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AtualizadoTer, 03 Ago 2021 4pm

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Daichii Sankyo

Identificada mutação RET no câncer de pulmão de pequenas células

CancroPulmao.jpgPela primeira vez, uma mutação no aminoácido 918T da proteína RET foi identificada no câncer de pulmão de pequenas células (CPPC), forma que representa 15% de todos os casos de câncer de pulmão e está fortemente associada ao tabagismo. 

A conclusão é do estudo da Case Western University, em Cleveland, Estados Unidos, e os resultados serão publicados na edição de setembro do Journal of Thoracic Oncology, veículo oficial da Associação Internacional para o Estudo do Câncer de Pulmão (IASLC, da sigla em inglês).

O câncer de pulmão de não pequenas células (CPNPC) ingressou na era da terapia personalizada graças à crescente compreensão da heterogeneidade do comportamento biológico da doença, identificado através de marcadores biológicos específicos. É o caso das mutações EGFR e dos rearranjos ALK. Agora, os tumores de pequenas células, a forma mais agressiva e letal de câncer de pulmão, parecem prestes a trilhar o mesmo caminho.

Para Clarissa Mathias, do Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT), “entender essas alterações genômicas abre caminho para o desenvolvimento de drogas alvo moleculares capazes de atuar em vias de sinalização específicas e assim bloquear o desenvolvimento do tumor e sua disseminação”.

Métodos

O estudo da Case Western University considerou todos os espécimes diagnósticos de CPPC obtidos na instituição entre 2000 e 2012. Ao todo, 422 pacientes foram incluídos no banco de dados, dos quais 412 tiveram amostras de diagnóstico da patologia. As mutações RET foram verificadas pelo sequenciamento Sanger.

Foram selecionados seis tumores de pulmão de pequenas células – 3 primários e 3 metastáticos - testados para 238 mutações, em 19 oncogenes. A pesquisa revelou que a superexpressão de RET em células de CPPC aumentou a sinalização de ERK, a expressão MYC e a proliferação celular. A investigação também considerou a resposta a dois inibidores de tirosina-quinase, ponatinibe e vandetanib. As células com superexpressão RET foram sensíveis aos dois agentes, o que sugere que mutações ativadoras podem estar presentes no câncer de pulmão de pequenas células.
No entanto, os autores advertem que novos estudos são necessários para confirmar essa análise inicial.

O câncer de pulmão de pequenas células (CPPC) é um tumor neuroendócrino pulmonar altamente maligno, que representa 15% de todos os carcinomas de pulmão. Ao diagnóstico, mais de 70% de todos os pacientes com CPPC apresentam doença avançada e a quimioterapia é hoje a única opção de tratamento. Infelizmente, grande parte dos pacientes progridem e a eficácia das terapias de segunda linha é limitada.

“Os resultados demonstram que a RET pode representar um novo alvo para a inibição da tirosina-quinase em um subconjunto de pacientes de CPPC”, conclui a oncologista brasileira.


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