarde do que nunca. Já fazem 17 anos desde que sabemos que o trastuzumabe faz parte do tratamento da doença metastática HER2+. Agora, o que temos que fazer é aprender, estudar o que mudou no governo, na indústria, o que outras entidades como as sociedades médicas eventualmente possam ter feito, e aprender com esse processo para que isso não aconteça nunca mais. Para mim, essa é o recado mais importante”, afirma Barrios.

Apesar de incluído na lista de medicamentos essenciais da Organização Mundial da Saúde (OMS), o sistema de saúde público brasileiro não fornecia o trastuzumabe no cenário da doença avançada.

Em junho deste ano, os membros da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC) deliberaram por unanimidade recomendar a incorporação do trastuzumabe para o tratamento do câncer de mama HER2-positivo metastático em primeira linha de tratamento.

Os membros discutiram a necessidade de se estabelecer critérios bem definidos de inclusão de pacientes, além de negociação de preço com a empresa fabricante do medicamento. Ressaltaram também que a ampliação do diagnóstico precoce do câncer de mama seria uma alternativa muito mais custo-efetiva.

Impacto na mortaliade

Ano passado, Barrios publicou um estudo no Journal of Global Oncology (JGO) que buscou estimar o impacto da falta de acesso a terapias anti-HER2 na mortalidade de pacientes com câncer de mama avançado HER2-positivo tratados no sistema de saúde pública no Brasil.

No estudo, os pesquisadores estimaram que 2.008 mulheres seriam diagnosticadas com câncer de mama metastático HER2-positivo em 2016, número foi obtido pela soma das pacientes com doença em estágio IV em 2016 (513 mulheres), mais aquelas que desenvolvem uma recorrência da doença após receber tratamento (neo) adjuvante (1.495 mulheres) nos últimos 5 anos (estimado com base nos resultados do estudo HERA).

De acordo com a literatura, a mediana de sobrevida global estimada para os grupos de tratamento é de 20,3 meses para a quimioterapia isolada; 40,8 meses para quimioterapia mais trastuzumabe; e 56,5 meses para quimioterapia mais trastuzumabe e pertuzumabe. A CONITEC também está avaliando a incorporação do duplo bloqueio de trastuzumabe e pertuzumabe para esse subgrupo de pacientes.

Considerando 2.008 mulheres com câncer de mama HER2-positivo metastático em 2016 e com base nos resultados de sobrevida global, as taxas de mortalidade média de 50, 25 e 18 mortes por mês foram estimadas para o tratamento do braço isolado de quimioterapia, quimioterapia mais trastuzumabe e quimioterapia mais trastuzumabe e pertuzumabe, respectivamente.

Com a aplicação destas taxas de mortalidade mensais para os próximos 24 meses, os pesquisadores calculam que das 2.008 mulheres com doença metastática em 2016, 808 mulheres estariam vivas após 2 anos de follow-up, se tratadas com quimioterapia isolada. Se estas mesmas mulheres forem tratadas com quimioterapia mais trastuzumabe (como no braço controle do estudo CLEOPATRA), o número de pacientes vivas após 2 anos aumentaria para 1.408, o que representa um ganho absoluto de mais de 600 mulheres vivas após 2 anos.

 


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