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AtualizadoTer, 24 Nov 2020 4pm

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Radioterapia pós-prostatectomia

Ferrigno_2_NET_OK.jpgA American Society for Radiation Oncology (ASTRO) apresentou os dados de longo prazo do estudo alemão ARO 96-02, com a análise de 10 anos de seguimento. O radio-oncologista Robson Ferrigno (foto), ex-presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia, analisa os resultados com exclusividade para Onconews.

Os resultados publicados no International Journal of Radiation Oncology (edição de 1º fevereiro/2015) demonstraram que pacientes com PSA detectável após prostatectomia devem receber radioterapia. O ensaio clínico prospectivo comparou a radioterapia adjuvante versus observação em pacientes com câncer de próstata previamente submetidos à prostatectomia radical. 

O estudo considerou pacientes tratados no período de 1997 a 2004, com câncer de próstata pT3-4pN0 com margens positivas ou negativas, previamente submetidos à prostatectomia radical. Vinte e dois centros na Alemanha participaram desta investigação. Ao todo, 159 pacientes foram randomizados para o braço A (observação) e 148 pacientes foram agrupados no braço B para receber radioterapia adjuvante. Setenta e oito pacientes que não alcançaram PSA indetectável foram transferidos para braço C. Quatro dos pacientes no braço C recusaram o tratamento, e 74 pacientes deste mesmo grupo foram tratados com radioterapia de resgate.

 
Todos os pacientes incluídos no estudo tinham um teste de PSA pré e pós-operatório, exames de imagem óssea e radiografia de tórax. Os pacientes no braço B receberam 60 Gy de radioterapia conformada 3-D, enquanto o braço C foi tratado com 66 Gy de radioterapia conformada 3-D. O acompanhamento foi realizado trimestralmente nos dois primeiros anos, duas vezes por ano entre o terceiro e o sexto ano de pós-tratamento, e depois anualmente. A mediana do tempo de seguimento foi de 112 meses (9,3 anos).
 
Dos 74 pacientes no braço C, 43 (58%) também foram submetidos à terapia hormonal, como resultado de recorrência (a critério médico). Sete pacientes no braço C, entre os 48 que tinham dados disponíveis para análise, apresentavam PSA indetectável após a conclusão da radioterapia de salvamento. Nos braços A e B, 20 pacientes (7%) apresentaram metástases à distância e no braço C, 12 pacientes (16%) tiveram metástases à distância.
 
Os pacientes com PSA detectável pós-prostatectomia (braço C) experimentaram efeitos colaterais limitados, como resultado da terapia de radiação. Os pacientes no braço C não relataram qualquer evento adverso de grau 3 ou 4. Sete pacientes apresentaram efeitos tardios graves. No braço C, 68% dos pacientes também não relataram qualquer toxicidade geniturinária tardia, e 80% não apresentaram nenhum tipo de toxicidade gastrointestinal durante o período de seguimento.
 
O método de Kaplan-Meier foi utilizado para analisar a sobrevida global (SG). Entre os pacientes do braço A, 86% tiveram uma taxa de SG em 10 anos. No braço B, a taxa foi de 83% de SG em 10 anos, enquanto os pacientes alocados no grupo C tiveram uma taxa de SG em 10 anos de 68%.
 
“Nossa análise demonstra que os pacientes que têm PSA detectável pós-prostatectomia podem se beneficiar de uma abordagem mais precoce da radioterapia, o que poderia melhorar os resultados de sobrevida", disse Thomas Wiegel, principal autor do estudo. 

Análise do especialista – Robson Ferrigno
 
Especialista brasileiro fala da atualização do estudo alemão ARO 96-02

O estudo alemão ARO 96-02/AUO 09/05 foi desenvolvido para avaliar o emprego da radioterapia após prostatectomia radical em pacientes com PSA após cirurgia < 0,1, estádio patológico pT3/T4 N0 e com idade menor que 76 anos.
 
Nessa atualização, a novidade apresentada em relação à atualização anterior, publicada na JCO em 2009 (Volume 27, Número 18), pelo mesmo autor, é o agrupamento de pacientes no braço C que apresentou PSA detectável após prostatectomia (0,05 - 5,6). Os pacientes desse grupo foram tratados com finalidade de resgate e não como adjuvantes e receberam dose maior na loja prostática (66 Gy).
 
No entanto, o estudo foi desenhado para pacientes com PSA após prostatectomia até 0,1 a 0,2 (valores considerados como limite para radioterapia adjuvante). Portanto, pacientes com PSA após prostatectomia maior que 0,2 deveriam ser excluídos do estudo e nem analisados. Como esperado, esses pacientes tiveram resultados piores de sobrevida, o que confirma o valor do PSA após prostatectomia como importante fator prognóstico. Infelizmente, não foram analisados os resultados dos pacientes com PSA entre 0,05 e 0,2 após prostatectomia.
 
Os demais dados repetem os resultados da última atualização, ou seja, a radioterapia adjuvante melhorou a sobrevida livre de recaída bioquímica, porém, sem impacto na sobrevida global entre os pacientes selecionados para o estudo.
 
A sobrevida global foi semelhante devido à possibilidade de tratamento com bloqueio hormonal de salvamento quando da recaída após radioterapia adjuvante.
 
O estudo continua demonstrando nessa nova atualização que empregar radioterapia após prostatectomia em pacientes estádio pT3/T4 NO, com PSA pós-prostatectomia radical menor que 0,2 e em idade menor que 76 anos, diminui as chances de recaída bioquímica e o emprego de novos tratamentos que podem comprometer a qualidade de vida dos pacientes, como o bloqueio androgênico.
Esses resultados corroboram os dos estudos SWOG 8794 e EORTC 22911.
 
Referência: Prostate-Specific Antigen Persistence After Radical Prostatectomy as a Predictive Factor of Clinical Relapse-Free Survival and Overall Survival: 10-Year Data of the ARO 96-02 Trial

DOI: http://dx.doi.org/10.1016/j.ijrobp.2014.09.039

Thomas Wiegel
, Detlef Bartkowiak, Dirk Bottke, Reinhard Thamm, Axel Hinke, Michael Stöckle, Christian Rübe, Axel Semjonow, Manfred Wirth, Stephan Störkel, Reinhard Golz, Rita Engenhart-Cabillic, Rainer Hofmann, Horst-Jürgen Feldmann, Tilman Kälble, Alessandra Siegmann, Wolfgang Hinkelbein, Ursula Steinere Kurt Miller
 


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