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AtualizadoSeg, 18 Jan 2021 11pm

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Daichii Sankyo

Novas estratégias para o tratamento do glioblastoma

Dr_Marcos_Net_OK.jpgDois estudos publicados no periódico Cancer Gene Therapy (Volume 22, edição 1, Janeiro de 2015) apontaram o potencial de novas estratégias de tratamento para o glioblastoma, o tumor maligno mais comum do sistema nervoso central. Marcos Maldaun (foto), presidente da Sociedade Latino-Americana de Neuro-Oncologia (SNOLA), comentou os estudos com exclusividade para o Onconews. 

O glioblastoma carrega um prognóstico muito ruim, com uma mediana de sobrevida de 14,6 meses e uma taxa de sobrevida em cinco anos de apenas 9,8% com um regime de tratamento composto de cirurgia, radioterapia e quimioterapia adjuvante com temozolomida.

Estudos pré-clínicos demonstraram a eficácia das células estaminais neurais (do inglês, neural stemcell - NSC) como vetor do vírus oncolítico em tumores cerebrais, incluindo glioma maligno, meduloblastoma e metástases cerebrais secundárias.

No estudo ‘Analysis of glioblastoma tumor coverage by oncolytic virus-loaded neural stem cells using MRI-based tracking and histological reconstruction’, Morshed e colegas estabeleceram a linhagem GBM43 de glioma humano no cérebro de camundongos, que em seguida receberam a administração de células estaminais neurais carregadas de adenovírus oncolítico (NSC-CRAd-S-pk7).

O objetivo era determinar os padrões de distribuição de células estaminais neurais carregadas com o vírus oncolítico (CRAd-S-pk7) e quantificar a área de cobertura tumoral atingida por essa estratégia. Para isso, foram utilizados métodos quantitativos e qualitativos, incluindo o cálculo da distância da célula para a borda do tumor, a visualização de acumulação intratumoral através de ressonância magnética (RM) e a reconstrução de imagens tridimensionais de amostras de tecido ex vivo. “Nós demonstramos pela primeira vez que tanto as células estaminais não modificadas como aquelas carregadas de adenovírus oncolítico compartilham um padrão de distribuição semelhante, com localização principalmente nas bordas tumorais”, explicam os autores. O estudo também permitiu visualizar o acúmulo destas células no tumor, bem como a propagação das partículas virais, através de imunofluorescência. “Nossa análise revelou que uma única administração de NSC-CRAd-S-pk7 permitiu mais de 31% de cobertura de tumores intracranianos”, disseram.
 
Segundo Marcos Maldaun, é sabido há mais de uma década que a terapia viral oncolítica é eficaz no tratamento dos gliomas malignos. “O grande desafio é a biodistribuição deste vírus em toda doença, comprometendo sua eficácia e segurança”, afirma.
 
Curiosamente, o potencial de cobertura não diferiu entre as células estaminais dos tumores GBM 43 quando comparadas áreas distintas, como o tecido adjacente à administração ou a área contralateral, demonstrando o comportamento migratório destas células.
 
Os resultados complementam relatórios anteriores e examinam questões críticas, como a extensão da cobertura terapêutica do NSC-CRAd-S-pk7c. “Nós demonstramos que a maioria das células estaminais neurais (carregadas ou não com vírus oncolítico) se distribuem na borda do tumor ou fora dele. Esta distribuição periférica foi confirmada utilizando reconstrução tridimensional de imagens”. O padrão de distribuição observado sugere que esta plataforma pode ser melhor utilizada em conjunto com outras terapias de glioblastoma que têm como alvo grandes quantidades de tumor, como citorredução cirúrgica e radioterapia.
 
Maldaun explica que assim como as nanopartículas, estas células tronco permitem uma distribuição do vírus por toda extensão da doença, devido seu tropismo, capacidade migratória e adaptabilidade do tumor e matrix extracelular. “Tal fato foi constatado tanto por ressonância magnética (células marcadas com ferumoxitol permitiam sua visualizaçao quantitativa) como por análise histológica, evidenciando boa capacidade migratória e distribuição espacial por toda lesão”, diz.
 
Os autores do estudo afirmam que com doses múltiplas ou a administração inicial de uma maior quantidade de NSC carregadas com vírus oncolítico pode ser possível conseguir uma cobertura mais ampla. “Em conclusão, nossos resultados demonstram que as células estaminais neurais carregadas com vírus oncolítico podem conseguir uma cobertura significativa do glioma intracraniano, após uma única administração”.
 
“Eventualmente estas células tronco podem se constituir em um excelente "carreador e distribuidor" de tratamento para pacientes com glioblastomas, superando todas as dificuldades já sabidas de biodistribuição de terapias oncóticas”, analisa o presidente da SNOLA. 

Barreira hemato-encefálica

A desvantagem da terapia atual de glioblastoma com anticorpos monoclonais é a necessidade de administração repetida por via intravascular e em altas doses. Embora a área alvo esteja dentro do sistema nervoso central, a entrega sistêmica resulta na distribuição de medicamentos para órgãos saudáveis e há difusão limitada no tumor. A terapia gênica dirigida ao sistema nervoso central ultrapassa estes desafios, eliminando potencialmente os efeitos secundários, enquanto mantém a dose eficaz a longo prazo, orientada para o local do tumor.

“Sabemos que a barreira hemato-encefálica constitui um mecanismo de defesa fundamental do SNC, mas em contrapartida é um obstáculo a drogas comprovadamente eficazes in-vitro no tratamento dos glioblastomas”, explica Maldaun. Ele acrescenta que a alta vascularização destes tumores, bem como expressão de receptores de membrana como VEGF, criam uma possibilidade de terapia anti-angiogênica como o bevacizumabe.

O segundo artigo publicado no Cancer Gene Therapy (Genetic modification of neurons to express bevacizumab for local anti-angiogenesis treatment of glioblastoma, Hicks et al)aborda a barreira hemato-encefálica, que representa um grande desafio para o desenvolvimento de uma terapia eficaz para o glioblastoma. O estudo avalia a eficácia de AAVrh.10BevMab, um vetor com adenovírus associado programado para entregar bevacizumabe (Avastin®) e suprimir o crescimento do glioblastoma humano no sistema nervoso central de ratos imunodeficientes.

Para evitar a barreira hemato-encefálica, os autores propõem utilizar um adenovírus-associado (AAV) para entregar anticorpos monoclonais diretamente aos neurônios. A estratégia clínica seria remover cirurgicamente o máximo possível do tumor e, ao mesmo tempo, administrar a área local com um vetor de AAV codificando o anticorpo terapêutico.
 
No primeiro conjunto de experiências, um grupo recebeu células U87MG e o vetor AAVrh.10BevMab simultaneamente. O grupo controle recebeu células de tumor e placebo. As cobaias foram submetidas à RM e avaliadas quanto ao volume do tumor, densidade vascular como evidência de neo-angiogênese, bem como a histologia do tumor.
 
A análise mostrou que a administração de AAVrh.10BevMab uma semana após o xenoenxerto da linhagem celular de glioblastomaU87MG reduziu o tumor e aumentou a sobrevida.
 
Os dados demonstraram um aumento estatisticamente significativo do tempo de sobrevida em camundongos que receberam o vetor AAVrh.10BevMab em ambas as estratégias experimentais (simultânea e pós-xenoenxerto). O tratamento concomitante com AAVrh.10BevMab aumentou o tempo médio de sobrevida em 42%, enquanto o tratamento após o enxerto levou a um aumento de 64% na sobrevida.
 
A detecção de níveis de proteína de bevacizumabe expressos pelo teste ELISA e pela análise de proteína total mostrou expressão localizada do anticorpo monoclonal na área da administração. Além disso, foram observados níveis de mRNA de bevacizumabe significativamente mais baixos ou abaixo do limite de detecção em órgãos periféricos (fígado, pulmão, coração e rim) e sangue.
 
Para Maldaun, o estudo evidenciou que a geneterapia viral com vetores de adenovírus modificados favorece o microambiente tumoral ao tratamento, potencializando o efeito do bevacizumabe. “Geneterapia moficada local pode favorecer e otimizar tratamento do GBM com várias drogas, mostrando-se um mecanismo interessante de "modificação e adaptação"do microambiente tumoral e glial à terapia anti-angiogênica e eventualmente outras drogas de mecanismos distintos”, conclui.
 
Referências: http://www.nature.com/cgt/journal/v22/n1/full/cgt201472a.html?WT.ec_id=CGT-201501
 
http://www.nature.com/cgt/journal/v22/n1/full/cgt201458a.html?WT.ec_id=CGT-201501
 

 
 
 
 
 


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