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AtualizadoTer, 27 Fev 2024 9pm

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Daichii Sankyo

 

Hipofracionamento no câncer de cabeça e pescoço em países de baixa e média renda

radio cabeca pescocoO carcinoma de células escamosas de cabeça e pescoço, diagnosticado predominantemente em pessoas que residem em países pobres e em desenvolvimento, pode ser tratado eficazmente com radioterapia hipofracionada, como sugere estudo internacional destacado no ASTRO 2023.

Neste ensaio clínico randomizado de fase III, que envolveu 10 países em quatro continentes, incluindo o Brasil, os resultados mostram que a aplicação de um ciclo de 20, em vez de 33 sessões de radioterapia, foi igualmente eficaz no controle do câncer em pacientes com doenças localmente avançadas relacionadas ao álcool e ao tabaco, sem aumentar os efeitos colaterais. Os resultados são do ensaio HYPNO (radioterapia acelerada fracionada HYPo versus NOrmo) e foram apresentados no encontro anual da Sociedade Americana de Radiação Oncológica (ASTRO).

“O câncer de cabeça e pescoço causado por outros fatores além do papilomavírus humano (HPV) continua sendo um fardo significativo, especialmente em países de baixa e média renda”, disse o principal autor do estudo, Søren Bentzen, professor de radio-oncologia e diretor da Divisão de Bioestatística e Bioinformática do Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública da Escola de Medicina da Universidade de Maryland, em Baltimore. “Este é um ensaio que informa diretamente como você pode administrar radioterapia de maneira eficaz a pacientes em um ambiente com recursos escassos”, destacou.

Os cânceres de células escamosas de cabeça e pescoço são o sétimo tipo de câncer mais comum no mundo, responsáveis por 450 mil mortes a cada ano, historicamente associados ao uso de tabaco e álcool, incluindo fumo passivo e tabaco de mascar.

Embora os cânceres de cabeça e pescoço associados ao papilomavírus humano (HPV) ocorram normalmente em pessoas mais jovens e saudáveis, tumores relacionados com o tabaco e o álcool geralmente afetam pessoas mais velhas, com comorbidades que podem complicar o tratamento. As taxas de incidência são desproporcionalmente elevadas em países de baixa e média renda (LMIC, da sigla em inglês). Na Índia, por exemplo, os casos de câncer de cabeça e pescoço são responsáveis por 30% de todos os diagnósticos de câncer, em comparação com 4-5% em nível mundial, e estima-se que 84% das mortes por câncer de cabeça e pescoço ocorrem em LMIC.

O tratamento padrão para pacientes com câncer de cabeça e pescoço de células escamosas localmente avançado envolve até sete semanas de radioterapia. No entanto, LMIC enfrentam frequentemente uma escassez substancial de instalações de radioterapia, forçando muitos pacientes a viajar grandes distâncias e a permanecer longe de casa por longos períodos de tempo para receber cuidados.

Neste estudo (HYPNO), patrocinado pela Agência Internacional de Energia Atômica de Viena, Bentzen e colegas investigaram se um ciclo mais curto de radioterapia (RT) poderia ser tão eficaz quanto o tratamento padrão, sem aumentar o risco de efeitos secundários na qualidade de vida. A hipótese surgiu de anos de modelagem matemática, sugerindo que um curso abreviado e mais intenso de RT poderia produzir resultados semelhantes aos regimes atuais de tratamento.

Para testar a precisão deste modelo, os pesquisadores inscreveram 792 pacientes de 12 centros de saúde em 10 países pobres e em desenvolvimento: Uruguai, Brasil, Argentina, Cuba, África do Sul, Índia, Paquistão, Tailândia, Indonésia e Filipinas.

Todos os participantes do estudo tinham câncer de cabeça e pescoço localmente avançado; uma variedade de locais tumorais foi representada, mais comumente a orofaringe (50,5%). Os pacientes foram predominantemente (87%) do sexo masculino, majoritariamente (87%) com histórico de tabagismo ou de mascar tabaco. A maioria (73%) foi diagnosticada com câncer em estágio três ou quatro, com quase metade (49%) tendo disseminação para os gânglios linfáticos.

Os pacientes foram tratados com radioterapia em 33 frações (66 Gy, seis frações por semana durante 5,5 semanas) ou 20 frações (55 Gy, cinco frações por semana durante 4 semanas). A maioria dos pacientes (76%) também recebeu quimioterapia.

Após três anos, os pacientes que receberam o tratamento acelerado tiveram aproximadamente o mesmo nível de controle tumoral locorregional (teste de não inferioridade dentro de uma margem de 10%, p = 0,041) e efeitos colaterais tardios (teste de não inferioridade dentro de uma margem de 10 %, p=0,004) que aqueles que receberam o tratamento mais longo. As taxas de sobrevida global (SG) e sobrevida livre de progressão (SLP) três anos após o tratamento também não foram significativamente diferentes entre os grupos (SG: p=0,62, 54,1% hipofracionado vs. 55,5% convencional; SLP: p=0,42, 44,0% vs. 45,3%).

“Acelerar o tratamento com RT é complicado porque administrar uma dose muito alta ou muitas doses rapidamente pode causar efeitos colaterais que diminuem a qualidade de vida”, disse Bentzen. “No entanto, não fornecer radiação suficiente pode permitir o retorno do câncer”, explica, destacando a importância de alcançar o ponto ideal, com o equilíbrio certo entre a dose total, o tempo total de tratamento e a dose administrada em cada fração.

Diante desses resultados encorajadores, Bentzen e colegas estão concluindo análises adicionais de subgrupos para confirmar que o regime hipofracionado é eficaz para uma ampla variedade de pacientes.

Referência: LBA 02: Randomized controlled trial of hypofractionated vs. normo-fractionated accelerated radiation therapy with or without cisplatin for locally advanced head and neck squamous cell carcinoma (HYPNO), presented by Søren Bentzen, PhD, DMSc, FASTRO, University of Maryland School of Medicine


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