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AtualizadoQui, 19 Out 2017 3pm

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Estudo brasileiro avalia cirurgia conservadora no câncer cervical

GLAUCO NET OKO cirurgião oncológico Glauco Baiocchi (foto), diretor do Departamento de Ginecologia Oncológica do A.C.Camargo Cancer Center e membro do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA/GBTG) é o primeiro autor de um estudo publicado na edição de julho da Ginecology Oncology. O trabalho, que foi tema de editorial da edição, analisou 345 mulheres com câncer cervical de estágio Ia2 a Ib2 que foram submetidas à cirurgia radical entre janeiro de 1990 e outubro de 2016 e sugere que pacientes com características patológicas favoráveis apresentam baixo risco de invasão parametrial (PI) e podem se beneficiar de uma cirurgia menos radical.

O tratamento-padrão adotado hoje para pacientes com câncer de colo do útero com indicação cirúrgica é a histerectomia radical, que consiste na retirada do útero, do colo do útero, da parte superior da vagina, dos linfonodos e do paramétrio, realizada para se ter uma margem de segurança.

O que alguns trabalhos têm questionado é se o método é necessário para todas as pacientes. "A cirurgia tem consequências para qualidade de vida. O ureter, que conecta os rins à bexiga, passa por ali e precisa ser separado para remoção do paramétrio. A área também contém nervos que vão para a bexiga e o reto, o que pode causar retenção de urina ou urgência para urinar, além de perda de lubrificação vaginal e alterações no funcionamento do intestino. Se identificarmos o perfil das pacientes que podem receber uma cirurgia preservadora de nervos ou de não remoção do paramétrio, estaremos poupando-as destas morbidades", afirma Baiocchi.

Métodos e resultados

Os pesquisadores analisaram uma série de 345 pacientes com câncer cervical de estágio Ia2 a Ib2, para os quais foram submetidos a cirurgia radical de janeiro de 1990 a outubro de 2016 no AC Camargo Cancer Center.

Um total de 217 (62,9%) pacientes foram classificados como carcinoma de células escamosas e 128 (37,1%) apresentaram adenocarcinoma ou carcinoma adenoescamoso. Dezesseis (4,6%) pacientes apresentaram invasão parametrial. A presença de invasão perineural (p = 0,003), tamanho do tumor> 2 cm (p = 0,044), profundidade de invasão> 10 mm (p = 0,004), presença de invasão do espaço linfovascular (LVSI) (p <0,001) e metástase dos linfonodos (p <0,001) estava relacionada à PI.

Na análise multivariada, apenas a invasão do espaço linfovascular (p = 0,043) e metástase dos linfonodos (p <0,001) permaneceram fatores de risco para PI. Dos pacientes com tumores ≤ 2 cm e sem LVSI, apenas 1 (1,2%) apresentou PI. No entanto, essa paciente apresentava metástase ganglionar e invasão estromal profunda (> 10 mm). Nenhum paciente com tamanho de tumor ≤ 2 cm e gânglios linfáticos negativos tiveram PI.

Os autores concluíram que pacientes com tumores ≤ 2 cm e aquelas que não possuem LVSI são improváveis de ter PI, a menos que a metástase dos linfonodos ou a invasão estromal profunda esteja presente. “Nossos dados podem ajudar a selecionar os pacientes em que é necessária uma abordagem mais conservadora, como a histerectomia simples e a traquelectomia simples associada à linfadenectomia pélvica”, afirmaram.

Segundo Baiocchi, do ponto de vista da cirurgia, a diferença técnica é muito grande. “A avaliação linfonodal não muda, mas na cirurgia conservadora o útero é retirado como se estivesse operando um mioma. A cirurgia é muito mais rápida do que a histerectomia radical, o transoperatório é muito mais fácil, precisa de muito menos treinamento, e o risco de lesão urinária, de ureter e bexiga é muito menor. A preservação tem um potencial muito grande de melhoria de qualidade de vida para as pacientes”, diz.

Apesar de tantas vantagens, para que haja uma mudança de paradigma, é preciso resultados similares de outros estudos, o que o especialista acredita que deve acontecer nos próximos anos. “Sempre existe um excesso de cautela, um receio de estar oferecendo um tratamento, digamos assim, inadequado. Mas acredito que nos próximos cinco anos teremos novidades, e a cirurgia conservadora deve entrar na composição de novos guidelines e se tornar o padrão para esse subgrupo de pacientes”, conclui o especialista.

Referência: Is parametrectomy always necessary in early-stage cervical cancer? - Glauco Baiocchi, Louise de Brot, Carlos Chaves Faloppa, Henrique Mantoan, Matheus Rodrigues Duque, Levon Badiglian-Filho, Alexandre Andre Balieiro Anastacio da Costa, Lillian Yuri Kumagai - Volume 146, Issue 1, July 2017, Pages 16-19 - https://doi.org/10.1016/j.ygyno.2017.03.514


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