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AtualizadoQua, 29 Jun 2022 9pm

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Daichii Sankyo

Estudo mede eficácia das vacinas SARS CoV-2 no mieloma múltiplo

hungria 22 bxPacientes com malignidades de células B, incluindo mieloma múltiplo, apresentam risco aumentado de mortalidade relacionada a COVID-19 e resposta sorológica variável à vacina. Estudo reportado por Nooka et al. no Journal of Clinical Oncology buscou quantificar a capacidade dos anticorpos induzidos pela vacina de neutralizar o SARS CoV-2 ou suas variantes nesses pacientes. Os resultados mostram que anticorpos neutralizantes (nAbs) são gerados em apenas 54% dos pacientes com mieloma que receberam vacinas de RNA. “Compreender os determinantes da indução de nAbs mediada por vacina em pacientes com mieloma múltiplo é fundamental para desenvolver estratégias para proteger esses pacientes”, avalia Vânia Hungria (foto), professora adjunta de Hematologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP).

Anticorpos neutralizantes induzidos por vacinas (nAbs) desempenham papel crítico na proteção contra SARS CoV-2. Nesta análise, os pesquisadores consideraram soros de 238 pacientes com mieloma múltiplo (MM) submetidos à vacinação contra SARS CoV-2. Os anticorpos contra o domínio de ligação ao receptor (RBD) e o nucleocapsídeo viral do SARS CoV-2 foram medidos para detectar a resposta sorológica à vacina e a exposição ambiental ao vírus. A capacidade dos anticorpos de neutralizar o vírus foi quantificada usando o ensaio de neutralização de pseudovírus e neutralização de vírus vivo contra a cepa inicial de SARS CoV-2 e a variante B1.617.2 (Delta).

Resultados

Os autores destacam que os nAbs induzidos por vacina são detectáveis ​​em taxas muito mais baixas (54%) do que o estimado em estudos anteriores de soroconversão em MM, que não monitoraram a neutralização viral. “Em 33% dos pacientes, os anticorpos anti-spike RBD induzidos por vacina não possuem capacidade de neutralização detectável, inclusive contra a variante B1.617.2. A indução de nAbs é afetada pela raça, doença e fatores relacionados ao tratamento. Os pacientes que receberam a vacina mRNA1273 (Moderna) alcançaram uma indução significativamente maior de nAbs em comparação com aqueles que receberam BNT162b2 (Pfizer; 67% v 48%, P = 0,006)”, descrevem.

Em conclusão, esses dados mostram que os anticorpos induzidos pela vacina não possuem atividade de neutralização do vírus detectável em vários pacientes com MM. Anticorpos neutralizantes (nAbs) são gerados em apenas 54% dos pacientes com mieloma com vacinas de RNA atuais. A indução de nAbs mediada por vacina é afetada pela raça, doença, vacina e características do tratamento (mais baixa com anticorpos CD38). Em síntese, os dados de Nooka et al. têm implicações para a aplicação de vacinas de reforço em indivíduos imunocomprometidos.

“Este estudo mostra a diferença de nAbs detectáveis em pacientes com MM comparando duas vacinas, mRNA1273 (Moderna) e BNT162b2 (Pfizer), e embora tenham produzido imunogenicidade amplamente comparável em adultos saudáveis, nesta coorte de pacientes com MM, o mRNA1273 levou a taxas significativamente mais altas de nAbs”, afirma Vânia. “A razão para essa diferença não foi totalmente elucidada. Compreender os determinantes da indução de nAbs mediada por vacina em pacientes com MM é fundamental para desenvolver estratégias para proteger esses pacientes do SARS CoV-2”, acrescenta.

A oncohematologista observa que as novas terapias-alvo, como por exemplo direcionadas ao CD38 e BCMA, estão melhorando muito os resultados do tratamento dos pacientes com MM, porém estão associados a taxas de soroconversão mais baixas, consistentes com estudos recentes. “Anticorpos anti-CD38, em particular, tiveram um impacto na indução de nAbs”, diz.

“Enquanto não temos dados suficientes para elucidar todo o cenário sobre riscos e resultados das diferentes vacinas, devemos otimizar a proteção desses pacientes, orientando a vacina de reforço, assim como outras medidas protetivas amplamente divulgadas”, conclui.

Referência: Nooka AK, Shanmugasundaram U, Cheedarla N, Verkerke H, Edara VV, Valanparambil R, Kaufman JL, Hofmeister CC, Joseph NS, Lonial S, Azeem M, Manalo J, Switchenko JM, Chang A, Linderman SL, Roback JD, Dhodapkar KM, Ahmed R, Suthar MS, Neish AS, Dhodapkar MV. Determinants of Neutralizing Antibody Response After SARS CoV-2 Vaccination in Patients With Myeloma. J Clin Oncol. 2022 Mar 8:JCO2102257. doi: 10.1200/JCO.21.02257. Epub ahead of print. PMID: 35259002.

 


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