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AtualizadoQua, 18 Maio 2022 11pm

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Daichii Sankyo

Câncer de pulmão de células não pequenas com metástase no SNC - análise de mundo real

juliano coelho 22O oncologista Juliano Coelho (foto) é primeiro autor de estudo de coorte retrospectivo multi-institucional (GBOT-LACOG 0417) que buscou descrever uma coorte de pacientes com câncer de pulmão de células não pequenas com metástases cerebrais tratados em centros de câncer públicos e privados no Brasil, as diferenças entre a apresentação dos pacientes, tratamento e resultados. O trabalho foi publicado no JCO Global Oncology.

Na última década, novas terapias revolucionaram a abordagem do câncer de pulmão de células não pequenas (CPNPC) e, assim, novos padrões de metástase foram reconhecidos. Embora haja carência de estudos abrangentes que estimem a verdadeira incidência de metástase no sistema nervoso central (SNC) em pacientes diagnosticados com CPNPC, acredita-se que até 50% desenvolverão essa complicação ao longo da doença e até 10% terão metástase no SNC ao diagnóstico. “Pacientes jovens do sexo feminino, adenocarcinoma ou histologia de alto grau, tumor maior que 3 cm e comprometimento linfonodal são características relacionadas a um maior risco para o desenvolvimento dessas metástases”, esclarecem os autores.

O GBOT-LACOG 0417 incluiu 273 pacientes com CPNPC e metástase no SNC no Brasil, com diagnóstico confirmado de CPCNP entre janeiro de 2010 e dezembro de 2015. As metástases no SNC foram identificadas por imagem.

Os pacientes atendidos em instituições públicas eram mais frequentemente negros ou pardos (38,8% v 15,4%), fumantes atuais ou ex-fumantes (88,6% v 60,0%), de histologia de células escamosas (25,0% v 9,1%), EGFR- e ALK-negativos (95,9% v 74,9%), e foram menos frequentemente avaliados por ressonância magnética cerebral (38,8% v 83,6%). Nas instituições públicas, os pacientes eram mais frequentemente sintomáticos (78,1% v 44,6%) e apresentavam pior performance status (ECOG 2 ou superior 61,5% v 10,3%).

As metástases do SNC foram maiores (tamanho médio 25 v 15 mm) e mais frequentemente cercadas por edema (67,7% v 55,2%) em instituições públicas. Pacientes de instituições públicas foram mais frequentemente tratados com radioterapia de cérebro inteiro (72,9% v 45,4%) e menos frequentemente com radiocirurgia (6,3% v 24,1%). Entre os pacientes do atendimento privado, a mediana de sobrevida global foi de 24,2 meses (95% CI, 20,0 a 30,6), significativamente maior do que no atendimento público (mediana 12,1 meses; 95% CI, 6,7 a 13,6; P < 0,001).

“Nossos resultados podem refletir a realidade de países de baixa e média renda e servir de base para incentivar melhorias na prática clínica. Existe uma clara disparidade tanto em questões de diagnóstico como em tratenento em relação aos pacientes tratados no serviço público ou em ambiente privado no Brasil. Programas para aumentar a qualidade do tratamento do câncer de pulmão, mas sobretudo, diminuir a lacuna de acesso no serviço público são cruciais nos próximos anos", afirmam os autores.

“À medida que abordagens novas e caras são incorporadas, um esforço contínuo deve ser exercido para garantir valor no atendimento ao paciente, especialmente em ambientes marcados por recursos limitados”, concluem. 

Referência: Coelho JC, de Souza Carvalho G, Chaves F, de Marchi P, de Castro G Jr, Baldotto C, Mascarenhas E, Pacheco P, Gomes R, Werutsky G, Araujo LH. Non-Small-Cell Lung Cancer With CNS Metastasis: Disparities From a Real-World Analysis (GBOT-LACOG 0417). JCO Glob Oncol. 2022 Mar;8:e2100333. doi: 10.1200/GO.21.00333. PMID: 35467932.

 

 

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