12082022Sex
AtualizadoQui, 11 Ago 2022 5pm

PUBLICIDADE
Daichii Sankyo

Lições do plano de expansão da radioterapia brasileira

SAMIR HANNA NET OKSamir Abdallah Hanna (foto), médico especialista em radioterapia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, é primeiro autor de estudo que buscou analisar a execução e implantação das instalações propostas pelo Plano de Expansão da Radioterapia para o Sistema Único de Saúde do Brasil (PER-SUS) e sua capacidade de enfrentamento dos problemas de acesso à radioterapia no Brasil. Os resultados publicados no periódico Lancet Regional Health – Americas demonstram que após dez anos, o projeto entregou cerca de 50% da implantação planejada de equipamentos de radioterapia. “Houve um crescimento de 17% no número nacional de aceleradores lineares (LINACS) com PER-SUS, contra um aumento de 32% na incidência de câncer no Brasil no mesmo período”, afirmam os autores.

O Sistema Único de Saúde (SUS) vem proporcionando acesso universal à saúde para pacientes com câncer sob vários desafios, incluindo o aumento da incidência de câncer ao longo do tempo, desvantagens geográficas e socioeconômicas e heterogeneidade de acesso à saúde de acordo com a região. Além disso, a disponibilidade de equipamentos de radioterapia está abaixo do necessário para atender as demandas atuais e futuras. Na tentativa de melhorar o acesso à saúde e aos tratamentos oncológicos, especificamente a radioterapia, algumas iniciativas governamentais têm sido colocadas em prática, como o PER-SUS (Plano de Expansão da Radioterapia no Sistema Único de Saúde, ou Plano de Expansão da Radioterapia para o SUS). Esse programa foi lançado em 2012, e há poucas informações disponíveis sobre o real impacto da superação dos problemas mencionados.

Nesse estudo, os pesquisadores analisaram retrospectivamente todos os relatórios mensais de andamento do PER-SUS desde a primeira divulgação (fevereiro de 2015) até outubro de 2021. Foram coletados as instituições beneficiárias, localização do projeto, status do projeto, tipo de projeto, datas de andamento das etapas e motivos de cancelamento ou possíveis justificativas para alteração do status. Dados geográficos brasileiros, demandas de saúde e incidência de câncer foram correlacionados. Os autores utilizaram o diagrama de Ishikawa e a metodologia 5W3H para compreender melhor os achados e apresentar possíveis formas de melhorar o acesso à radioterapia.

Resultados

Após dez anos, o projeto PER-SUS entregou cerca de 50% da implantação planejada de equipamentos de radioterapia. Houve um crescimento de 17% no número nacional de aceleradores lineares (LINACS) com PER-SUS, contra um aumento de 32% na incidência de câncer no Brasil no mesmo período.

A partir dos resultados do estudo, os autores identificaram os seguintes pontos críticos: alto índice de exclusão das instituições, o que reflete a seleção inadequada das instituições ou planejamento inadequado para o projeto; atraso na execução estava relacionado a entraves burocráticos, bem como a subestimação dos requisitos de planejamento (logística/pessoas); o dimensionamento audacioso do PER-SUS não pareceu superar a questão da assistência oncológica; o investimento tecnológico não cobre todas as necessidades; a saída do investimento em ensino/pesquisa não foi evidenciada (sem dados apresentados), principalmente devido ao fechamento antecipado da fábrica da empresa vencedora da licitação para fornecer os equipamentos PER-SUS e capacitação profissional; além disso, o fechamento da fábrica de equipamentos também foi consequência de planejamento inadequado e falta de priorização do projeto por parte do governo.

“A dimensão da necessidade de atendimento radioterápico no Brasil é maior do que o considerado, podendo não ser atendido integralmente pelo PER-SUS. Variáveis ​​geográficas, epidemiológicas, logísticas e econômicas poderiam ser reavaliadas para permitir um melhor planejamento estratégico e propostas de melhoria. O PER-SUS poderia ser otimizado para a próxima década, envolvendo a participação, alinhamento e engajamento de todos os stakeholders”, avaliam os autores. “No futuro, os estados e regiões com maior escassez de LINACs devem ser priorizados para melhorar o acesso à radioterapia em todo o país. Considerando os dados e o prazo inicial do projeto, o PER-SUS não atingiu as metas pré-estabelecidas especificadas pelo governo brasileiro”, concluem.

O trabalho é fruto do trabalho de conclusão do MBA (FGV-EAESP) do radio-oncologista Samir Hanna, e não recebeu nenhuma bolsa específica de agências de financiamento nos setores público, privado ou sem fins lucrativos.

Referência: Lessons from the Brazilian radiotherapy expansion plan: A project database study - Samir Abdallah Hanna; Andre Guimaraes Gouveia; Fabio Ynoe Moraes; Arthur Accioly Rosa; Gustavo Arruda Viani; Adriano Massuda - Open Access Published: July 19, 2022 - DOI:https://doi.org/10.1016/j.lana.2022.100333


Publicidade
Publicidade
KITE PHARMA
Publicidade
NOVARTIS
Publicidade
FARMAUSA
Publicidade
https://xperienceforumoncologia21.com.br/
Publicidade
SANOFI
Publicidade
banner libbs2019 300x250
Publicidade
300x250 ad onconews200519