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AtualizadoQui, 11 Ago 2022 5pm

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Daichii Sankyo

ANVISA aprova olaparibe no tratamento adjuvante do câncer de mama HER2-negativo

aprovado 21A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação para o inibidor de PARP olaparibe (Lynparza®, Astrazeneca), agora como tratamento adjuvante em pacientes com câncer de mama HER2-negativo em estágio inicial com mutações germinativas BRCA1 e BRCA2 e alto risco de recorrência. A decisão foi publicada dia 18 de julho no Diário Oficial da União (DOU nº 134)1 e é baseada nos resultados do estudo randomizado de fase 3 OlympiA2.

Destacado como Late Breaking Abstract 1 no ASCO 2021 e publicado na New England Journal of Medicine (NEJM), em artigo que contou com a participação do oncologista brasileiro Evandro de Azambuja, o OlympiA (NCT02032823) é um estudo randomizado, duplo-cego, de fase III, que inscreveu pacientes com câncer de mama inicial BRCA-mutado, HER2-negativo (TNBC ou RH+) de alto risco após tratamento local primário e quimioterapia (neo)-adjuvante. As pacientes elegíveis com tumores triplo negativo apresentavam doença ≥pT2 ou ≥pN1 antes da quimioterapia adjuvante ou ausência de pCR após a quimioterapia neoadjuvante; aquelas com doença RH+ tinham ≥4 nódulos positivos antes da quimioterapia adjuvante ou ausência de pCR e um score CPS+EG ≥3 após a quimioterapia neoadjuvante.

As pacientes foram randomizadas 1: 1 para um ano de olaparibe oral contínuo (300 mg BID) ou placebo (PL). Foram permitidos terapia endócrina e bifosfonatos.

endpoint primário foi a sobrevida livre de doença invasiva (IDFS) na população intent-to-treat (ITT). Os desfechos secundários incluíram sobrevida livre de doença à distância (DDFS), sobrevida global (SG) e segurança. A análise de segurança incluiu eventos adversos de interesse especial (AESI - síndrome mielodisplásica / leucemia mieloide aguda, nova malignidade primária e pneumonite).

A revisão da análise interina (IA) por protocolo IDMC foi acionada em 165 eventos IDFS nas primeiras 900 pacientes, com limites de superioridade baseados em um procedimento de teste hierárquico múltiplo: P <0,005 para IDFS, seguido por P <0,005 para DDFS e p <0,01 para SG.

Resultados

Foram inscritas 1.836 pacientes entre junho de 2014 e maio de 2019; 49,9% tinham recebido quimioterapia adjuvante e 50,1% receberam QT neoadjuvante. Os dados demográficos do baseline e as características tumorais foram equilibradas entre os braços.

Entre as participantes do estudo, 82,2% tinham câncer de mama triplo negativo; e 26,5% receberam um agente de platina. O IDMC recomendou a abertura dos dados visto que a análise interina demonstrou um benefício significativo de olaparibe para sobrevida livre de doença invasiva (hazard ratio [HR] 0,58; 99,5% CI 0,41, 0,82; P <0,0001) em 2,5 anos de mediana de acompanhamento. Os eventos IDFS ocorreram em 106/921 e 178/915 pacientes atribuídos a olaparibe e placebo, respectivamente. A IDFS em 3 anos foi de 85,9% para pacientes que receberam olaparibe em comparação com 77,1% para aquelas que receberam placebo (diff. 8,8%; 95% CI 4,5%, 13,0%).

A sobrevida livre de doença à distância (DDFS) foi significativamente melhorada com olaparibe (HR 0,57; 99,5% CI 0,39, 0,83; P <0,0001); a DDFS em 3 anos foi 87,5% vs 80,4% (diff. 7,1%; 95% CI 3,0%, 11,1%). A sobrevida global foi maior com olaparibe em comparação com placebo, mas não foi estatisticamente significativo na análise interina (HR 0,68; 99,0% CI 0,44, 1,05; P = 0,024); a sobrevida global em 3 anos foi 92,0% vs 88,3% (diff. 3,7%; IC 95% 0,3%, 7,1%). Um seguimento maior é necessario para demonstrar uma melhora significativa de SG. A mediana de exposição à olaparibe pretendida foi de 94,8%.

Os eventos adversos de grau 3 ou superior que ocorreram em mais de > 1% das pacientes tratadas com olaparibe foram anemia (8,7%), neutropenia (4,8%), leucopenia (3,0%), fadiga (1,8%) e linfocitopenia (1,2%). Os eventos adversos graves (SAEs) e eventos adversos de interesse especial (AESI) não aumentaram com olaparibe (SAE 8,7% vs 8,4% e AESI 2,6% vs 4,6%, OL vs PL, respectivamente).

O trabalho é coordenado pelo Breast International Group (BIG), em parceria com a Frontier Science & Technology Research Foundation (FSTRF), NRG Oncology (National Cancer Institute - apoiado pelo National Clinical Trials Network Group), e foi financiado por fundos do Instituto Nacional do Câncer (grants U10CA180868 UG1CA189867 U10CA180822) e pela AstraZeneca e Merck.

Referências: 

1 – DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO - Resolução-RE N° 2.370, de 15 de julho de 2022 - Publicado em: 18/07/2022 | Edição: 134 | Seção: 1 | Página: 77

2 - Tutt ANJ, Garber JE, Kaufman B, Viale G, Fumagalli D, Rastogi P, Gelber RD, de Azambuja E, Fielding A, Balmaña J, Domchek SM, Gelmon KA, Hollingsworth SJ, Korde LA, Linderholm B, Bandos H, Senkus E, Suga JM, Shao Z, Pippas AW, Nowecki Z, Huzarski T, Ganz PA, Lucas PC, Baker N, Loibl S, McConnell R, Piccart M, Schmutzler R, Steger GG, Costantino JP, Arahmani A, Wolmark N, McFadden E, Karantza V, Lakhani SR, Yothers G, Campbell C, Geyer CE Jr; OlympiA Clinical Trial Steering Committee and Investigators. Adjuvant Olaparib for Patients with BRCA1- or BRCA2-Mutated Breast Cancer. N Engl J Med. 2021 Jun 24;384(25):2394-2405. doi: 10.1056/NEJMoa2105215. Epub 2021 Jun 3. PMID: 34081848; PMCID: PMC9126186.

Veja mais sobre o estudo OlympiA:

OlympiA: inibidor de PARP adjuvante no câncer de mama precoce BRCA-mutado

TV ONCONEWS - ASCO 2021: Inibidor de PARP adjuvante no câncer de mama precoce BRCA-mutado

PODCAST ONCONEWS - Manejo da axila após os estudos monarchE e OlympiA

 

 

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