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AtualizadoSex, 19 Abr 2024 10pm

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Daichii Sankyo

 

Perspectiva da IARC sobre prevenção do câncer bucal

roitberg ok bxA Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) convocou um grupo de trabalho de 25 pesquisadores de 14 países para avaliar o corpo de evidências sobre prevenção primária e secundária do câncer bucal. Os resultados do trabalho foram publicados na New England Journal of Medicine (NEJM), em artigo com participação do oncologista brasileiro Felipe Roitberg (foto), atualmente na Organização Mundial de Saúde.

Em 2020, o câncer de boca e cavidade oral foi o 16º em incidência e mortalidade em todo o mundo, sendo uma causa comum de morte por câncer em homens em grande parte do sul e sudeste da Ásia e do Pacífico Ocidental. Uma ampla gama de fatores genéticos, ambientais e comportamentais contribuem para o risco de câncer bucal. “Nesta primeira avaliação da prevenção do câncer bucal pelo programa IARC Handbooks, o grupo de trabalho descobriu que o tabagismo e o consumo de álcool são os principais causadores do câncer bucal na maioria dos países. No entanto, o uso de tabaco sem fumaça e a mastigação de produtos de noz de areca são as principais causas em muitos países, especialmente no sul e sudeste da Ásia e nas ilhas do Pacífico Ocidental”, relatam os autores.  

A cessação do tabagismo e do consumo de álcool tem um efeito preventivo na incidência de câncer bucal e provavelmente também diminui o risco de doenças orais potencialmente malignas. Da mesma forma, o artigo estabelece os benefícios da cessação do uso de produtos de noz de areca com ou sem tabaco. “O efeito das intervenções primárias para a cessação do uso desses produtos varia conforme o país, cultura, idade e sexo da população-alvo. Poucos estudos estavam disponíveis em populações que comumente usam noz de areca com tabaco; portanto, as avaliações foram limitadas apenas à cessação do tabaco sem fumaça. Em comparação com os adultos, os jovens que iniciam o uso de tabaco sem fumaça muitas vezes não percebem o tabaco como prejudicial e têm alta receptividade à publicidade do tabaco. Assim, é importante que a educação sobre os malefícios do uso desses produtos seja voltada para essa população”, destaca a publicação.

O Grupo de Trabalho da IARC observa ainda que o exame clínico oral permite a detecção de câncer bucal e desordens orais potencialmente malignas relativamente cedo em sua evolução. Atualmente, não existe melhor alternativa de triagem, embora a pesquisa sobre biomarcadores na saliva, sangue e respiração esteja evoluindo. “Nossa avaliação do potencial do exame clínico oral para reduzir a mortalidade por câncer bucal se aplica apenas a pessoas de alto risco. Seu efeito na população geral não pode ser estabelecido com base nas evidências atuais. A triagem realizada por profissionais de saúde primária treinados em locais de poucos recursos mostrou bons resultados na detecção precoce da doença, e a triagem oportunista em consultórios odontológicos em locais onde os recursos de saúde são altos também pode ser eficaz, embora as evidências sejam escassas”, observam os autores.

Em síntese, a revisão destacou a escassez de dados na área de prevenção do câncer de boca e exige pesquisas adicionais em todos os aspectos desse trabalho preventivo. No entanto, o grupo de trabalho estabeleceu que a cessação do tabagismo, consumo de álcool e uso de noz de areca contribuirá para reduções significativas no risco de câncer bucal. “Tais medidas também contribuirão para o objetivo geral da resolução sobre saúde bucal adotada pela Assembleia Mundial da Saúde em maio de 2021 para controlar e prevenir doenças bucais, incluindo câncer bucal, até 2030”, concluem os autores.

Referência: IARC Perspective on Oral Cancer Prevention - Véronique Bouvard, Ph.D., Suzanne T. Nethan, M.D.S., Deependra Singh, Ph.D., Saman Warnakulasuriya, Ph.D., Ravi Mehrotra, M.D., Ph.D., Anil K. Chaturvedi, M.P.H., Ph.D., Tony Hsiu-Hsi Chen, Ph.D., Olalekan A. Ayo-Yusuf, M.P.H., Ph.D., Prakash C. Gupta, Ph.D., Alexander R. Kerr, D.D.S., Wanninayake M. Tilakaratne, Ph.D., Devasena Anantharaman, Ph.D., et al. - October 18, 2022 - DOI: 10.1056/NEJMsr2210097

 

 

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