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AtualizadoSeg, 23 Nov 2020 9pm

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Câncer e obesidade

Obesidade_ASCO_1.jpgEm artigo publicado no Lancet Oncology (Vol. 16 Number 1 | Jan 2015), Melina Arnold e colegas utilizaram o conhecimento disponível sobre a associação entre o índice de massa corpórea (IMC) e a incidência de câncer para estimar essa relação em diferentes países do mundo.

Segundo os autores, as estimativas disponíveis são em grande parte baseadas em estudos realizados em países desenvolvidos. “As informações nos países em desenvolvimento são escassas”, disse Melinda.

No estudo, os investigadores avaliaram tanto a proporção total de cânceres associados com o IMC como a tendências de aumento do IMC verificada no período entre 1982 e 2012 para estimar a proporção de casos de câncer que poderiam ser evitados na prática.

Em todo o mundo, Arnold e seus colegas estimam que poucos cânceres em adultos foram associados com IMC elevado em 2012: 481 mil ou 3,6% dos cânceres em geral (5,4% em mulheres e 1,9% em homens). Além disso, cerca de 118 mil casos de câncer - apenas 0,9% dos tumores em adultos poderia ser atribuído ao aumento do IMC a partir de 1982.


Os resultados mostram pelo menos duas dicotomias importantes na proporção de casos de câncer associados com IMC elevado. Uma delas é a maior fração atribuível às mulheres - , aproximadamente três vezes mais que os homens, em grande parte devido ao câncer de endométrio e ao câncer de mama na pós-menopausa. Esta diferença é observada em todas as regiões geográficas, embora não esteja claro até que ponto este achado pode ser suscetível a problemas de qualidade de dados ou heterogeneidade das associações em algumas populações.

Segundo o mastologista do A.C.Camargo Cancer Center, Paulo Roberto de Alcântara Filho, mulheres obesas apresentam altas taxas de conversão de precursores androgênicos em estradiol devido ao aumento da atividade da enzima aromatase – a "aromatização" – que ocorre no tecido adiposo. “Quanto maior a quantidade de tecido adiposo, maior será o estado hiperestrogênico dessas mulheres”, explica.

A segunda dicotomia é a diferença entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento. Nos países desenvolvidos, com um índice de desenvolvimento humano (IDH) alto ou muito alto, cerca de 8% dos casos de câncer em mulheres e 3% em homens estavam associados com IMC elevado, e cerca de 2% em mulheres e 1% em homens foram associados com as tendências para o aumento do IMC desde 1982.

Nos países em desenvolvimento, apenas cerca de 2% dos cânceres em mulheres e 0,5% nos homens estiveram associados com IMC elevado; menos de 1% dos casos de câncer em mulheres e nenhum em homens esteve associado à tendências de elevação do IMC verificada a partir de 1982, o que sugere que tais tendências eram inexistentes ou mais fracas nesses países..

Para Alcântara Filho, o sistema de notificação de doenças no Brasil é bastante precário, o que segundo ele prejudica a adoção de políticas de saúde e impede que os recursos financeiros sejam mais bem destinados. “Obesidade é um problema global.Os índices apresentados pelo estudo mostram claramente que as taxas de câncer nos últimos 30 anos vêm aumentando nos países desenvolvidos, principalmente entre as mulheres, que são acometidas por câncer de mama e endométrio, constituindo uma relação de causa e efeito por meio das vias hormonais”, diz.

Os autores do estudo ressaltam a necessidade de melhoria contínua dos dados sobre incidência de câncer, sobrepeso e obesidade.

Para o especialista brasileiro, uma política de enfrentamento da obesidade trará benefícios incalculáveis para a sociedade, não apenas com o maior controle de doenças metabólicas, mas também na redução da incidência de determinados tipos de câncer, como o de mama. “Obesidade é uma doença e um problema de saúde pública dos mais graves. Seu controle permitiria, sim, uma economia substancial de recursos destinados ao tratamento destas doenças e suas complicações associadas, possibilitando uma melhor distribuição destes investimentos”, finaliza.


 
Referência:http://www.thelancet.com/journals/lanonc/article/PIIS1470-2045(14)71123-4/fulltext?elsca1=etoc&elsca2=email&elsca3=1470-2045_201501_16_1_&elsca4=Surgical%20Oncology%7CInternal%2FFamily%20Medicine%7CRadiation%20Oncology%7COncology%7CLancet
 


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