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AtualizadoSeg, 02 Ago 2021 12am

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Daichii Sankyo

Bloqueio de PD-L1 pode evitar resistência adquirida à radioterapia fracionada

Nota4_ESTRO_Radiotherapy_2_OK.jpgDe acordo com um estudo publicado no Cancer Research (edição de 1º de outubro, vol 74;5458–68), tratar o câncer com imunoterapia e radioterapia fracionada ao mesmo tempo pode impedir o tumor de desenvolver resistência e progredir ao tratamento radioterápico.

Pesquisadores da Universidade de Manchester financiados pelo Cancer Research UK e pela MedImmune, o braço de pesquisa biológica e de desenvolvimento global da AstraZeneca, descobriram que a combinação dos dois tratamentos ajudou a destruir as células cancerosas que não foram mortas pela radioterapia inicial. Os estudos clínicos foram realizados em camundongos com câncer de mama, pele e intestino.
 
A radioterapia é um tratamento reconhecidamente eficaz para muitas formas de câncer, mas a proteína PD-L1 engana o mecanismo de defesa, que deixa de atacar essas células cancerosas. No estudo de Manchester, o uso do anticorpo anti-PD-L1 revelou a verdadeira identidade das células neoplásicas que, desta forma, foram destruídas pelo sistema imunológico.
 
Os dados preliminares mostram que a abordagem melhorou a sobrevida e protegeu os camundongos da progressão da doença.
 
Para Simon Dovedi, líder da investigação e membro do Centro de Pesquisa do Câncer em Manchester, "os ensaios clínicos têm demonstrado o enorme potencial de usar as próprias defesas do corpo para tratar o câncer”, mas ainda é cedo para comemorar os resultados. “São os primeiros estágios da compreensão de como podemos usar melhor esse tipo de tratamento. Novos testes em ensaios clínicos são necessários para saber exatamente que diferença essa combinação poderia fazer”, alerta.

Segundo João Victor Salvajoli, radio-oncologista do HCor-Onco e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias, a radioterapia representa um importante componente na abordagem das neoplasias, reduzindo a chance de recidiva local e aumentando a sobrevida. “Aproximadamente 60% dos pacientes com câncer irão utilizá-la. Infelizmente alguns apresentam recaídas no local primário ou à distância”, explica.
 
Além do seu efeito citorredutor, surgem evidências que a geração de respostas imunes antitumorais podem ter um papel importante na eficácia do tratamento. A identificação e inibição de reguladores da imunossupressão pode aumentar a resposta imune antitumoral e consequentemente a evolução do paciente. “Esse estudo demonstra que o reconhecimento desses mecanismos reguladores da resposta tumoral à radioterapia fracionada pode permitir novas associações terapêuticas e melhores nos índices terapêuticos”, afirma o especialista.
 

Perspectivas futuras

A radioterapia ocupa papel de relevo no tratamento do câncer e a modernização de hardwares e softwares tem contribuído significativamente para o refinamento das técnicas de tratamento. “A radioterapia ajuda a melhorar as taxas de sobrevida. Hoje, um em cada dois pacientes com câncer sobrevive por pelo menos 10 anos”, disse Nic Jones, cientista-chefe da Cancer Research UK. “Médicos e pesquisadores estão constantemente à procura de novas formas de melhorar os tratamentos e esta abordagem pode abrir a porta para uma nova maneira de ofertar a radioterapia ".
 
Referências: http://cancerres.aacrjournals.org/content/74/19/5458.abstract
Acquired Resistance to Fractionated Radiotherapy Can Be Overcome by Concurrent PD-L1 Blockade
Simin J. Dovedi et al


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