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AtualizadoSex, 04 Dez 2020 6pm

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Daichii Sankyo

Anestesia sem opioides para o paciente oncológico

Anestesia_NEWS6_NET_OK.jpgAté pouco tempo atrás a anestesia do paciente oncológico e não-oncológico era tratada de maneira bastante semelhante. Pesquisas recentes de centros especializados em oncologia como Cleveland Clinic e MD Anderson Cancer Center, nos Estados Unidos, começaram a mostrar que na verdade a anestesia pode fazer diferença não apenas a curto prazo, mas a técnica anestésica utilizada durante a cirurgia pode também ter efeitos a médio e longo prazos, podendo inclusive ser benéfica ao paciente a ponto de reduzir o stress cirúrgico e diminuir a possibilidade de disseminação de células tumorais.

Os opioides, além de terem um efeito analgésico, tem também um efeito de depressão do sistema imune, principalmente quando utilizados em altas doses. Se os opioides levam à imunossupressão, e o organismo tem uma célula chamada natural killer, um protetor natural que pode identificar e matar células estranhas, coibindo a disseminação tumoral, a administração de uma medicação que inibe essa célula de atuar a favor do organismo pode piorar as chances desse paciente.

“Hoje em dia muitos estudos avaliam como a anestesia pode inibir essa resposta do stress cirúrgico e o potencial efeito benéfico na redução de recorrência de tumores. A célula que poderia ser morta vai cair na circulação e pode virar uma metástase. A ideia de buscar uma anestesia com adequada analgesia, sem o uso de opioides é reduzir cada vez mais a imunossupressão que a anestesia causa no paciente”, explica Cláudia Marquez Simões, diretora de eventos da Sociedade de Anestesia do Estado de São Paulo (SAESP), coordenadora do Serviço de Anestesiologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e do Programa de Residência Médica em Anestesia do Hospital Sírio-Libanês.

Disseminação da informação

A discussão foi tema de um painel no 11.º Congresso Paulista de Anestesiologia (COPA) / 48.ª Jornada de Anestesiologia do Sudeste Brasileiro (JASB) que debateu a evolução da conduta anestésica no tratamento do câncer. Foram discutidos aspectos relacionados ao uso de anestesia livre de opioides, anestesia regional e uso de adjuvantes na anestesia.

No caso do paciente oncológico tem-se incentivado cada vez mais o uso de bloqueios regionais, pois com a anestesia local é possível reduzir ou até mesmo não necessitar de opioides. “A anestesia regional anda praticamente de mãos dadas com a anestesia opioide free. O anestésico local não diminui a dor, ele bloqueia a condução, faz com que o organismo não tenha a leitura de que está sentindo dor. Isso protege o paciente do efeitos inflamatórios do stress cirúrgico, que também levam a imunossupressão”.

Para Cláudia, ainda há carência de informação na área, mas a SAESP vem trabalhando para disseminar esse conhecimento. Ao que parece, tem funcionado. No primeiro ano da criação de uma sala focada em anestesia oncológica no congresso da especialidade, a frequência foi baixa. O assunto despertou o interesse apenas de quem já trabalhava com oncologia, em centros especializados. Mas não são apenas os centros especializados que recebem esses pacientes. “Nos últimos anos observamos um aumento brutal da frequência nessa sala, o que reflete o interesse crescente, a disseminação desse conhecimento, sobre o que podemos causar ou como podemos proteger o paciente”, comemora. Ela acredita que ainda existe um gap muito grande, muito ainda a ser estudado, pesquisado e divulgado, não apenas entre anestesistas mas entre cirurgiões, pacientes e toda a equipe multidisciplinar que participa do tratamento do câncer. “Quanto maior for essa integração entre as equipes de oncologia clínica, cirúrgica, quanto maior for a disseminação dessa informação, melhor para o paciente.”

Para ajudar na disseminação desse conhecimento, o ICESP está construindo um Manual onde serão incluídos alguns capítulos sobre os cuidados específicos da anestesia no paciente oncológico. A obra está em fase de finalização e será lançada durante o 41º GASTRÃO – Curso de Atualização em Cirurgia do Aparelho Digestivo, Coloproctologia e Transplante de Órgãos do Aparelho Digestivo, que acontecerá entre os dias 30 de julho e 1 de agosto em São Paulo.

 

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