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AtualizadoSex, 12 Abr 2024 4pm

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Daichii Sankyo

 

Saúde bucal e sobrevida no câncer de cabeça e pescoço

saude bucalUma melhor saúde oral, evidenciada pelo número de dentes naturais e consultas ao dentista antes do diagnóstico, foi associada com aumento da sobrevida em pacientes com câncer de cabeça e pescoço. Os resultados do estudo, realizado em parceria com o consórcio International Head and Neck Cancer Epidemiology (INHANCE), foi publicado no Journal of the National Cancer Institute. O trabalho conta com participação dos pesquisadores Victor Wünsch-Filho (USP/Fundação Oncocentro), Marcos Brasilino de Carvalho (Hospital Heliópolis/SP), e Rossana Verónica Mendoza López (ICESP).

“A má saúde bucal foi identificada como um fator prognóstico que potencialmente afeta a sobrevida de pacientes com carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço. No entanto, até o momento, as evidências que apoiam esta associação surgiram de estudos baseados em coortes únicas com amostras pequenas”, observaram os autores.

Embora a sobrevida tenha melhorado durante as últimas décadas devido aos avanços no tratamento, o carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço (CECP) é a sexta doença maligna mais comum em todo o mundo. O principal fator de risco ambiental para a doença é o consumo de tabaco, mas o consumo de álcool e a positividade para o papilomavírus humano (HPV) aumentam o risco.

Essa análise agrupada incluiu 2.449 participantes de carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço de 4 estudos do Consórcio Internacional de Epidemiologia do Câncer de Cabeça e Pescoço reunindo dados sobre doença periodontal, frequência de escovação dentária, uso de enxaguante bucal, número de dentes naturais e consultas odontológicas nos 10 anos anteriores ao diagnóstico. Modelos de regressão linear generalizada multivariada foram utilizados e ajustados para idade, sexo, raça, região geográfica, localização do tumor, estágio TNM, modalidade de tratamento, escolaridade e tabagismo para estimar razões de risco (RR) de associações entre medidas de saúde bucal e sobrevida global.

Resultados 

Aqueles que realizaram consultas odontológicas frequentes (mais de cinco consultas relatas em 10 anos; RR = 0,77, 95% CI = 0,66 a 0,91) tiveram maior sobrevida global em cinco e 10 anos (74% e 60%, respectivamente) em comparação com aqueles que não realizaram consultas odontológicas (54% em cinco anos e 32% aos 10 anos). Esta descoberta foi mais pronunciada entre pessoas com câncer de orofaringe.

Não ter dentes naturais remanescentes foi associado a uma sobrevida global em cinco anos 15% menor em comparação com aqueles com mais de 20 dentes naturais (10-19 dentes: RR = 0,81, 95% CI = 0,69 a 0,95; ≥20 dentes: RR = 0,88, 95% CI = 0,78 a 0,99). A associação inversa com dentes naturais foi mais pronunciada entre pacientes com carcinoma espinocelular de hipofaringe e/ou laringe.

“Vale ressaltar que pacientes com consultas odontológicas mais frequentes têm maior probabilidade de ter o câncer diagnosticado em estágio mais precoce”, observaram os autores.

Diferenças de sobrevida inferiores a 5%, que não foram significativas, foram encontradas para sangramento gengival relatado pelos pacientes, escovação dentária e uso de enxaguante bucal.

Em síntese, essa análise da maior coorte de pacientes com carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço com medidas de saúde bucal identificou fortes associações entre retenção de dentes naturais e consultas odontológicas com melhor sobrevida. “Estes resultados enfatizam o papel da manutenção da saúde oral não só para evitar resultados adversos relacionados com o tratamento, como a osteorradionecrose, mas também como um parâmetro prognóstico potencialmente independente para pacientes com carcinoma espinocelular de cabeça e pescoço. Estudos prospectivos adicionais são necessários para replicar e ampliar as descobertas”, concluíram os autores.

Referência: Jason Tasoulas, Kimon Divaris, Antonio L Amelio et al. Poor oral health influences head and neck cancer patient survival: an International Head and Neck Cancer Epidemiology Consortium pooled analysis, JNCI: Journal of the National Cancer Institute, 2023;, djad156, https://doi.org/10.1093/jnci/djad156

 

 

 

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